quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Noite de ano novo

Com tantos acontecimentos nas últimas 24 horas nem me lembrei que era dia 31 de Dezembro! Nem pensei se quer no que iria fazer, o mais provavél era ficar em casa do António a dançar tango até o dia raiar (não sei se mencionei que odeio cada vez mais aquela dança ... mas faço um esforço).
O António disse-me para esperar um pouco, ele saía ás 11h e depois comíamos qualquer coisa e ele ía para o cabeleireiro. Eu decidi acompanhá-lo, não tinha nada que fazer e ainda não me tinha esquecido do incidente do quarto.
- Eu sei que tu deves ter imensos planos para hoje à noite ... mas a minha mãe perguntou-me se ... querias passar o fim de ano conosco ... ahh ... queres?
- Estás a brincar?? Vocês são as únicas pessoas que eu conheço aqui! Claro que sim!! Obrigada!
- Pensei que ias passar com o Carlos ... afinal vies-te com ele para cá.
Apanhei-o em flagrante! Eu nunca lhe disse com quem tinha vindo para Londres, muito menos o nome dele. Não lhe disse nada quis ver até onde aquilo ía dar.
Mais tarde fomos comprar algumas coisas que a Dona Eugénia precisava para o jantar. Ajudei-a a fazer o cozido à portuguesa, a sopa de cenoura, as gelatinas e o leite creme. A ementa podia não ser a mais requintada, mas estava tudo delicioso. A Dona Eugénia organizou todo o jantar no terraço, convidou alguns vizinhos (todos acima dos 60) e ligou a aparelhagem com os seus ritmos latinos. Estava até a correr bem, dancei a maior parte da noite com o Sr. Brown que tem uns movimentos de ancas bastante superiores aos do António.
Eram 23H00. Eu estava a divertir-me tanto que nem reparei em nada. A Dona Eugénia e o António desceram até à cozinha e quando me apercebi desci e fui ver o que se passava. Escutei a trás da porta (está a tornar-se um hobbie) e percebi que o Ton... António ía sair... ía ao ... hotel!
Foi um impulso estúpido mas precipitei-me para a porta e oferecei-me para o acompanhar. Ele tentou despachar-me mas eu inventei uma desculpa. Disse que tinha de ir buscar umas coisas ao hotel, porque partia amanhã cedo e não tinha tempo de lá voltar. Ele não pode recusar pois percebeu que eu já desconfiava de alguma coisa.
Apanhámos o taxi. Não falou o caminho todo, o que é bastante estranho pois a sua principal caracteristica é a de falar pelos cotovelos. Chegámos eram 23h e 30m. Estava pouca gente nos corredores, a maioria estava no salão principal onde tinham organizado um espectáculo. Ele disse que ía falar com o gerente e para eu ir buscar as minhas coisas e esperá-lo lá em baixo ... claro!
Apanhei o elevador e depois fiquei uns 20 minutos à espera nas escadas. Depois desci até à entrada para que ele me visse e não suspeitasse. 23h e 50 ... foi a correr pelas escadas e cheguei ao 301. A porta estava encostada e nem hesitei ...
23h e 55 ... estavam os dois no quarto ... o Carlos e o António.
- Tão mas ... 'tamos a brincar??? O que é isto?? - foi a única coisa que me ocorreu.
- Ahh ... querida!!!! Faz tempo que não vejo essa carinha laroca. - disse o Carlos com uma voz muito mas muito esganiçada.
Eu conheço aquele tom, quando ele vem com aquela conversa é porque me está a esconder qualquer coisa.
- Mas vocês conhecem-se???
- Deixa-me explicar .... é que ...
O António mente muito mal.
- É queeee ... nós estávamos aqui para te fazer uma surpresa!! Por isso ... SURPRESA!! - a voz do Carlos começa a irritar-me ...
- Pensei que me conhecias melhor Carlos! Desembucha que eu sei que aqui há coisa!! Vamos como é que vocês se conhecem??
23h e 58 ...
- Ahh ... cruzámo-nos no corredor e tu sabes como os homens não me resistem!!!
- António ... diz-me a verdade!!
- Sabes acho que não vale a pena mentir mais. Afinal tu tens sido uma grande amiga para mim e para a minha mãe. Prepara-te porque não é coisa boa nós quisémos poupar-te ... tu ... nós ... tu tens ...
- FELIZ ANO NOVO!!!!!!! (Carlos)

"Hips don´t lie"

301?? O que é que aqui foge à normalidade? Ah! já sei! Será que estou estupefacta precisamente por este ser o número da porta do quarto do Carlos? Não! Do meu quarto! Sei lá...Meu ou dele ele entrou lá dentro! Mas para quê? Foi então que me sentei nas escadas a pensar...OK. O que é que se passa aqui? Será que o Tony, António, darling, dançarino das ancas belas e incrivelmente "rotativas"( por que será que isto me afectou tanto?), será que esse barman, cabeleireiro, entre outras profissões,(sabe-se lá quais) é a "pessoa incrivelmente especial" que o Carlos disse que...Ah! Que idiota! Que idioooooooooota! Ai GOD! Então como poderia ser??- Ria-me agora sentada no último degrau das escadas. Como pode ser? Ele esteve comigo enquanto...bem, enquanto corria desalmadamente e me queria ir embora e...Oh, ele acolheu-me em sua casa enquanto o Carlos se divertia aqui sem mim! Sou mesmo maldosa.O António é uma pessoa tão gentil, tão querida. A mãe dele, a casa dele,o colchão incrivelmente fofo dele, o tango dele...as ancas dele...epa, que ancas...! Ok! Fechou por hoje a loja das lamexices e das coisas que não se deviam dizer nem muito menos escrever! Vou ficar a espera que ele saia do quarto. Afinal, até pode ser que não esteja lá ninguém e eu estou aqui a fazer filmes....Espera...Oh Oh...Ouvi risos. Seriam do quarto do Carlos? Ia-me a aproximar da porta e ouvir como se não houvesse amanhã, mas passou uma empregada com as roupas de cama para a lavandaria e tive de disfarçar:
- Oh...Estou aqui à espera! Já viu? E depois são as mulheres que se atrasam mais! Isto...- Depois da mulherzinha virar a esquina pensei: Estupida...Ela não sabe português. Mas já que a minha reputação estava arruinada naquele hotel não havia mal mais uma pessoa pensar que eu era avariada da moleira. Aproximei-me da porta. Ahrrhgghh! Já não se ouvia nada. Tinham se calado. Teriam percebido que estava ali? Porra, e agora? O que é que eu vou fazer? Pus-me a escutar. Passou um homem, fez cara de caso, mas eu queria lá saber! E queria tanto, tanto, tanto saber que decidi bater à porta. Mas depois, como sou uma mulher muito decidida, e isso viu-se nestas linhas, pois claro, decidi pensar...Pensar...Bato, ou não bato? Bato. Humm...não quero ver coisas que não queria ver! Não bato. Hum, sou amiga do Carlos preocupo-me com ele! Bem, beste caso preocupo-me mais com o Tony António do que com o Carlos. Vou bater. Não...O melhor é esperar. Mas depois...espero, espero e ele só decide sair lá de dentro às tantas da noite! E ainda é de manhã! Sim, vou esperar. Vou esperar! Sentei-me novamente nas escadas. Felizmente que gente rica não gosta muito de se levantar cedo...Ou pelo menos constactei isso. Não havia vivalma no corredor. Sentei-me então no degrauzinho da escada, encostei a a cabeça à parede e...
- Bom dia dorminhoca! Horas de acordar!
- Hum?- Acordei sobressaltada com a voz do...- Antóny!!! De onde saíste?
- Bem, a minha mãe disse-me que eu nasci de parto normal e que era uma linda criança ainda que toda enrrugadinha!
-Não!
- Não? Foi, foi! Foi de parto normal! Podes perguntar a ela...- Adormeciiiiiii!!!! E não viiiiiii!!! Estou oficialmente inscrita no clube dos anormais! Oh...Levantei-me de rompante e olhei para ele e para a porta.
- Estavas onde?- Perguntei.
-Aqui no hotel...A trabalhar.
- A trabalhar? A sério?- Estava desconfiada! Sabia lá os trabalhos daquele gajo!
- E tu? Alugas-te a escada para dormir porque era mais barata do que um quarto?- disse ele.
-Não...Não...Achas?- Sorrisinho falso-Estava à tua espera!- Ele fez cara de desconfiado e pôs as mãos nas ancas, na cintura! ( Ai como isto está a correr hoje!)Hum...porque, porque...Porque a tua mãe disse que tinhamos de praticar mais as aulas de ancas!
- As aulas de qu...?
- Tango! As aulas de tango!- Disse rapidamente. Não acredito...Será que foi mesmo ele que entrou para aquele quarto? Será que vi bem? Opá...as ancas não mentem!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Deixei-me ir na onda!

Foi realmente um dos momentos mais surreais da minha vida. Toda a situação foi muito estranha mas confesso que até me diverti! Chegou a altura de me descontrair mais, de não pensar tanto nas coisas ... vou deixar andar.
Depois da aula de dança a Dona Eugénia resolveu ir buscar os velhos albuns de família e esteve a contar todas as histórias e escandalos da sua família. Eu pensava que era uma pessoa com uma família estranha ... mas nunca tinha visto nada assim!! Primos que se apaixonaram entre si, o avô do Tony casou-se umas 5 vezes e teve 17 filhos, o gato Nini que vivei com a família por mais de 20 anos ... coisas aparentemente sem importância mas que eu adorei ficar a conhecer. Depois de ter falado durante duas horas sem parar ela foi dormir e deixou a mim e ao Ton ... ao António sozinhos na sala. Já era bastante tarde mas eu não tinha sono e por isso puxei conversa:
- Desculpa lá ... mas tava aqui a pensar e tenho mesmo que perguntar!
- Diz lá ... depois da descrição da minha mãe acho que já não há nada que não sibas sobre mim!! Eu ouvi aquelas das ancas ...
- Poisss ... a pergunta é ... a tua mãe vive cá não vive? Essa história de que ela só está cá por uns tempos não me convenceu.
- Vive ... não é que eu tenha problemas mas ... é que as minhas anteriores namoradas nunca gostaram de a ter por cá e ... então comecei ... tu sabes! Eu não me envergonho mas é que a minha mãe sempre foi muito sincera e não tem problemas em dizer o que pensa. Todas as raparigas que trouxe para casa ela ... desaprovou é uma maneira simpática de o por. Axa-as todas estúpidas, preguiçosas e sem graça. Tenho de confessar que até concordei com ela na maior parte dos casos.
- Nem quero então pensar no que disse sobre mim enquanto estive fora!
- Sim ... nesses longos 30 minutos ela ... não sejas parva! Ela acabou de te conhecer e ainda não te largou um minuto não sei se reparas-te? Eu nunca a tinha visto assim com ninguém ... talvez seja por seres tão parecida com ela!
Acho que foi o maior elogio que recebi até hoje ... e como não podia deixar de ser não tive do apreciar pois foi interrompido pelo toque do meu telemóvel! Ai que raiva é o Carlos!! Não me está mesmo nada a apetecer falar com ele agora e estragar estes raros momentos de paz ... mas ...
- Sim Carlos diz logo antes que eu me arrependa! - Falei tão rápido que acho que nem percebeu.
- Desculpa é que ... eu só queria falar contigo ... perguntar como estás ... então ... como estás?
- Sabes de uma coisa? Estou óptima mais uma razão para desligar agor ...
- ESPERA! Eu só te queria pedir desculpa! Foi um estúpido em tratar-te daquela maneira. Simplesmente despachei-te e agora ...
- Tens um peso na consciência eu sei!! Beijinhos e Adeus. Desculpe António não era ninguém importante ... só a principal razão pela qual eu estou aqui neste momento e não me apetece falar sobre isso.
- Ok ... nem vou tocar no assunto!! Agora desculpa mas vou mesmo ter de me ir deitar, amanhã trabalho muito cedo e não me posso dar ao luxo de perder um dos meus empregos!
- Tudo bem eu também preciso de descansar ... Até amanhã! Boa noite!
Aquilo foi muito estranho. Ele bem tentou disfarçar, mas eu percebi que ele ficou estranho depois do telefonema. Antes disso não tinha mostrado nenhuma intenção de se ir deitar! Tentei não pensar muito nisso mas a verdade é que dormi muito mal não só pelo António mas pelo Carlos. Percebi que devia ao menos te-lo deixado falar.
Como era de esperar, acordei com umas olheiras até aos pés mas a Dona Eugénia ofereceu-se logo para me ajudar com um pouco de base. Venha o diabo e escolha! Fiquei branca como a morte! Nunca tenho fome de manhã ... um leite com café e uma maçã chegam-me, mas a Dona Eugénia lá me convenceu a comer umas panquecas sendo que dispensei as omeletes. Acho bom experimentar coisas novas mas fritos de manhã ... nem pensar!
- O António não desce? - perguntei eu.
- O meu Tony saiu logo cedo! Disse que tinha de ir ao banco tratar de uns assuntos!
Assuntos ... pronto! Passava-se mesmo alguma coisa! Não é que o conheça á muito tempo, mas já vi que ele não é do tipo de se levantar cedo ... muito menos pa ir ao banco!! Um homem que mora com a mãe, que deixa os boxers espalhados pela casa (eu vi bastantes e digi-vos não é agradável!), nem consegue fazer a própria cama. Chamem-me paranóica, mas acho que ali há coisa e que a mãe sabe muito bem que ele foi a outro lado!
Resolvi ir ao hotel esperar por ele ... e tal como era de esperar não estava na recepção e já passava da hora de ele entrar ... aquela conversa de ir mais cedo pa não perder o emprego era treta! Foi então que o vi passar!! Fiz-lhe sinal, mas ele ía tão acelerado que nem reparou. Decidi ir atrás dele e ver o que se passava ... foi pelo elevador que subiu até ao quarto andar ... o mesmo andar que ... subi as escadas a correr ... não queria acreditar ... entrou no quarto 301!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A indecisão é a inimiga nº.1 de uma mulher

E mudaram...Epa, que coisa parva! Eu ia para casa, ia ficar sozinha, ia ter ficar a ouvir até às tantas da manhã as músicas antigas da minha vizinha.Bem, se ela ainda se esquecesse de por o LP do Nelson Ned...Mas não me parece. O raio da mulher é uma solteirona desgraçada, frustrada na vida e só lhe faltam mesmo os 7 gatos para ser uma a perfeita solteirona! Oh minha nossa...Eu vou ser assim daqui a uns anos!! Não...Nem pensar nisso! Ai...mas aquela espera fez-me pensar o quão tirste, parva, desgraçada e enjoada sou! Enjoada? Oh merda, sabia que as pataniscas tinham um sabor esquisito qualquer..E terei dormido com o Tony? António! António! Tony seria demasiado...não interessa. A verdade é que não me lembro de nada! Nada! Só do vómito e do cheiro do...perfume do...TonANTÓNIO! Ai que horror. Que idiota, só aquele aspecto dele...Só o terrivel trabalhinho de (uuuhh isto faz me arrepios) cabeleireiro, por amor de Deus! E ainda por cima é barman e ainda trabalha no hotel como sei la o quê mais! E é português. Isto faz todo o sentido. Espera, espera, espera!! Que ódio! Vou me embora. Não.Vou.Não.Vou.Não. Porra! Já lá devia estar! Adeus! Bye Bye darlings! Epa que ódio. Não vou...Tenho casa! Odeio o Carlos...Tenho casa em Portugal, não preciso de comer da comida dos outros nem ficar em casa dos outros nem dormir com os outros! Opa...eu dormi com aquele tipo. Vou-me passar. Não me lembro de nada...e se...ahhhhhh chega! Não...Sim! Chega. Pegar nas malas e rumo a casinha do tony! (Epa, isto parece tão mal). Fui. Bati a porta e não estava ninguém. Boa! Vou voltar para o aeroporto! Ainda dá tempo! Não. Pára. Pensa. Estúpida. A porta da rua abriu-se. Entrei para o prédio, pelo menos não ficava ao frio a tentar entender-me e a programar a minha vida. Sou uma pessoa decidida! Nada de indecisões!
- Vais subir ou...preferes ficar na escada?- O boa...o cabeleireiro...sim, isto bateu cá fundo...Ele estava debruçado no corrimão da escadaria velha que dava lá para o seu andarzito. E eu cá em baixo, rodeada de malas.
-Oh...António! Eu estava aqui a...a...pensar!
- Oh, pois...Esqueces-te de alguma coisa aqui em casa?
- Eu? Sim, que cabeça a minha...esqueci-me de um...
- Cachecol.
-Não.
-Boné?
-Não,não.
-De um baton?
- Exacto! De um baton...Posso...hum...subir?
- Claro!- Epa, ele até é querido, o pequeno cabeleireiro. Subi olha...que se lixe. Antes de entrar a porta ouvi uma musica dentro de casa. Foi então que o António me sussurou uma coisa, enquanto abria a porta.
- Não faças barulho, a mamã está a treinar...Para podermos manter a casa ela está a dar aulas de tango, sempre foi uma boa dançarina e estudou dança também.
-Oh..OK...- Disse eu. Que caraças...onde é que me vim meter! Bem, lá entrámos. A mulher estava a dançar tango sozinha. Quando nos viu, passado uns segundos, parou. Deligou a música e veio ter comigo.
-Olá outra vez!- disse com um sorriso de orelha a orelha- Sabia que voltavas...- E deu-me uma valente beijoca à moda portuguesa na face.
- Dança muito bem! Pensava que tango era uma dança a pares mas já vi que se desenrrasca muito bem sozinha...e de que maneira!
-Ohh...bondade tua. Sabes dançar?
-Nada de nada!- disse eu temendo a seguinte afirmação (oh porra..eu sabia que ela ia dizer isso)
-Oh! Eu ensino-te! TONY!!!!!!!!!!! ANDA CÁ AMORI!- disse gritando para o Tony que, cuiosamente, estava apenas à porta da sala a alguns metros de distância. Depois virou-se para mim e baixinho afirmou- Ahhh...o meu Tony tem umas boas ancas, hã?

Boa noite!

- Boa noite princesa! Já não te via a horas!!
- Eu não me tou a sentir lá muito bem ... por isso acho que vou ignorar! Emprestas-me um balde pa eu vomitar é ... que eu ... acho que ...
Sinceramente não me lembro do que se passou a seguir ... até me custa dizer ... vou tentar arranjar uma forma bonita ... depois de eu ter saído para fora de mim devido à minha indesposição causada pelas bebidas espirituais que eu ingeri devido ao desgosto gentilmente proporcionado por aquela ... CABRA! (Desculpem mas não há outra forma de dize-lo).
A verdade é que nem sei onde estou. Ora, estou num quarto ... mas não é do hotel. Mas eu nem me lembro de ter saído do bar!! A não ser que ...
- Boa noite princesa!!!
- Ahh!! Mas estou a ter um dejá vu?? (isto começa a ser repetitivo) Mas ... o que ... onde estou?
- Não te preocupes que estás segura. Trouxe-te para a minha casa! Não é grande mas é confortável. É para aqui que trago as minhas conquistas ... porque não sei se reparas-te mas sou um garanh ...
- Tony!!!!! Vem cá abaixo imediatamente!!!! Vem por a mesa!! Deves pensar que sou tua escrava ...
- Quem é? Está cá mais alguém?? Isto não é ...
- Infelizmente não ... é só a minha mãe. Ela está cá por uns dias, porque ... esteve doente e então ... eu dei uma ajuda. Mas logo logo vai embora eu sou muito independente sabes!!!
- Pois ... mas o que é que aconteceu no bar? Não precisas de mencionar o vómito (opss) disso eu lembro-me (como me poderia esquecer ... que vergonha!!).
- Nada de especial, ficou tudo a olhar, alguns riram, outros tiraram fotografias, coisas do género. Depois arrestei-te para a cozinha limpei-te, estavas uma lástima mas se quiseres eu peço fotografias, e depois trouxe-te para cá! Achei que era o melhor a fazer já que enquanto estavas "lúcida" não paravas de repetir as seguintes palavras: bicha ... sem-abrigo ... (soluço) ... ai a minha vida ... eu gosto é de canelones ... e depois vomitas-te se não estou em erro.
- Sabes acho que perfiro não saber! Muito obrigado por me teres ajudado mas vou voltar ao hotel para arrumar as minhas coisas. Vou ver se apanho o avião para Portugal ainda hoje.
- Mas tu podes ficar aqui quanto tempo quiseres!!! Eu durmo no sofá!! Não vás agora ... é que ... haaa ... estamos na altura da passagem de ano! Tu não vais conseguir uma passagem tão em cima da hora!!!
- Não obrigada! Para mim chega de férias. Acho que vou mesmo ficar pela minha casinha e comer as passas com a Dona Emília.
Ao descer as escadas, devo confessar, deu-me vontade de ficar. A casa era realmente pequena, muito mal decorada ... mas cheirava bem, a uma casa vivida. Quer dizer consegui aperceber-me do cheiro a rosas dos canteiros á janela, dos bolinhos que coziam no forno, do chá acabadinho de fazer e até do wc pato da casa de banho!
- Deixa-me ao menos apresentar-te á minha mãe! Acho que vai gostar muito de te conhecer!
Assenti com a cabeça, afinal quis aproveitar mais um pouco naquela casinha tão confortável, fazia-me tanto lembrar a casa da minha avó Filomena!
- Ohh a princesa já acordou!! Eu sou a Eugénia! É realmente um prazer conhecê-la!
Ela era bastante diferente do que eu tinha imaginado. Quando a ouvi do quarto deu-me a impressão de uma velhota simpática, com uma toca na cabeça e uns chinelinhos a arrastar pelo chão. Mas era até bastante elegante e bem conservada para a sua idade ( ou para a idade que eu imagino que tenha). É muito vaidosa. Reparei que usa o Chanel nº5 apesar de estar atarefada com a lida doméstica.
- Ao menos fica para jantar!
Não sei porquê mas não consegui recusar.
Ajudei o Tony (nem acredito que é esse o seu nome) a por a mesa. Era uma mesa humilde, tinha o essencial. No entanto a comida estava divinal! Não há cozinha como a portuguesa e depois de algumas horas em Londres passei a dar-lhe mais valor.
Descobri algumas coisas sobre o Tony. Era filho único. Vivia em Londres desde os 16 anos quando os pais se separam. Veio com a mão para a Londres atrás do sonho dela de ser atriz de teatro. Ela diz que não se sente confiante, e que cada vez mais pensa em desistir, mas o filho assegura que ela é espantosa!
Com os bolinhos e um café acabou o jantar. Sentia agora um peso no coração. Queria levantar-me mas não conseguia. Que coisa tão estúpida ... eu mal os conheço! Fui até um pouco malcriada saí da mesa, peguei no casaco e despedi-me com alguma frieza.
apanhei o taxi para o hotel e felizmente não me cruzei com o Carlos. Deixei-lhe um bilhete a dizer que ia voltar para casa e nada mais.
Fui comprar o bilhete. A fila era enorme ... eu só queria despachar-me, comprar o bilhete e partir ... aquela demora ia fazer-me mudar de ideias ...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Olá e adeus!

- Não estou a gostar da conversa Carlos...- Pousei os poucos sacos com coisas que tinha comprado em cima do sofá e tirei o casaco.
- Não é nada de mais...apenas te queria pedir uma coisa, uma coisa grande, não em tamanho mas em dimensão, bem não em dimensão mas em volume, bem, não em volume mas em grandeza, bem no fundo...- Sentei-me no sofá, estava visto...Ia demorar tempo- O que eu pretendo dizer é que...Bom, nós viemos para aqui para...para....
-Para passar o ano ou quiçá ir pior do que vim por que estou à poucas horas contigo enfiada num hotel e já me apetece esganar-te e olha que isso pode acontecer dentro de 5, 4, 3....
- ENCONREI ALGUÉM TERMENDAMENTE INTERESSANTE E GOSTAVA DE A TRAZER PARA AQUI.
-Hum...- Olá, sou a Liliana (olá Liliana).Estou em Londres. Estou em Londres com o meu melhor amigo. Olá, sou a Liliana (olá Liliana). Estou em Londres. Estou em Londres e vou assassinar o meu melhor amigo.- Carlos...para aqui? Esse alguém não tem uma casa, um prédio, uma mansão? Já que te metes sempre com gente importante...Carlos e eu??
-Ele vem cá hoje.
- Carlos...EU NÃO TENHO ONDE DORMIR!Que imaturidade! Como te atreves? Estás a umas horas em Londres e já encontras-te o amor da tua vida??
-Ele é um máximo e encantador e bem vestido e charmoso e usa umas..
- Ah! ah! Poupa-me os pormenores!- Eu não queria acreditar, eu...eu! aaaaaaaaaahhhrrrrgggg!!!!
- Amor, compreende....- Amor compreende? Oh mãe santíssima.
- Carlos! Sabes uma coisa?
- Podes sempre dormir no sofá!
-Carlos!
- Podes sempre pedir um culchãozinho...
-Carlos!
-Podes...
-Podes te calar?? Não vou ficar aqui enquanto te enrrabixas com não sei quem!! Que falta de consideração...Vou-me embora.
- Ah...sabia que podia contar contigo! Vais para onde? Para um outro hotel? Ah! E em relação ao creme depilatório, podes me deixar aquele com cheirinho a rosas? - Que...Cabeça...Oca...
- Vou para Portugal minha bicha besta cubica- Disse, enquanto arrumava furiosamente as minhas coisas na mala que ainda nem tinha sido completamente desfeita.
- Não me vais deixar sozinho aqui pois não?- Olhei para ele, fiz aquela cara de poucos amigos mas que ao mesmo tempo ameaça porrada mas não valeu de nada. Não sei o que ele bebeu enquanto estive fora, mas o que era certo era que lhe tirou os neurónios funcionais e estava a começar a derreter os permanente inactivos que nunca era usados.
-Não vou responder à tua pergunta.
-Não podes ir para Portugal! Amanha é a passagem do ano!- A porta bateu. Fui-me embora a barafustar e só parei no enorme átrio do hotel. Milhares de pessoas passavam e entravam e saíam. "Porra...Vou beber um copo", pensei. Dirigi-me ao bar do hotel, pelo menos sabia que lá estava "segura". A noite em Londres é boa mas é perigosa também e...bem! Eu não tenho tecto! Na melhor das hipóteses acabaria no chão, à porta de uma igreja a partilhar um cartão com um sem-abrigo..Oh meu Deus!! Eu sou uma sem abrigo!!! Bem, para dizer a verdade não era por nada disto, era sim porque sabia que o Carlos ia sair disparado à minha procura e nunca me ia procurar no hotel...Neurónios? Olá? Enfim, bar do hotel. Objectivo: Uma bojeca das grandes. Depois: O que acontecer acontecerá. Sentei-me lá naqueles banquinhos em que não cabe quase o rabo de uma pessoa (ou será que engordei? Ai porra...acabaram-se as Pringles ao deitar.) e fiquei à espera que o barman me fosse atender.
- Psit! A Beer, please!- Ora,quando o moço se virou...
- Uma cervejinha! É pra já!
- Você outra vez? Tem algum gémeo ou assim? Chiça...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Devem pensar que sou louca ...

Devem pensar que sou louca! tenho a oportunidade de passar um fim de ano de sonho e acabo aos gritos num motelizinho em Londres! Já para não falar das minhas companhias ... amigos carinhosos e atenciosos que me trocam por qualquer rabo de calções que lhes atravessa no caminho. As férias estavam a ser fantásticas como podem imaginar.
Decidi então ignorar completamente o Carlos ele que fizesse o que quisesse, eu estou farta de me ralar com ele! Já sou crescidinha e sou perfeitamente capaz de me divertir sozinha!
Decidi ir dar uma volta. Nem se quer planeei onde ia, simplesmente comecei a andar sem destino. Dei umas voltas pelo jardim lá perto, vi umas montras, bebi um cházinho (ás cinco horas claro!) E resolvi fazer algo de diferente e fui cortar o cabelo. Ele bem que precisava. A verdade é que nos últimos tempos tenho-me desleixado e então decidi inovar. Já usava o cabelo comprido á bastante tempo e então pensei cortá-lo curtinho como é a moda agora. Chamaram-me para ir lavar o cabelo. Lá fui eu com um pouco de receio, tinha medo que as cabeleireiras não percebecem o que eu dizia e ainda acontecia alguma desgraça.
Foi então que me perguntaram o champo que eu queria usar e ... ao olhar para trás ... era ... o empregado do motel!! Isto é perseguição!!
- O que é que estás aqui a fazer? - estou novamente a fazer passar-me por louca, que bonita imagem estou a dar!.
- Ora! Uma pessoa tem de fazer pela vida! O dinheiro que ganho no motel não chega para viver nesta cidade e então tenho este part-time!
- (Só me faltava outra bicha) Mas ainda agora saí do motel ... e tu ... tu estavas lá!
- Estava a sair. Mas certa pessoa atrasou-me os planos.
Escusado será dizer que passei o resto do "corte" um bocadinho apreensiva, eu não queria aquele ... aquele ... a mexer-me no cabelo! Podem dizer que é preconceito mas não conheço nenhum cabeleireiro que seja heterosexual!
Acabei por descobrir que ele apenas lava os cabelos e faz as contas. Óptimo! Não suportava outra bicha na minha vida! Não é por mal mas eu sei o que o Carlos me faz passar.
Por falar no meu querido amigo ... quando cheguei ao quarto lá estava ele a relaxar no sofá.
- Querida!! Estás tão chique! Adoro!
- (pronto já vem coisa) Que é que se passa? O que queres? Acabou-se o teu perfume? Queres creme depilatório?
- Não, não nada disso! É que ...
- (reparei que estava bastante nervoso) É que?
- Tenho uma coisa para te dizer ...