
- Está melhor, Anne Marrie?
- Ah...doi-me o corpo todo, até as orelhas me doem!- disse a Anne Marie deitada na sua caminha branca.
- Ai, mon Dieu, mas e a loção que o boticário lhe receitou? Para as feridas!
- Ah...isso é o menos, isso é o menos, minha cara amiga Edith. Tens sido uma querida comigo, uma amiga como ninguém tem! Só tenho de te agradecer...Se não fosses tu eu estava morta! Morta! O Alan não faz nada por mim! Só pensa no espetáculo e...oh...Edith, estás a chorar rapariga?
- Não é nada, Marrie, não é nada. Tento esquecer aquele barco, sabe? Lembra-me o Marcelle.
- Aquele aproveitador!
- Sim, esse mesmo. Ainda lhe sinto o perfume, sabe? Ainda sinto os seus braços a envolver-me, ainda sinto o sabos dos seus beijos, ainda sinto...
- Ai! Que pecado! Cala-te, rapariga!
- Peço desculpa. Quer água?- disse eu, apontando para o jarro na mesa de cabeceira.
- Não, não, obrigadinha. Sabes, ando aqui a pensar...- disse ela- aquela cigana e o marido queriam-me impedir de ir ter com o meu Alan!
- Não...
- Sim! Queriam pois! Aquele monstro, aquele cigano horrivel! Partiu-me os ossos todos! Mas por que é que queria eles me impedir de ir ter com o Alan?
- Mas que ideia, Anne Marrie- dizia eu enquanto lhe punha uns paninhos frescos na cabeça- eles só queriam umas moedas.
- E o homem correu atrás de mim por causa disso?
- Queriam muito umas moedas...
- Oh poupa-me, Edith! Aliás, tu vais tirar isto a limpo!
- Euzinha? Oh...mas hoje há muita confusão, é o espetáculo lá do barco (onde o Marcelle vai actuar, sim, ele deixou a música de lado desta vez e foi para o palco actuar com aquela aproveitadora, aquela oportunista, aquela ronhosa...) e para além disto, ah...está muito vento. Lamento, não posso fazer nada.
- Tu não me digas que estás a pensar ir ao espetáculo?
- Euzinha? Não senhora! E eu sou cá dessas coisas, Anne Marrie? Até parece que não me conhece, por Dieu!
- Então vais lá ter com a cigana e esclareces isto de uma vez por todas.
- Mas...
- Não me sinto capaz de ir, senão ia e levava o rolo da massa para dar umas boas pancadas naquele homem horrivel! Aquele cigano que toca ocarina horrivelmente mal!
- E que quer que faça? Chego lá e digo " Então mas por que razão atacaram a dona Anne Marrie?", assim? Sem mais nem menos?
- Achas? Tens de sondar as coisas, ir com calma, tentar sacar nabos da pucara.- Juro que não percebo nada disto. Nem tão pouco percebo porque quer a Anne Marrie explicações sobre o que aconteceu! Cada vez mais me convenso de que foi um mero acidente, mas enfim...Lá fui eu, como boa amiga que sou. Logo que saí de casa, arrependi-me.
- Edith! Didi! Oh, Edith!- Atrás de mim, ao longe, corria, imaginem, o Marcelle. Fingi que não ouvi, claro, mas ele continuava e, por fim, apanhou-me.
- Conheço-o de algum lado?
- Edith...Vá lá...Nunca mais lá foste ao barco, eu senti a tua falta.
- Juro que não me lembro quem é...-dizia eu, num passo apressado.
- Edith!- Ele agarrou-me (ai Dieu) e fez-me parar- Vais dizer que me esqueces-te?
- Quem?
- Edith!- dizia ele, abanando-me (Dieu).
- Se não me largar agora mesmo, eu grito até me faltar a voz!
- Está bem- disse ele, largando-me- mas deixa-me explicar. Naquele dia foste-te embora, não tive qualquer chance de te explicar nada!
- Não há nada para...
- Eu sou casado, sim, mas nem eu nem a minha mulher nos damos. Ela tem outro homem e eu tenho...bom...
- Muitas mulheres!
- Sim, sim, sim tive muitas, e depois? Agora quero ter só uma! Tu, Edith...
- Como se eu acreditasse!
- Eu juro!
- Hum!- olhava-o de lado. Estaria a dizer a verdade?
- Vem ver o espetáculo hoje à noite. Tenho uma surpresa para ti. Ah! E aqui está um bilhete, não precisas pagar, toma...- continuava a olha-lo de lado, desconfiada, mas aqueles olhinhos tão lindos...ai, dieu, dieu!! E não está com a mulher? Que desfrutáveis! Mas...
- Está bem, eu aceito, eu vou...
- Optimo!
- Mas não é por ti! Que fique isto aqui bem claro, hã? É pelo o Alan, meu amigo de sempre.- Ele aceitou esta "desculpa" e saiu a correr para o barco, lançando-me um beijo no ar, o qual apanhei com todo o carinho. Não tenho emenda...Fui a sonhar todo o caminho até à casa dos ciganos. Quando lá cheguei e uma cigana mais velha me perguntou o que queria,nem sube o que responder.
- Queria falar com um homem, com uma ocarina, com...uma mulher que dançava...- Estava apatica, euzinha, e a cigana olhava-me estupidamente.
- Quer falar com o Rodriguez??- perguntou-me ela.
- Não, não eu...- Eu, Edith, estava enfaitiçada pelo Marcelle, por aquele beijo lançado no ar...Parecia que nunca tinha visto um homem na vida! Bom, na verdade...
- GUADALUPE! RAPIDO ENTRA PARA DENTRO DA TENDA!- A cigana mais nova veio ter connosco sobressaltada- E VOCÊ?...Oh! É aquela tontinha da praia...VENHA CONNOSCO! AINDA BEM QUE AQUI ESTÁ!- Optimo! Não me lembrava por que razão estava ali, naquele acampamento, mas a cigana sabia! É a vantagem de ser vidente, que sorte. Entrámos para dentro da tenda e a cigana nova fez-me sentar numa cadeira.
- Guadalupe! Tive uma premonição!- Fantástico, queria tanto ser vidente...- A Jaqueline vem aí! Ela sabe que tu és...
- CALA-TE, FILHA!- disse a cigana velha- Temos, hum...convidada!
- TU! TU TONTINHA DA PRAIA, VAIS NOS AJUDAR!- disse a cigana nova. Assustei-me, afinal ela era uma bruxa- É o seguinte...- E começou-me a explicar o que tinha de fazer. Nem se perguntou se eu realmente a queria ajudar, mas, enfim, quando percebi que era contra aquela horrivel, a Jaqueline, aquela que se atira ao meu Marcelle com unhas e dentes (pensa que eu não sei??) e o come com os olhos, eu aceitei logo! E a tarefa não era nada dificil.
- Percebeu tudo?- disse a cigana velha- Só tem de trocar de roupa comigo.
- Percebi tudo, sim senhora, vamos lá a isso!- A rapariga começou por tirar os lenços da cabeça e depois, depois...a maquilhagem toda e...
- Odette!
- Por favor, Edith, não digas nada a ninguém! Não fugi, eu quero ter o Alan, ele ama-me, ele não gosta daquela Jaqueline! Tenho de o ter...
- Como te percebo...Estamos a lutar as duas contra o mesmo, por isso vou te ajudar. Abaixo aquela lambisgoia!- E trocámos de roupa. Modestia a parte, fiquei uma cigana toda engraçada, apesar de velha. E fazer de vidente agradava-me, sempre gostei destas coisas. Depois de combinar tudo bem combinado, foi só esperar pela hora em que a Jaqueline, de acordo com a Morgana (ela é mesmo boa a prever coisas) iria entrar na tenda de rompante e...
- QUERO SABER ONDE ANDA AQUELA SONSA E FALSA DA ODETTE!- ...iria exigir que lhe dissessemos onde andava a Odette.
- És tu!!!- disse ela, avançando para mim- Andas a enganar-me com os teus chás, por isso é que o Alan anda agora tão distante! Enfeitiças-te-o contra mim e a teu favor! QUE ÓDIO!- Ela correu para mim e tirou-me os lenços com toda a força!
- Mas...Edith??
- Olá!
- A Odette?
- Nunca mais a vi desde que saiu do barco, toda chateada, naquela tarde...Estás tão exaltada, relaxa. Que insenso queres? Rosas? Talvez canela...
- Não!!
- Hum...-disse eu, espalhando as cartas de tarôt na pequena mesa redonda da sala- A tua carta hoje é o dependurado, um dia nada ospicioso, mas enfim, tens a estrela como conselho, pode sempre melhorar! Não é engraço esta coisa das cartas? Dizem-nos tantas coisas...
- Como é que tu estas aqui? Foi contigo que eu falei? Na praia, eras tu?
- Euzinha! Anda a aprender umas coisas com a Morgana, uma joia de mulher, e tem tanta paciência...Mas diz-me, o chá para o Alan, não deu certo? E porque é que estás a usar essas roupas tão largas e um lenço na cabeça? Nunca te vi assim.- Choquei quando ela tirou o lenço e tinha o cabelo verde, a cara todo borbulhenta e estava mais inchada que uma porca gorda. Deixei escapar o riso.
- Não tem piada! Que raio de poção da não sei quantas Afrodite me deste? Olha para mim!! E hoje, a estreia, como vai ser??? Eu não posso ir assim!
- Pois...deivia estar estragada.
- Não levas mais um tostão meu, digo-te já! E agora??? Estava tão linda...
- Agora tens de tomar...ora deixa cá ver...- Fui remexer num baú velho, como as ciganas, bom, a cigana e a Odette, me tinham dito para fazer, e tirei de lá um frasquinho purpura e dei àquela petulante- Isto aqui vai te ajudar a desinchar e a voltar ao normal.
- Espero que tenha um efeito rapido!
- Umas...- elas não me tinham dito nada acerca do tempo de reacção...- 3 horas.
- Ah, va lá, pelo menos isso...Vou-me embora, NÃO PAGO NADA, ODEIO ISTO TUDO, ODEIO-TE A TI E VÊ LÁ SE FAZES MAIS PELO ALAN!! Ele tem de cair aos meus pés o quanto antes...OUVIS-TE? Que raiva, ciganos de uma figa...- e saiu, toda desengonçada, gorda que nem um texugo, da tenda. Mal ela saiu as outras duas entraram todas alegres.
- Bravo, Edith! Muito bem!
- Tens jeito para a coisa, já pensas-te em ser actriz?- dizia a cigana.
- Falas lá com o teu Marcelle, que fala com a Charlotte e tu, pronto, entras no próximo espetáculo...
- Não façam filmes...- disse eu- Quem vai entrar num espetáculo é a Odette!
- O quê?- disse ela.
- Então? Isto tudo não foi também para participares no espetáculo de hoje? Afinal aquele frasquinho purpura vai fazer com que a Jaqueline rebente pelas costuras, é assim ou não é?- Elas ficaram a olhar para mim e a cigana correu para mesa, onde eu tinha deitado as cartas. Deitou-as novamente, e muito rapidamente.
- Tens tudo a teu favor, Odette- disse ela.
- E hoje, ainda por cima, está vento!- Disse eu. A cigana ficou a olhar para mim espantada.
- Muito bem, Edith, gosto de si, o vento é um óptimo elemento, leva as coisas ao seu caminho, muito bem...Quanto a ti, Odette, só não participas naquele espetáculo se não quiseres...
- Ah...doi-me o corpo todo, até as orelhas me doem!- disse a Anne Marie deitada na sua caminha branca.
- Ai, mon Dieu, mas e a loção que o boticário lhe receitou? Para as feridas!
- Ah...isso é o menos, isso é o menos, minha cara amiga Edith. Tens sido uma querida comigo, uma amiga como ninguém tem! Só tenho de te agradecer...Se não fosses tu eu estava morta! Morta! O Alan não faz nada por mim! Só pensa no espetáculo e...oh...Edith, estás a chorar rapariga?
- Não é nada, Marrie, não é nada. Tento esquecer aquele barco, sabe? Lembra-me o Marcelle.
- Aquele aproveitador!
- Sim, esse mesmo. Ainda lhe sinto o perfume, sabe? Ainda sinto os seus braços a envolver-me, ainda sinto o sabos dos seus beijos, ainda sinto...
- Ai! Que pecado! Cala-te, rapariga!
- Peço desculpa. Quer água?- disse eu, apontando para o jarro na mesa de cabeceira.
- Não, não, obrigadinha. Sabes, ando aqui a pensar...- disse ela- aquela cigana e o marido queriam-me impedir de ir ter com o meu Alan!
- Não...
- Sim! Queriam pois! Aquele monstro, aquele cigano horrivel! Partiu-me os ossos todos! Mas por que é que queria eles me impedir de ir ter com o Alan?
- Mas que ideia, Anne Marrie- dizia eu enquanto lhe punha uns paninhos frescos na cabeça- eles só queriam umas moedas.
- E o homem correu atrás de mim por causa disso?
- Queriam muito umas moedas...
- Oh poupa-me, Edith! Aliás, tu vais tirar isto a limpo!
- Euzinha? Oh...mas hoje há muita confusão, é o espetáculo lá do barco (onde o Marcelle vai actuar, sim, ele deixou a música de lado desta vez e foi para o palco actuar com aquela aproveitadora, aquela oportunista, aquela ronhosa...) e para além disto, ah...está muito vento. Lamento, não posso fazer nada.
- Tu não me digas que estás a pensar ir ao espetáculo?
- Euzinha? Não senhora! E eu sou cá dessas coisas, Anne Marrie? Até parece que não me conhece, por Dieu!
- Então vais lá ter com a cigana e esclareces isto de uma vez por todas.
- Mas...
- Não me sinto capaz de ir, senão ia e levava o rolo da massa para dar umas boas pancadas naquele homem horrivel! Aquele cigano que toca ocarina horrivelmente mal!
- E que quer que faça? Chego lá e digo " Então mas por que razão atacaram a dona Anne Marrie?", assim? Sem mais nem menos?
- Achas? Tens de sondar as coisas, ir com calma, tentar sacar nabos da pucara.- Juro que não percebo nada disto. Nem tão pouco percebo porque quer a Anne Marrie explicações sobre o que aconteceu! Cada vez mais me convenso de que foi um mero acidente, mas enfim...Lá fui eu, como boa amiga que sou. Logo que saí de casa, arrependi-me.
- Edith! Didi! Oh, Edith!- Atrás de mim, ao longe, corria, imaginem, o Marcelle. Fingi que não ouvi, claro, mas ele continuava e, por fim, apanhou-me.
- Conheço-o de algum lado?
- Edith...Vá lá...Nunca mais lá foste ao barco, eu senti a tua falta.
- Juro que não me lembro quem é...-dizia eu, num passo apressado.
- Edith!- Ele agarrou-me (ai Dieu) e fez-me parar- Vais dizer que me esqueces-te?
- Quem?
- Edith!- dizia ele, abanando-me (Dieu).
- Se não me largar agora mesmo, eu grito até me faltar a voz!
- Está bem- disse ele, largando-me- mas deixa-me explicar. Naquele dia foste-te embora, não tive qualquer chance de te explicar nada!
- Não há nada para...
- Eu sou casado, sim, mas nem eu nem a minha mulher nos damos. Ela tem outro homem e eu tenho...bom...
- Muitas mulheres!
- Sim, sim, sim tive muitas, e depois? Agora quero ter só uma! Tu, Edith...
- Como se eu acreditasse!
- Eu juro!
- Hum!- olhava-o de lado. Estaria a dizer a verdade?
- Vem ver o espetáculo hoje à noite. Tenho uma surpresa para ti. Ah! E aqui está um bilhete, não precisas pagar, toma...- continuava a olha-lo de lado, desconfiada, mas aqueles olhinhos tão lindos...ai, dieu, dieu!! E não está com a mulher? Que desfrutáveis! Mas...
- Está bem, eu aceito, eu vou...
- Optimo!
- Mas não é por ti! Que fique isto aqui bem claro, hã? É pelo o Alan, meu amigo de sempre.- Ele aceitou esta "desculpa" e saiu a correr para o barco, lançando-me um beijo no ar, o qual apanhei com todo o carinho. Não tenho emenda...Fui a sonhar todo o caminho até à casa dos ciganos. Quando lá cheguei e uma cigana mais velha me perguntou o que queria,nem sube o que responder.
- Queria falar com um homem, com uma ocarina, com...uma mulher que dançava...- Estava apatica, euzinha, e a cigana olhava-me estupidamente.
- Quer falar com o Rodriguez??- perguntou-me ela.
- Não, não eu...- Eu, Edith, estava enfaitiçada pelo Marcelle, por aquele beijo lançado no ar...Parecia que nunca tinha visto um homem na vida! Bom, na verdade...
- GUADALUPE! RAPIDO ENTRA PARA DENTRO DA TENDA!- A cigana mais nova veio ter connosco sobressaltada- E VOCÊ?...Oh! É aquela tontinha da praia...VENHA CONNOSCO! AINDA BEM QUE AQUI ESTÁ!- Optimo! Não me lembrava por que razão estava ali, naquele acampamento, mas a cigana sabia! É a vantagem de ser vidente, que sorte. Entrámos para dentro da tenda e a cigana nova fez-me sentar numa cadeira.
- Guadalupe! Tive uma premonição!- Fantástico, queria tanto ser vidente...- A Jaqueline vem aí! Ela sabe que tu és...
- CALA-TE, FILHA!- disse a cigana velha- Temos, hum...convidada!
- TU! TU TONTINHA DA PRAIA, VAIS NOS AJUDAR!- disse a cigana nova. Assustei-me, afinal ela era uma bruxa- É o seguinte...- E começou-me a explicar o que tinha de fazer. Nem se perguntou se eu realmente a queria ajudar, mas, enfim, quando percebi que era contra aquela horrivel, a Jaqueline, aquela que se atira ao meu Marcelle com unhas e dentes (pensa que eu não sei??) e o come com os olhos, eu aceitei logo! E a tarefa não era nada dificil.
- Percebeu tudo?- disse a cigana velha- Só tem de trocar de roupa comigo.
- Percebi tudo, sim senhora, vamos lá a isso!- A rapariga começou por tirar os lenços da cabeça e depois, depois...a maquilhagem toda e...
- Odette!
- Por favor, Edith, não digas nada a ninguém! Não fugi, eu quero ter o Alan, ele ama-me, ele não gosta daquela Jaqueline! Tenho de o ter...
- Como te percebo...Estamos a lutar as duas contra o mesmo, por isso vou te ajudar. Abaixo aquela lambisgoia!- E trocámos de roupa. Modestia a parte, fiquei uma cigana toda engraçada, apesar de velha. E fazer de vidente agradava-me, sempre gostei destas coisas. Depois de combinar tudo bem combinado, foi só esperar pela hora em que a Jaqueline, de acordo com a Morgana (ela é mesmo boa a prever coisas) iria entrar na tenda de rompante e...
- QUERO SABER ONDE ANDA AQUELA SONSA E FALSA DA ODETTE!- ...iria exigir que lhe dissessemos onde andava a Odette.
- És tu!!!- disse ela, avançando para mim- Andas a enganar-me com os teus chás, por isso é que o Alan anda agora tão distante! Enfeitiças-te-o contra mim e a teu favor! QUE ÓDIO!- Ela correu para mim e tirou-me os lenços com toda a força!
- Mas...Edith??
- Olá!
- A Odette?
- Nunca mais a vi desde que saiu do barco, toda chateada, naquela tarde...Estás tão exaltada, relaxa. Que insenso queres? Rosas? Talvez canela...
- Não!!
- Hum...-disse eu, espalhando as cartas de tarôt na pequena mesa redonda da sala- A tua carta hoje é o dependurado, um dia nada ospicioso, mas enfim, tens a estrela como conselho, pode sempre melhorar! Não é engraço esta coisa das cartas? Dizem-nos tantas coisas...
- Como é que tu estas aqui? Foi contigo que eu falei? Na praia, eras tu?
- Euzinha! Anda a aprender umas coisas com a Morgana, uma joia de mulher, e tem tanta paciência...Mas diz-me, o chá para o Alan, não deu certo? E porque é que estás a usar essas roupas tão largas e um lenço na cabeça? Nunca te vi assim.- Choquei quando ela tirou o lenço e tinha o cabelo verde, a cara todo borbulhenta e estava mais inchada que uma porca gorda. Deixei escapar o riso.
- Não tem piada! Que raio de poção da não sei quantas Afrodite me deste? Olha para mim!! E hoje, a estreia, como vai ser??? Eu não posso ir assim!
- Pois...deivia estar estragada.
- Não levas mais um tostão meu, digo-te já! E agora??? Estava tão linda...
- Agora tens de tomar...ora deixa cá ver...- Fui remexer num baú velho, como as ciganas, bom, a cigana e a Odette, me tinham dito para fazer, e tirei de lá um frasquinho purpura e dei àquela petulante- Isto aqui vai te ajudar a desinchar e a voltar ao normal.
- Espero que tenha um efeito rapido!
- Umas...- elas não me tinham dito nada acerca do tempo de reacção...- 3 horas.
- Ah, va lá, pelo menos isso...Vou-me embora, NÃO PAGO NADA, ODEIO ISTO TUDO, ODEIO-TE A TI E VÊ LÁ SE FAZES MAIS PELO ALAN!! Ele tem de cair aos meus pés o quanto antes...OUVIS-TE? Que raiva, ciganos de uma figa...- e saiu, toda desengonçada, gorda que nem um texugo, da tenda. Mal ela saiu as outras duas entraram todas alegres.
- Bravo, Edith! Muito bem!
- Tens jeito para a coisa, já pensas-te em ser actriz?- dizia a cigana.
- Falas lá com o teu Marcelle, que fala com a Charlotte e tu, pronto, entras no próximo espetáculo...
- Não façam filmes...- disse eu- Quem vai entrar num espetáculo é a Odette!
- O quê?- disse ela.
- Então? Isto tudo não foi também para participares no espetáculo de hoje? Afinal aquele frasquinho purpura vai fazer com que a Jaqueline rebente pelas costuras, é assim ou não é?- Elas ficaram a olhar para mim e a cigana correu para mesa, onde eu tinha deitado as cartas. Deitou-as novamente, e muito rapidamente.
- Tens tudo a teu favor, Odette- disse ela.
- E hoje, ainda por cima, está vento!- Disse eu. A cigana ficou a olhar para mim espantada.
- Muito bem, Edith, gosto de si, o vento é um óptimo elemento, leva as coisas ao seu caminho, muito bem...Quanto a ti, Odette, só não participas naquele espetáculo se não quiseres...








