terça-feira, 22 de julho de 2008

Encerrado para o descanso do pessoal

Olá a todos os leitores!

Os pássaros cantam, o céu está azul, está um calor dos diabos, vamos para a praia! Pois é, lamentamos mas o cabeçadas estará encerrado no mês de Agosto por motivos de força maior: Férias. Prometemos coisas belas (como possíveis mini-filmes) e iniciar uma história ou algo parecido quando voltarmos das nossas férias nas Maldivas, no Egipto, em Cuba, na República
Dominicana, ainda vamos dar uma perninha em Nova Iorque, Argentina e Peru, passando, coisa pouca em termos de distância, em Camberra, Sidney, Japão, Tailândia, Tunísia, Índia e Marrocos, e porque não dar um beijinho as queridos e amistosos pinguins do Polo Sul? Havemos de lá ir também! Ora, tudo isto para dizer que não vamos postar no mês de Agosto (ohhhhhh), salvo se houver alguma carência ou qualquer coisa do género. No entanto, caros piquenos, não vai ser por isso que vão deixar de ler e reler o cabeçadas! É uma boa leitura de férias...Levem os portateizinhos para a praia e leiam a nossa histórinha na areia! Divertem-se e apanham bronze!

Muitas cabeçadas folgadas no céu e umas boas férias,

Marijoana

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Finalizando no altar

A minha vida naquela terra foi extremamente feliz. Apesar de ter crescido sem mãe o meu pai foi mãe e pai ao mesmo tempo. Fiz de tudo na minha infância: Cacei gafanhotos, depenei patos vivos, comi larvas, concorri a concursos de escarretas, atiradores de ovos podres, comedores de libelinhas em voo...Corri nu à beira rio com os miúdos, assustei miúdas com isto e no meio de tudo isto ainda ajudava o meu pai no café que agora é a grande "Biliobicateca". Depois recebi, enfim, a minha mãe, a senhora Marcolina, pessoa que sempre gostei com um gostar infinitamente persistente e incansável sem saber porquê. E lá estava: Era minha mãe. Hoje consigo compreender tudo por que passou, ela e o meu pai, claro...Hoje sou um advogado de sucesso! Formei-me em Favos, a cidade grande, numa das melhores faculdades de Direito do país: Faculdade das pessoas que querem seguir Direito e outras coisas de Favos. Pois é, estas outras coisas é o que faço. Não sou propriamente advogado, apesar de ter defendido, por suborno da Eunice, o Xavier, o antigo inspector Manteigas, na justiça. Não ganhei a causa, mas também...pff, com tanta porcaria que o homem tinha feito nem que Deus o tivesse defendido! Hoje sou um homem realizado e ainda mais vou ficar! Hoje é o dia do meu casamento!
- Filho...nunca mais te despachas! Que andas a fazer?
- Mãe...Está tão...tão linda! Onde arranjou esse vestido lilás, verde, amarelo e...
- Cinza!
- Cinza? É lindo...- A minha mãe estava super atarefada com o meu casamento e estava incrivelmente feia. Acabei de me arrumar, pus um perfume bem cheiroso e desci as escadas da minha casa. Olhei-me ao espelho, no espelho que fica no fim da escadaria. Estava como nunca me tinha olhado naquele espelho: Não havia resíduos de gordura nem nódoas de tomate na minha camisola! A minha boca não cheirava como se tivesse comido um prato de caracoletas! O meu nariz estava limpo! Tinha crescido...Já não era o miúdo gordo e balofo do Bica, era agora o filho respeitador do Bica era o...Presidente da Vila Sem Nome! Concorri, fui eleito e agora cá estou eu!
- Ahhh estás um xuxuzinho, meu filho...(snif, snif)
- Não mãe, não me mexa na gravata...Não! Não me toque no cabelo! Mãe...Mãe! Não chore...Mãe, vá lá...Não, não está borrada! Venha cá mãe! Não se feche na casa de banho que eu...
- Deixa lá Crispim...- Jerónimo da Bica, meu pai- as mulheres são assim...Choram por tudo!
- Oh pai...pai! Está a comer os croquetes para levar para a assossiação recreativa?
- Estes são para o copo de água?
- Claro pai!
- Epá...- O meu pai nunca ia mudar. Estava muito bem arranjado naquele dia. Já não tinha mesmo quase cabelo nenhum, afinal já se tinham passado 10 anos... Os sinos tocaram naquele momento! Oh! Ia-me casar! Ia-me casar com a mulher dos meus sonhos!!
- Rápido! Vamos! Mãe saia da casa de banho! Tenho de ir ver como estou, tenho de fazer xixi! Tenho de...Mãe! Vamos chegar atrasados à igreja!
- Crispim! A Igreja é a dois passos daqui! Não te vais casar a Torres, filho!
- Mas pai...A noiva é que chega atrasada! Eu tenho de lá estar já! Agora!
- Pronto!- disse a minha mãe ao sair da casa de banho- Estou pronta!- Quando eu e o meu pai olhámos para ela...A sensação foi...Bom, a minha mãe fica horrível de batom vermelho mas eu não tive coragem de lhe dizer isso.
- Lininha...Estás linda!- O meu pai beijou a minha mãe e ela ficou ainda pior: Borrada.
- Borrastes-me Jojó!
- Não mãe! Assim ainda está mais bonita! Está exótica!- Ela caiu nesta e fomos para a igreja, finalmente! Quando cheguei lá as minhas pernas tremeram...As pessoas já estavam lá sentadas. A primeira pessoa a cumprimentar-me foi o Maurício, o meu padrinho de casamento. O tempo também passou por ele e, agora, com uma barba e cabelo já a branquear estava no altar com a Marta que com o passar dos anos ainda ficou mais bonita.
- Então, miúdo? Nervoso?
- Um boooom bocado...
- Ahh...isso passa! Quando vires a tua noiva vais ver!
- Se fores aqui como o teu padrinho- disse a Marta- desatas num berreiro que so visto...Quase que chamou pela mamã!- E rimos daquilo. O Xavier já era um homem feito! E diziam que namoriscava com a nova manicure da vila: A Ana Simone. Junto dele estavam os seus 4 irmãozinhos e dentro da barriga da mãe vinha a caminho aquela que daquela vez seria rapariga, mas que nunca era...Na primeira fila estava o senhor Costeleta e a sua mais recente...namorada! Desde que fez de cherife no filme que passou apenas e só no cine-teatro de Torres as miúdas não o largam! miúdas novas que andam atrás dele, mesmo sendo ele zarolho...Ah...escapou-vos esta? O senhor Costeleta perdeu um olho numa das cenas do filme da Eunice. Levou com um tiro de uma pistola de fulminantes. Mas ainda bem! É isso que lhe dá todo o charme! Aquela pala preta no olho direito derrete os corações das moças. A que estava com ele devia ter uns 18 anos e acariciava-lhe o cabelo que quase não o era.
- Olá senhor Costeleta!
- Ohh...meu rapaz! Parabéns pelo casório! A noiva?
- Ainda não chegou...
- Ui! Então senta-te!- Estava demasiado nervoso para me sentar. O suor escorria na minha testa e as minhas pernas tremiam como varas verdes! A igreja começava a encher. Chegaram a dona Matilde e o Ostentação, de braço dado. Os mais bem vestidos. O colar do Quimbé valeu-lhe uma fortuna e o Ostentação não era de todo um aproveitador...Ele já gostava dela, só se juntou o útil ao agradável. O Ostentação levava uma bengala com uma pega de ouro e a dona Matilde um vestido que deviam ter custado os olhos da cara!
- O meu futuro neto...Cuida bem da minha neta, ouviste(s)?
- Claro que sim dona Matilde...Eu amo a sua neta.
- E tu vê lá! Atiço a Patrícia contra ti e vais a correr daqui a té torres!- E nisto sai de trás do Ostentação, que agora realmente tinha ostentação, a cadela Patrícia, velha e gorda como tudo, com uma coleira de ouro e brilhantes. Acho piado aos velhos...Já tinha passado quase meia hora! Meia hora! E eu estava ali...
- Passou só cinco minutos, tem calma, filho...- disse o meu pai.
- Cinco? Parece que estou aqui à meses!
- Caaaalma...- dizia a minha mãe. Naquele momento a policia entrou dentro da igreja. Fiquei assustado e corri para perto de um agente.
- Passa-se alguma coisa? A minha noiva?- perguntei.
- Não, viemos só acompanhar aqui o pai da moça...- Estava explicado. O inspector Manteigas, ou investigador Xavier ou sei lá, ia ao casamento da filha. Estava preso, é certo, mas mesmo assim foi assistir à cerimónia.
- Fazes uma coisa do tamanho de um tremoço à minha Manteiguinhas e levas um excerto de pancada que...
- Vamos lá a ter calminha e respeitar aqui os agentes de autoridade meu mariconso!- disse um dos agentes. O meu futuro sogro, agora só neste mundo, já que o seu irmão, o padre Paixão, ou Hernandez se foi, calou-se e começou a olhar em volta. Sentia-se triste, eu sei que sim...A "sua" Martinha, era agora dona de um dos mais frequentados salões de beleza (e conselhos sentimentais) do concelho de Torres! A Giselle, agora era a senhora Giselle, minha futura sogra, era uma espécie de psicóloga no salão da Marta ("sentimentalhair") e ajudava o Manel no "café do Coices" e no mini-mercado que havia atrás deste. Mais atrás estava a famosa Eunice, grande realizadora que se preparava para abrir uma agência de produção com Jacinto Quimbé, produtor cinematográfico cujo currículo já havia passado pelas mãos de muitos que, infelizmente, não aceitaram. A igreja estava cheia! Até o preso já tinha chegado! Faltava a noiva e...Oh! A mãe da noiva!
- Dona Giselle! Onde anda a Ana?
- Ela está lá fora, vai entrar agora.- A dona Giselle estava também muito bonita. O café estava dar lucro e sempre dava para gastar uns tostões com uma ou outra roupita mais rica.
- Mas...o pai dela está aqui...Não é ele que vai de braço dado com ela?
- Não- disse a dona Giselle- ajeitando o vestido rapidamente à sua barriguinha de 3 meses. Desta vez vinha lá um Manelinho...- Ela preferiu que fosse o Manel...Ele é o verdadeiro pai delas.
- Hum...err...estou bem? Acha que estou bem dona Giselle?- E de repente..."TAN TAN TAN TAN", soava a marcha nupcial...Eu era uma cascata de água! O padre subiu ao altar. Era novo e bem parecido...ai...a minha sogra está novamente a fazer olhinhos a um novo padre...Mas que importa! A noiva vai entrar na igreja...Tem o véu a tapar-lhe a cara! Bolas! Esta moda de hoje em dia! Mas estava linda...E a igreja também! A minha mãe sempre foi má de vestir, mas para decorar...Aquelas rosas pêssego condiziam perfeitamente com a beleza da minha doce Ana Manteigas. Iam a desfilar na passadeira, enquanto as outras damas-de-honor, as outras duas Anas, agarravam a cauda do vestido, e todos ficaram espantados! Não sei se pela beleza da minha noiva se pelo facto do Manel...Oh meu S. Palito! O Manel tinha tomado banho! Afinal ele não era tão moreno! Ele estava sujo! Ao passar debruçava-se para as pessoas de modo a elas sentirem o seu perfume. Levantava o pescoço e inspirava fortemente. Estava feliz, o Coices. Ele e a Giselle seriam os padrinhos da minha amada. No altar estava também Simão, o burro, com florinhas nas orelhas. Foi ele que sustentou o ramo de flores da noiva durante a cerimónia. A noiva foi-me entregue. Preparava-me para levantar o véu...Todo o movimento de levantar o véu, desde o seu colo até ao topo da sua cabeça foi como uma linha do tempo. Passou-me pela cabeça tudo e mais alguma coisa. E quando olhei para ela, depois de o véu devidamente puxado para trás, aí sim, percebi que se tudo aquilo não tivesse acontecido eu não a teria...Ela sorriu. Todos estavam a sorrir. Comecei a chorar. Não chamei a minha mãe, como a Marta me tinha dito que o Maurício fez, porque ela ainda estava pior. Olhei para um dos claustros da igreja e vi...vi alguém que não era alguém. Aliás eram dois alguém! E será que eram alguém? Era...A senhora Prudência e aquele a que chamavam Quimbé!! Eram fantasmas, mas eu não tive medo algum!Estavam os dois a rirem-se e a...apalparem-se? Bom...Estavam felizes, como eu! Estava na altura, era agora...E, finalmente, quando disse o sim pensei,antes de estalar aplausos: "Valeu mesmo a pena".
- BAMOS COMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER!!!- O meu sogro não muda...Nunca mudará!A boda foi muito divertida e animada. O bolo, vindo de Torres, encomendado pelo Manel, meu sogro, dizia: Felixidades aos Noibos"...Não nos importámos com os erros, aliás não houve tempo para isso! Mal pus o pedaço do bolo, como em todos os casamentos fazem, na boca da minha noiva, os convidados saltaram em cima do bolo como se não comessem à três semanas! Nem um bocado provei...Mas não há qualquer problema, não é isso que importa... Lua de Mel aqui vamos nós! Ah! E querem saber quem apanhou o ramo de flores, atirado mesmo antes de irmos para a nossa lua de mel em Boa Praia? Adivinhem.

terça-feira, 15 de julho de 2008

O Xerife salva o dia

-Mãejinha? - pergunta o malcheiroso.
- Sim sou eu querido Manel.
- Tu ... és o indibiduo que ficou de trazer o colar de diamantes e a torradeira para a Giselle e para a Dona Matilde, que representam a herança do seu pai e esposo respectibamente, para que possam biber felizes e confortábeis na sua grande riqueza para o resto das suas bidas?
- Aceito! Quer dizer ... claro que não Manel! Olha que disparate!
- Então o que é que faz montada num cavalo, vestida com uma capa e com essa caixa na mão, senhora minha sogra? - pergunta a Giselle.
- Oh filhinha é simples. A capa estava em saldos, a caixinha tem caramelos que comprei na fronteira e o cavalo era de um homem que encontrei à beira da estrada. Como o autocarro teve uma avaria tive de arranjar outro meio de transporte. O homenzinho foi fazer o seu chichi e a mãezinha aproveitou.
- Esse homem ... t-tinha uma caixa na mão?? - pergunta a Dona Matilde prontamente.
- Acho que sim e parecia estar com pressa, mas não se conseguiu conter. E faz ele bem, dizem que conter a urina é do pior que se pode fazer, faz muito mal à bexiga e ... onde vão todos? Esperem por mim ...
Aqueles sacanas fugiram e deixaram-me aqui neste fim do mundo. Acordei e estava a casa vazia, nem raptores, nem raptados nem Eunice. Estou de bolsos vazios por isso lá vou ter de ir a pé até à Vila. Quando voltar ao meu cargo de Presidente vou contratar um motorista, não tenho idade para estas aventuras. Decidi seguir o rasto da carroça. Nem acredito que concordei financiar este maldito filme. Devia era ter comprado uma carroça para mim.
Já cheira a tremoços o que significa que devo estar a chegar a Vila Sem Nome, a vila que me viu crescer. Nem custou assim tanto. Pelo caminho vim cantarolando as canções que cantava na minha juventude quando ía acampar para Raminhos-de-Salsa.

Lá vai o Sol nascer
Mais uma manhã a acordar
Vou ver a minha dama linda
Com a qual eu vou casar

Ai dama liiinda
Ai dama boaaaa
És a mais liinda, dama linda
És a mais boaaa

Olha a seara dama linda
Olha ela a dançar
Dança ao vento dama linda
Para as cuecas eu puder espreitar

Ai dama liinda
Ai dama Boaaa
És a mais liinda, dama linda
Boa, boa, boa

Estava eu a cantarolar quando me deparei com um homem à beira da estrada. Estava encostado a uma oliveira num pranto. Chorava, chorava, chorava.
- Então homem, alguma desgraça?
- Então não? Fiquei encarregado de entregar uma encomenda importantissima numa vila qualquer "Vila Sem Nome" ou lá o que é, mas roubaram-me o cavalo! E agora que vou fazer!!!
- Não se aflija você está perante o Presidente de Vila Sem Nome, o homem que comanda os destinos da vila, o homem que ...
- Mas porque é que você está assim vestido?
- Assim como?
- Nesse fato de xerife.
- Você não sabe? Vila Sem Nome é agora uma das capitais do cinema mundiais. Estou neste momento a participar num western.
- Cinema! Adoro cinema! O meu sonho sempre foi ser actor. Daqueles famosos que falam uma língua esquesita e namoram com aquelas senhoras com cabelos cor de ouro.
- Então aqui tem a sua oportunidade. Junte-se a nós! Qual é o seu nome meu rapaz?
- Jacinto Quimbé.
E esta hen! Parece que o velho Quimbé teve um filho de outra mulher e encarregou-o de entregar a herança às suas meninas. Parece-me que o rapaz nem sabe o que está dentro da caixa. O caminho agora é mais dificil, concordei em ajudá-lo com a carga. O sacana trás sacos e sacos de roupa, comida, bujigangas. Parece que ganha a vida como comerciante.
- Bom aqui estamos!
- Isto é que é Vila Sem Nome? Pensei que fosse melhor. O pai descrevi-a sempre tão viva, cheia de cor e de belos ...
- Ali está a mãe do Coices! Minha querida pode dizer-me onde está a equipa de filmagens?
- Foram todos à procura dele. - disse a mãe do Coices apontando para o Jacinto.
- E isso foi à quanto tempo dona senhora mãe do Coices?
- Uns 20 minutos. E cá estão eles!
- O quê onde? O que é isto??
- O me dás essa caixinha que aí tens, ou o velhote vai à vida! - ameaçou o sacana do padre, cowboy, Hernandez, Paixão.
- Mas chuchuzinho, essa ainda é a pistola de brincar, não tem balas verdadeiras mas se encheres com àgua, esguicha ...
- SAPINHA és sempre tão ... tão ...
- Veja lá como fala com a Eunice!!
- Não se meta senhor Vitela!
- É Presidente Costeleta e desculpe mas tenho de me meter pois estou com uma bisnaga apontada aos miolos!! Espera lá ... bisnaga não mata.
- Não que não mata! - o pobre Manel e os seus receios aquático-higiénicos.
- A caixa vai para quem lhe pertence ... onde está a Dona Matilde e a sua filha Giselle Quimbé?
- Somos nós! - dizem em coro.
- Esta caixa pertecence-vos. O meu pai incumbiu-me esta missão e eu cumpri-a! Agora já posso seguir a minha carreira de actor não é senhor Costeleta?
- Qual é o teu nome filho? - pergunta a Dona Matilde.
- Jacinto Quimbé. Sou o menino que o senhor Quimbé adoptou em Cova-da- Chinela. Ele sempre me ajudou a mim e à minha mãe mandando dinheiro muitos anos antes de vos ter a vocês. Era um bom homem, disse que nos ía ajudar no que pudesse depois do que fizémos por ele.
- E o que fizeram por o meu Quimbé?
- A minha mãe era calista e ajudou-o com um calo que tinha no pé esquerdo. Ficou eternamente grato e até se ofereceu para me dar o seu nome, já que o meu pai saiu para comprar fósforos e nunca mais voltou. Abram a caixa para ver o que tem dentro!
E ao abrir a caixa, como era de esperar, encontraram um lindo colar de diamantes e uma torradeira. As duas abraçaram-se emocionadas e o Jacinto depressa se juntou a elas. Todos observavam aquela cena tão sentimental com uma lágrima ao canto do olho. A prostituta e o rapaz das águas abraçaram-se e ao seu pequeno, o Manel aconchegou as suas meninas enquanto evitava o Manteigas, o taberneiro e a Marcolina mimaram o seu Crispim e eu o Xerife fiz uma pose triunfal, como o grande herói do filme e pisquei o olho para a câmara que logo mudou de plano com a Eunice a dizer umas quantas obcesnidades. E o cowboy, padre, Hernandez, Paixão perguntam vocês ... bem ele ...
- Ai que lindo! A família finalmente reunida. Acho que vou chorar ... cambada de anormais!
- Oh Hernandez cala-te! Não vês que não vale a pena lutar contra o amor de uma família.
- Cala a boca seu maricas!! Que belo parceiro de crime me saís-te! Só pensas em fraldas, papinhas e pó talco!
- Acalma-te! vamos voltar a Pastelinhos tenho a certeza que ainda aceitam o casal Coentros lá. E tu sempre ficas-te tão bem naqueles vestidinhos cor-de-rosa!
- Estás louco!! Eu vim aqui pelo dinheiro e não sai daqui sem o dinheiro e ... Poff
- Quimbé?? Eu sinto-te Quimbé!!- Dona Matilde chama pelo seu antigo amor ... o actual ... Ostentação! Vamos evitar as comparações ao nível ... de higiene pessoal e fluídos corporais.
- Matiudi!! Finaumenti cês podem ser felizis! Vendam o colá e usem a torradeira sempri qui precisarem para mi contactarem. Deixei também o livro di instruções, pois essa torradeira é complicáda.
- Hernadez!! Hernandez?? Ele está ... - chama o Xavier desesperado.
- Mórreu! Disculpem mais não mi consigui controlá!
- É normal paizinho. Até eu já desejava acabar com este animal nojento!
- Não minha Giselli. Pápai não conseguiu controlá a flatulência!
- Ao menos morreu a sorrir. Tal como ...
- A minha Prudência! Voi você? Mas pensávamos que tinha sido ... - digo eu estupefacto.
- Não!! Quer dizer ... eu anistisei ela ... e o mauvado fez o resto!
- Ah bom! Assim é outra história.
Na verdade a minha Prudência estava-me a roubar eleitores. Gostei muito dela mas partiu em boa hora.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Gerações de aventura

- Chegar a tempo? Como assim?
- Se conseguiram chegar aqui á vila antes dos patifes!- Estava a contar ao meu filho como fora a nossa aventura, a ele e às Anas do Coices e ao Xavier. Pois é, converti o meu café, depois de tudo o que passaámos, numa pequena biblioteca e lugar de convivio para os mais novos. Quanto ao café do Bica...Olha, custou-me mas teve de ser agora tenho a "Biblobicateca" um espaço extremamente simpático e confortável para os mais jovens. Um espaço com qualidade, um espaço para viver- é o nosso slogan, simpático, hã? Agora a função de homem do café é do Manel. Largou a roça e lá teve de sobreviver a vender "mines" e bicas, que dá um bocado mais de dinheiro. Bom, na verdade ele não largou bem a agricultura porque atrás do café tem um minimercado onde comercializa todos os produtos da sua terra. Quanto à sua mãe, a senhora Coices foi para Valentão-do-moço para uma festa de anos de um sobrinho neto e nunca mais ninguém a viu. Adoro a minha função de agora de vendedor de livros e animador de tarde, gosto de lhe chamar assim. Quando me sento nesta cadeira , onde agora estou, esta linda cadeira de madeira cuja perna se encontra metade comida pelo carunxo penso no que vivi e o mais belo de tudo é que transmito tudo isso para a pequenada que, sentada numas almofadinhas feitas de sarapilheira, doada por Manel e feitas por minha amada Marcolina, me ouvem sem dizer um ai, salvo quando se enojam com alguma coisa, o que acontece frequentemente ainda não percebi bem porquê. O meu Crispim está um homem e está a ajudar a Marta no seu novo salão de beleza, é o lava-cabeças lá do sítio, o salão que dantes era da Eunice. Aquela espelunca piolhosa agora é o Marta "sentimental hair" um misto entre conselhos matrimoniais e cabeleireiro. A Giselle é mais cabeleireira do que a Marta que se encarrega mais dos conselhos e tal...Bom, mas o meu Crispim está um rapaz forte, já com os seus 15 anos, feliz, rosadinho e contente. Acho cá para mim que ele anda de vola da Manteiguinhas, mas ela não quer nada com ele, é muito snob aquela miuda...hã? Palavrinhas das caras aqui na boquinha dourada do Jerónimo...Ah pois é! Aqui a Bibliobicateca dá-me muitos conhecimentos. Neste momento a minha Marcolina está a por etiquetas nos livros aqui da Bibliobicateca para nenhum destes fedelhos os levar surrateiramente! Ui! Eu sei o que é que a casa gasta! Antes de os conhecer conheci os pais deles!
- Está quieta Paixão!
- Oh pai! Continua...
- Sim senhor Bica, diga-lá como é que o anormal do Manel...
- Ei! Não chames anormal ao meu pai!- As filhas da Giselle e do Manel e do Paixão e do Manteigas (isto cansa) apesar de gémeas nunca, nunca se deram bem...Uma tem o cabelo negro como o carvão, outra loiro como um raio de sol e a outra cheira que não se pode! Andam sempre às turras
- O teu pai era um padre!
- Não eraaa, não eraa ele era um homem normal
- Os padres são homens normais, minhas bestas- dizia a pequena Manteiguinhas- o que o teu o pai não era era tão lindo como o meu, alto, o meu pai é um deus! E claro, eu sou assim...lindissima!
- Tu tens nome de gordura!- dizia a Paixão para a Manteiguinha
- E tu...tu tens nome de sentimento que é pecaminoso!E esta aqui tresanda a porcaria e tem nome de movimento de burro...Coices, isso não é nome de gente!
- Pois- salta a Ana Simone em defesa- mas é o meu pai que vos dá de comer! Os vossos pais puseram-se na alheta! Ahhhh....- E amuaram todas.
- Meninas! Meninas! Então? Ai...olhem aqui para o tio Bica
- Tio? Era mais avô, não?- A sacana da Paixão era danada...
- Pronto, como quizerem. Estava a contar a história, ora então onde é que eu ia mesmo?
- Se eles conseguiram chegar a tempo...
- Ah! Pois claro Xavier, obrigado...Ora, já era de noite não é? E as coisas demoram e ainda para mais com bebés as coisas complicam-se. A Marcolina tinha ido para me ajudar, o Manel mandou uma mensagem para a vila e lá veio ela, aquela mulher de aço! A manhã já tinha rompido e nós estavamos ali, em Tutano Verde, com cavalos e um bandido que tinha ido à procura do tal colar ou melhor, do homem que traria o colar e a torradeira invocadora de o vosso avô Quimbé!
- Não acredito que o meu avô cheirava mal como a Ana Simone...- interrompeu-me a Manteiguinhas.
- Tás a ver? Falas mal de mim e do meu pai mas és descendente de um homem com pivete!
- Adiante, meninas, adiante- prossegui-Então a coisa foi mais ou menos assim:

- Nunca vamos sair daqui! Não há cavalos para todos!- dizia a Marta.
- Calma, amor! Nem que a gente vá a pé! Havemos de chegar à nossa casinha!- dizia o Mauricio com o Xavierzinho.
- Eh! Oh! Faxabor benham cá aqui à minha retaguarda!- disse o Manel. Todos se juntaram á sua volta.- Tenham lá calminha...Vamos ser salvos por o meu...- E assobiou bem forte. Um assobio tal que as crianças choraram, as mulheres gritaram, os animais ladraram (a Patrícia) e o Ostentação deitou sangue pelo nariz! Esperámos por o que vinha lá! Sonhávamos por o grande e poderoso...!
- Simão!
- Oh, Manel, por amor a S. Palito...Assobias.te para vir o Simão? Estamos em Tutano Verde!!! Do outro lado do rio Tonhinho!! Estás maluco?- A Giselle passou-se.
- Calma bezerrinha! Ele bem!
- O burro é velho, coxo e manco!
- Mas ele beeeemm...Ele oube muito bem!
- Estamos do outro lado do rio!- Todos estavam chateados... Não tinhamos cavalos que chegassem e no nosso caso, os Village People, ou iam todos ou não ia ninguém! Estávamos desesperados e já tinha passado da hora do almoço. As crianças comiam.
- Giselle...da-me leitinho...
- Manel dos Coices! Que horror! Este leite das minhas maminhas é para as miudas!
- Mas tou com fome e...- Ouvimos passos...de quatro patas e em cima de uma colina, baixinha, com o sol a bater-lhe de esgelha aparece o burro Simão!! As pessoas ficaram contentes e as crianças também! O burro desceu lentamente a encosta montamo-nos nos cavalos e no Simão e lá fomos nós! Quando chegámos à vila fomos directos à casa da dona Matilde e o Manteigas estava lá encostado a uma pia que a senhora tinha na cozinha, agachado, com as mãos a agarrarem os joelhos e andavam para cá e para lá, para cá e para lá...Uma atitude de louco. Ficámos parados a olhar para ele e ele só dizia: "Ainda não chegou a hora, ainda não chegou a hora". A Marta achou melhor chamar chamar os senhores da clinica de tratamento psicológico e pronto...Mas até lá o sol já se estava a pôr.
- Bezerrinha...Parabéns, meu croquetezinho.
- Oh, Manel...Obrigada...E-eu...eu amo-te meu porco!- Finalmente a Giselle e Manel se entendiam. A tarde estava quente e todos esperavamos pelo mensageiro que iria trazer o colar que iria dar toda a fortuna à Giselle e ao Manel, que a ia gastar toda em sementes de alface...Hei então que surge ao longe no meio da poeira, que cobriu os vestidos das senhoras, que, ainda vestidas para o filme da Eunice se enquadravam naquele que era um cenário perfeito de uma tarde de calor do faroeste! A Eunice sacou da câmara e cá vais disto. Num cavalo, talvez num burro, não, definitivamente num pónei vinha alguèm...Todos nos reunimos no chafraiz principal. O ser aproximava-se num pónei que era meio cinza meio preto meio castanho meio amarelo. O ser vinha coberto por um manto. Saiu de cima do pónei. Trazia uma caixinha na mão, onde possivelmente trazia o colar e a torradeira para a Giselle...Uma caixa muito pequena! A Giselle chegou-se á frente. O Manel estava com ela, atrás dela...cagado de medo. Heis então que o ser tira o capuz que lhe cobria a cara. Todos ficámos espantados! E no meio de um arroto da Ana Simone o Manel disse:
- Mãejinha?

domingo, 13 de julho de 2008

A perseguição

Sempre foi um sonho que eu tive, ser actriz. Ser uma diva do grande ecrã, contracenar com aqueles homens lindos, ir a festas ... ai, ai. Apesar da situação ser um pouco ... estranha, estou a gostar bastante e acho que tenho imenso talento! O meu papel é pequeno, nem sequer tenho nome. no guião está apenas escrito "Pêga nº2". Ao menos tenho um vestido lindo, mas pouco provacador. A Eunice disse que o arranjou numa feira da ladra em Torres. As filmagens estão quase a terminar e agora é que vou puder brilhar, pois na próxima cena vou ter ... uma fala! Estou bastante nervosa, não quero fazer asneira ...
- Cheguem-se aqui por favor! Todos aqui por favor! - pede a Eunice num tom autoritário - Vamos filmar mais uma cena e depois fazemos um intervalo porque vamos ter de muda de cenário. Por isso preciso de falar com a Marta e com o Paixãozinho.
- Diga senhora realizadora! - digo eu claramente entusiasmada.
- Sapinha vamos a despachar ... tenho maldades a praticar!
- Achei importante falar com vocês em privado pois esta cena será muito intensa. Esqueçam o guião! Alterei tudo!
- Alteras-te o quê sapinha?
- Bem ... a coisa estava um bocado morta por isso ... vai ser uma cena romântica e por isso tu já não vais entrar Marta, não te quero aos beijos com o meu chuchuzinho!
- O QUÊ???? Mas eu já sei as minhas falas, quer dizer a minha fala de cor!! "Senhor Corazon deseja alguma coisa?". Demorei horas a decorar!!!
- Tem paciência mas não te quero agarrado ao pescoço do meu chuchu!
- Então desisto!! Não quero fazer parte desta palhaçada!
- Então vai embora!
- E vou mesmo!
- Não vai nada!!! Eu é que sou o bandido eu é que decido quem sai!! - o senhor padre estava completamente fulo. Começou a ficar roxo e ... Puff ... caiu redondo no chão!
- Chuchuzinho!! Estás bem? Mas que cheiro ... Poff - lá se foi a Eunice.
- Nem olhem para mim!! Já lavei a Manteiguinhas mais de 10 vezes!! Até tem os dedinhos enrrugados e ... Paff - Manteigas e Manteiguinhas desmaiam em simultâneo, aterrando no berço da pequena.
- Abram as janelas é gás tóxico ... depressa!! - gritei, mas ninguém me ouviu estavam todos c-a-í-d-o-ssssss ... pimba!

Fui acordada por uma corrente de ar. Abri os olhos e ainda estavam todos caídos. Levante-me devagarinho para não acordar os bandidos e dirigi-me à porta para ir pedir ajuda quando ...
- Marta!!
- Quem está aí?
- Sou eu ... Quimbé!
- Quim quê?
- Quimbé!!!!!
- Onde estás Quimbé??
- Eu sou assombração sê não podi mi vê não!
- Nesse caso! Que me quer Quimbé?
- Sê não tá com medo não? A maiór parti das pessoas quando vê assombração fica assustada!
- Eu já estou habituada ... a casa onde eu cresci tinha um fantasminha chamado Ulisses. Foi o meu melhor amigo durante anos até ele querer algo mais e ... mas eu não estava preparada. Você conheceu o Ulisses?
- Cê já consultou ajuda psicológica?
- Não. Nunca gostei de seringas!
- Mas a rázão qui mi trais aqui é outra! Eu vim para ajudá voceis.
- Como?
- Eu sou o márido di Matiudi, o falécido.
- É verdade! A Giselle já me tinha falado de si ... a pobrezinha, ressona que nem um porco.
- Saiu ao papai, a minha ménininha ...
- Mas estava a dizer, ia-nos ajudar ...
- Bom, cê sabi qui hoje é o dia do aniversário di minha Giselli ...
- Sim.
- E no meu testamento prometi qui um homem viria trazé minha herança prá elas nesti dia ...
- Sim.
- Quero que você mi ajudi com o meu plano.
Se querem que vos diga não percebi metade do que o homem, do que a assombração disse mas ajudei-o. Amarrá-mos os pés e as mãos dos dois "cafagestes" (não o que quer dizer, mas presumi que se referi-se ao Costeleta e ao Ostentação). E depois disse para acordar o resto e irmos ter com ele a Vila Sem Nome junto à praça. A Giselle foi fácil já estava quase acordada, a seguir dei umas palmadinhas na cara da Matilde, peguei na Manteiguinhas que ainda estava adormecida ao colo do Manteigão, esse homem lindo e musculado e ... a ... depois fomos pé ante pé até à porta para não acordar nem os bandidos nem os cafagestes. A Matilde reclamou por que queria que o ostentação também viesse, mas eu disse-lhe que tinha sido o seu falecido marido a mandar e então ela obedeceu sem hesitar. A Giselle não questionou, abraçou a Manteiguinhas e segui-me até à porta. Ao saírmos deparámo-nos com o Bica, o Manel e o Mauzinho a discutir atrás de um arbusto. Parece que estiveram a noite toda naquilo, a arranjar um plano para nos salvar.
- Eu arrombo a porta, vocês os dois entram pela janela e prendem os outros dois. - explica o Mauzinho.
- Quaix dois? - o Manel parecia confuso, enquanto tentava perseber o plano estava a encarregar-se de mudar a fralda às crianças.
- O inspector e o padre pá! Ou melhor o cowboy e a baby-sitter. - O Jerónimo parecia muito confiante. Nesse momento deram por nós.
- Gisellezinha, minha bezerrinha!! E Manteiguinhas!
Não fosse todo o mau cheiro que os rodiava até teria sido um momento comovente. Uma família reunida! O Mauzinho também me abraçou e o Jerónimo teve de se contentar com 4 putos ranhosos e a Dona Matilde, bom ela estava a gritar e a fazer gestos mas ninguém percebeu porquê até que ...
- Sua velha maldita vais morrer!!!
O padre saiu a correr da casinha verde com uma pistola na mão, seguido pelo Manteigas que vinha a gritar pelo nome da Manteiguinhas. A Eunice foi a correr para o quintal de onde surgiu dentro de uma carroça puxada por dois cavalos ao estilo dos filmes de cowboys! Vinha com a câmara de filmar.
- Venham rapazes!!
Nós corremos o mais depressa que conseguimos montados nuns cavalos que estavam por acaso nas redondezas. começo a pensar que a Eunice tinha tudo isto planeado, afinal estávamos todos caracterizados montados em cavalos e carroças no meio do mato em alta velocidade. O padre estava empoleirado na carroça e saltou para o cavalo da Matilde. Ela tentou derrubá-lo, mas ele conseguiu equilibrar-se. Foi então que o Manel passou as crianças para a Giselle e fez cair o padre. Começaram a lutar e a Eunice estava de volta dos dois a filmar tudo o que se passava. Eu a Giselle e a Matilde pusémo-nos a gritar como verdadeiras pêgas, o Bica mandava pedrinhas e o Manteigas estava a tentar agarrar a Manteiguinhas mas esta subiu para uma àrvore e ele não a conseguiu alcançar.
- Dá-lhe Paixão!! Chega-lhe aos queixos!! - gritava a Eunice - Oh não! Acabou-se a fita!
- Acabou? Agora que eu estava a entrar no personagem! Tens a certeza sapinha?
- Claro Paixão ... achas que ía brincar com uma coisa destas?
- Não interessa eu vou já acabar com isto ... Dona Matilde chegou a sua hora! Vai ter com o seu mardinho ao Inferno! Um ... dois ... TRÊS!
- Já morri? - perguntou a Dona Matilde com a voz tímida de quem esperava a morte.
- Mas? Mas o que se passa com esta pistola? É de ...
- Plástico chuchuzinho! Achas que eu te ía dar uma pistola verdadeira? Podia haver algum acidente ...
- AHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!! Estou rodeado de uma data de incompetentes!!!! Eu mesmo vou aquela maldita vila buscar o dinheiro que me pertence!
O malvado Corazon partiu com a carroça em direcção ao por do Sol. Mas os Village People estavam munidos de velozes cavalos ... será que chegam primeiro?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Mas que cena!

- Eu tenho mesmo de dizer o que aqui está escrito?
- O que é que foi agora?? Se está aí é para dizer!- Dizia a Eunice com alfinetes ao canto da boca enquanto cozia a saia da Giselle que na cena final da dança tinha de saltar para o colo do padre e dizer um incrivel "Ena pá, está calorzinho aqui!". O guião era abominável e a Giselle estava provavelmente a viver o pior dia de anos dela. Cheguei a pensar que a velha Matilde já não interessava. Uma velha a mais ou uma a menos, que mal teria? Só queria acabar com aquilo rápido. Nem entrar no espetáculo eu entrava! Servia águas...Bom, pelo menos empatava, já que era o que eles queriam fazer, proque pensavam que o Manel e o resto de sabe-se lá quem haviam de chegar. Até lá andávamos no engonhanço. Eu servia as águas nuns copinhos ranhosos com uma substância verda agarrada ao fundo. Tinha imensos, o problema é que este trabalho era extremamente cansativo, isto porque sempre que acabava uma rodada de copinhos, que eram muitas vezes bebidos devido ao engonhanço dos "actores", lá ia eu,vigiado pelo Paixão ou pelo Manteigas, Maurício, cujo filho se encontra com o Manel, meu rico filho, pai de familia, a um poço que se encontrava à frente da casa. Duvido que aquela água fosse potável, mas azar...Queria sair dali!
- Eu sou uma mãe de família não digo estas coisas indecentes! E ponto final!- Nunca na minha vida a minha Marta iria dizer o que dizia naquele pedaço de papel, o pior é que acabou por dizer.
- Mas que é que tem de mal?- dizia o Bica espreitando para o papel da Martinha e ficando vermelho como um tomate- Ena pá! Está calorzinho aqui! Eh eh eh!
- Eunice...eu não vou dizer isto para...um padre!
- O Paixão não é padre, linda! Desempadrou!- dizia a Eunice ainda cozendo a saia da Giselle que não parava quieta de proposito- Por isso afiambra-te! Aproveita bem que agora o totó do teu marido anda para cá e para lá com a águinha.
- Por quem me toma! Sou uma mulher respeitadora!
- Ui...acredito. Por isso é que o teu puto se chama Xavier!- A Eunice foi directa e brusca. Não percebi esta, sinceramente...Pelo que me parecia Xavier era o nome do ex. inspector Manteigas mas...O meu filho...Oh!Não!Foi então que derrubei o tabuleiro das águas no chão.
- Marta!! O Xavier não é meu filho, pois não?- disse dando uma de machão. Tive a preocupação de desabotoar um botao da camisa para que saltassem frozmente todos os meu minimos pelos no peito- Diz-me! Sua...
- Amor! Mauzinho! Achas? Alguma vez? O Xavier é teu filho, é do teu sangue, é o teu herdeiro!
- Então está bem.- Nestas coisas nunca se sabe! Mas a Marta é uma mulher às direitas!
- Vai para a esquerda, Marta! O teu lugar é à esquerda!!
- Já vai Eunice! Credo! Com este vestido não dá muito jeito andar!
- Cala-te e anda e diz lá o que tens a dizer...SILÊNCIO!- A Eunice estava a levar aquilo à séria- MAS O QUE É QUE O HOMEM DAS ÁGUAS ESTÁ A FAZER EM CENA? FOOOORAAA!- Estava estérica.
- Calma!- E e partiu para cima de mim. Agarrou-me no braço e lá se foram as águas.
- Parece que vais tirar o pai da forca mulher!- disse o Bica todo com aquele ar de protagonista que eu deveria ter.
- Não! Mas gostava o quanto antes de por uma velha nela! Por isso aos seus lugares! Cena do combate...MEXAM-SE! Fredy...Costeleta, saca da pistola!
- Oh, Eunice...Não me pessas uma coisa dessas...- disse o Costeleta antes de parcer um carro dos bombeiros.
- Ai...que parvo! Não é isso, amor...É a arma! A pistola...Bum! Bum! Ai...Ainda não é desta que a velha é lixada...MEXAM-SE!- E passado algum tempo estava tudo pronto para começar a gravar- 1...2...3...Acção!
- Oh...Não posso crer! Estes dois bons homens vão lutar, como pode ser possivel? Como pode ser?- dizia a Giselle muito pouco natural.
(Marta)
- Pois...pois...err...eu...- Tinha se esquecido...Eu vou em teu salvamento Martinha!
- Eu tenho de ir buscar água!- Disse eu entrando triunfalmente, vestido de "garçon", em cena, abrindo os braços num jeito de "tacharam" e piscando subtilmente o olho para a câmara e para os telespectadores que deveriam ser...nenhuns.
- COOOOORRTAAA!! CAMBADA DE ESTAFERMOS!- E Eunice estava vermelha e não era porque tinha visto as cuecas do Jerónimo. Oh minha nossa!
- Jerónimo! Levanta as calças! Que estás a fazer?- Girtou agora o Paixão, Hernandez ou o raio que o parta.
- Quero arrear o calh...
- Ahhhhh! Credo!- As mulheres, menos a Eunice, taparam os olhos.
- Agora não! Ias fazer um duelo com o Costeleta!- Dizia ela- E para mais aqui não há espaço para essas coisas.
- Mas estou com vontade...
- Já disse que não! Depois do duelo!- E assim foi. O Jerónimo falava como se quisesse ir á casa de banho que realmente queria e a cena foi esquisita porque para o meio eles beberam àgua e tudo mais...Só para atrasar. De qualquer modo não vi a cena toda, isto porque fui ao poço. O Xavier ficou à porta como ficava sempre, com a Mateiguinhas ao colo, a vigiar-me, enquanto eu fui ao poço enxer a bilha. A água do poço podia não ser potável mas só o correr da água e a sua frescura, e inspirado pela vontade do Jerónimo, deu-me uma vontade de expelir todas as minhas impuresas pela via do canal de reprodução...
- Hum...Oh senhor inspector!- Gritei para o gajo que brincava com a miuda que já tinha uma valente cremalheira na boca, algo incrível- Tenho necessidade de expelir as minhas impuresas pela via da uretra.
- O quê? Pára com isso, anda te embora mas é!
-Mas estou mesmo, mesmo, mesmo com vontade de expelir a liquidozinho...
- Queres o quê?- A distância ainda era grande, do poço à porta de entrada, digo. Por isso ele não ouvia bem e tive de gritar um valente:
- MIJAR!- Ao que o inspector respondeu:
- Ah...Que nojo! Vai ali atrás das urtigas, aqui de lado da casa...Mas vê lá! Não te vou vigiar desta vez, só faltava mais esta...Até porque estou com a Manteiguinhas! Não te armes em espertinho que levas a dobrar!
- Sim, senhor! Eu vou mesmo só órinar- E fui. Ao virar da esquina ouvi qualquer coisa. E enquanto me estava a aliviar olhei para o lado e...estava lá uma criança!Rápidamente abandonei a tarefa de expelir o amarelinho e olhei para a criança que já gatinhava! Estas crianças de hoje em dia...A criança tinha feito um rasto com os seus joelhinhos e eu, peguei-lhe ao colo e segui esse mesmo rasto. Devagar, fui dar atrás da casa onde estava um homem a espreitar pela janelinha que dava para a cave onde nós estavamos! Estávamos salvos...Mas deixei-me estar...Fui chegando pertinho, pertinho e...era o...Graças a...
- Manel!- Sussurei um grito.
- Ehhh Mauricio! Epá...falta-me um puto...
- Está aqui, deve ser a tua filha...
- Não, é a Paixão...Maldita! Endiabrada de um diabo! Mas olha...Sei do que andama tramar...Sairam-me cá uns...
- Não! Não percebes nada nós...- E ouvimos passos. Escondemo-nos atrás de uma carroça velha que estava perto da janela. Alguém se aproximava...Não queria acreditar que nos tinham descoberto, agora que tinha o Manel para me ajudar! De repente senti algo quente no meu pé...Cheirava exptremamente mal até que ouvi um "ahhhh, graças a S. Palito...", de alivio. O Manel pôs a cabeça de fora do nosso esconderijo:
- Oh! Jerónico és tu? Epá, Mauricio é o Bica...- E saímos de lá de trás da carroça.
- Manel!- disse o Bica surpreso- Ainda bem que aqui estás! Agora é que vamos sair daqui, já sinto tantas saudades da minha Lininha e do meu filho...
- Mas como estás aqui? Que vieste aqui fazer? Deixaram-te sair?- perguntei eu baixinho.
- Então não haviam de deixar? Tão eu vim...- E quando olhei para o meu sapato apercebi-me o que é que o Jerónimo tinha ido fazer lá fora. Em suma: O mesmo que eu mas expelido pelo canal oposto. Algo que aterrara violentamente no meu sapato.

Cheira bem ... cheira a Quimbé!

Eu sei que xou extremamente porco e tal ... mas estes dois rebentos estão a dar cabo de mim! É bomitar, o cócó parece que sai de todo o lado ... estou a dar em doido!! Não quero saber bou atrás daquelas duas e levo os bébés comigo!! A bantagem de lebar bébés é que se podem arrumar em qualquer lado. Enfiei-os na minha mala onde costumo guardar as peúgas do Simão para não apanharem humidade, é um burro muito sensível. Deixei-o em casa pois estaba a dormir e eu não tibe coragem de o perturbar de maneiras que acordei os putos e cá bamos nós! Bamos 'prá onde? Eu não sei onde é que elas se enfiaram ... a Giselle falou em qualquer coisa da mãe. Bou a casa dela então! Não estaba ninguém mas cheiraba muito bem, parece aquele perfume que eu senti uma bez numa casa-de-banho em Torres, eu até quis perguntar ao homem que o tinha onde o habia arranjado ...
- São peidos Manel!
- Quê?? Q-Quem falou? Q-Quem está aí?
- Sou eu ... Quimbé!
- Quimbé? Esse nome não me é estranho ... AH bocê é aquele homem da casa de banho de Torres que tinha aquele perfume ...
- Não é perfumi seu idiota! É flatulência!! E não sou essi homem não ... sou o seu falecido sogro!!
- Ohhh!! Sempre quis conhexê-lo ... tá com bom ar para quem morreu há mais de dez anos! Apesar de eu não o estar a ber ...
- Si você quer saber como eu sou, prócura na gáveta dá cómoda do quarto dá mia Matiudi.
- Ora cá está bocê ... bem bom! E a Dona Matilde ... ui tinha cá uma prateleira e um ...
- Cauma meu rapaz não queira acabá como o ispanhol eli morreu intoxicado com ... bom ... você até era capais di gostá.
- Estou a gostar muito do "papo" como bocês dizem mas acho que a Gisellezinha pode estar em apuros se calhar ajudaba-me a ...
- Com todo o prazer tenho umas contas à ajustá com aquelis cafagestis e ... 'cê tem às crianças dentro dessi saco?
- Claro! Não as ía deixar em casa sozinhas.
- Bocê ... elas não devem istá muito confortábeis já pensou?
- 'Tão sim senhora! Tão a passear com o pai e o tio ... olhe eles todos felizes com as cabexinhas de fora ... que fofo!
- Bom temos di achar as nóssas meninas!
-Bamo lá meu chapa!
- Sendo eu uma assombração, posso ir à frenti sem ser visto a menos qui ...
- Qui quê?
- Eu tenho um probleminha sabi ... não controlo ...
- As emoções?
- Não é isso.
- O tempo?
- Claro qui não!
- Os peidinhos?
- É isso!
- Não se preocupe homem! Eu acho isso uma qualidade! Acho que nos bamos dar muito bem senhor meu sogro!
- Bom ... algo mi diz qui elas devem ter ido à Torris em busca dos bandidos.
- Bamos lá então ... estou com uma bontade de dar uma surra naquele padre! Que S.Palito esteja connosco!
(Já em Torres)
- Sogrão já corremos tudo e elas não dão sinal de bida ... o que fazemos agora?
- Silêncio! sê não tá ouvindo?
- Oubindo o quê?
- Choro di nênem!
- Estes não xão porque adormeceram ... por isso ... bem daquela casa berde!
- Fiqui aqui eu vou entrar. Quando eu o chamá se vem e ... improvisa!
- Bou e improbiso ... certo.
(Quimbé dirige-se à dita casa berde ... desculpem verde!)
- Eu não acredito que vamos ter de repetir a cena outra vez! - reclama a Eunice.
- Eu não acredito que concordei em fazermos isto! - barafusta o Hernandez.
- Estamos a ajudá-la a concretizar um sonho Hernandez, temos de ser uns para os outros ... ora bolas a Manteiguinhas bolsou! - ... diz o Xavier com toda a sua ... sabedoria.


Take 43 - A cena da cave


- Isto é doentio!
- Cala-te Giselle se estudasses as tuas falas isto não acontecia! - a Eunice está a tornar-se uma realizadora profissional, em duas horas já conseguiu bem ... filmar nada.
- Mas que raio de raptores é que raptam pessoas para filmar o seu raptamento? - ... Bica e a sua sabedoria.
- Realmente isto é estúpido ... vamos acabar com esta palhaçada e matar a velha! - o Hernandez está a ficar impaciente.
- Não seu bruto! Ainda preciso dela para uns close-ups! Assim não tenho condições para trabalhar, tu prometes que me deixas fazer o que eu quisesse se vos ajudásse Paixãozinha!
- Sim, sim mas despacha-te! Já não tenho paciência e ...
- Tu vais adorar esta! É a cena musical! Vamos pessoal um ... dois ... TRÊS!
- Um detalhe Eunice nós estamos amarrados!! Como queres que dancemos? - pergunta a Marta.
- És capaz de ter razão ... Manteigas vai lá ajudá-los!
- Eu? Nem pensar! Vou dar banho à Manteiguinhas, quero que ela esteja cheirosa e limpinha para a sua estreia no grande ecrã.
- Mas tu já lhe deste banho 5 vezes hoje!!
- E então? Nem sabes a quantidade de porcaria que anda por aí no ar.
- Tudo bem, Paixãozinha ajuda-me!
- Porque é que eu tenho a sensação que isto não vai correr nada bem ... e a câmara onde a arranjas-te?
- A ... f-foi emprestada!
- Pois ... vou-vos tirar as cordas mas se algum de vocês se armar em engraçadinho já sabe!
- Já que vamos participar no filme gostava de fazer uma sugestão! Como presidente da Vila Sem Nome acho que sou a pessoa mais indicada para protagonizar esta pelicula e contracenar com a minha chuchuzinha ...
- Nem penses Costeleta! Todos aqui sabem que o galã é o Bica!
- Senhores eu é que tomo as decisões aqui ... o Paixãozinho será o cowboy, eu a prostitutazinha afectada e apaixonada por ele, o Bica o taberneiro, o Fredy ... o presidente será o xerife, Marta e Giselle serão as prostituzinhas baratas, Matilde será a velha cigana, o Manteigas não quer entrar porque não larga a Manteiguinhas.
- E nós ? - perguntaram o Ostentação e o Maurício em coro.
- Vocês ... o ostentação tem perfil para o vilão e o outro ... você serve as águas!
- Na cena do bar?
- Não ... aos actores nos intervalos. Mas vamos é despachar isto. pensei que quanto mais depressa filmármos isto, mais depressa a Dona Matilde morre!
(Entretanto lá fora ... )
- Mas que raio! O sogrão não aparece se calhar é melhor ber o que se passa! Agarrem-se piquenos lá bamos nós!
Fui debagarinho em direcção à porta e espreitei lá para dentro. estabam todos vestidos com uma roupa estranha. O padreco estaba com um chapéu esquisito, a Eunice parecia uma prostituta assim como a Marta e a Giselle (que estaba bem boa) e estabam todos a cantar e a dançar ... eles enganaram-nos!! Fugiram de propósito e agora andam todos a dibertirem-se. Mas isto não fica assim!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os apanhados

- Isto é inadmissivel! Não nos podem prender todos aqui! Exijo, como presidente da nossa vila, que nos tirem daqui e já! Mas antes, calem-me essa miuda!
- A miúda tem nome! Manteiguinha!
- Ah...senhor inspector esteja calado! Sou Costeleta! Exijo que me soltem! E tu Eunice...Sempre te tive em melhor conta! Saíste-me cá uma...
- Eu juro que mandei os convites! Eu juro! Não sabia que isto era verdade! Eu só queria fazer o meu filme igual ao dos actores das americas!
- Mandas-te-nos convites para virmos até aqui e nós, ainda à procura da Matilde e da Giselle viemos à mesma e vêmos isto? Querias é era que fossemos todos apanhados! Sua...sua...
- Lambisgoia!!!- E todos, mesmo atados uns aos outros, os Village People, começaram a tentar bater na Eunice que não estava atada a nada, logo estava do lado dos pulhas. Eu, Frederico Costeleta já me estava a sentir fritar!
- Não conta todas os nossos domingos no Parque Natural da Abobrinha? Não conta tudo o que passámos quando a falecida defunta ainda era viva? Para viver o nosso amor Eunice...- Eu estava atado ao Jerónimo e a sensação não era das melhores. Atado ao Jerónimo estava a Marta e o Maurício que choravam, ainda não se sabe bem, se com saudades do seu Xavier, se porque o pequeno Xavier tinha ficado a cargo do Manel, que, como estava nervoso, preferiu ficar em casa, não fosse a Giselle e a Matilde chegarem a qualquer momento. Todas as hipóteses eram válidas! Mas agora estava tudo acabado. A Giselle e a mãe também estavam atadas assim como o Ostentação que atado à dona Matilde, era o único que não se queixava, assim como a sua cadela que atada ao dono dormia, como se não tivesse acontecido nada. Na vila apenas ficaram os outros habitantes que nesta história não entram, o Manel, o Crispim, a Marcolina e os bebés, ou seja, estávamos condenados a viver ali, ou a morrer ali, para sempre!! A Eunice esta de guarda, à porta daquela cave escura. Ainda não consegui compreender como é que eles conseguiram nos prender! Os Village People...Três homens: Eu, o Mauricio e o Bica e fomos todos parar aqui...Oh meu deus! Sou claustrofóbico! Não aguento mais!
- Senhor Costeleta está se a sentir bem?
-O homem está roxo
- O Homem vai desfalecer!
- Oh...Costeletazinho!
- Eunice- disse eu quando ela se aproximou de mim, porque, ah ah! Estava preocupada! Eu sabia que ainda lhe restava um grãozinho de amor- Tens de me tirar daqui...não aguento mais!
- Não posso, não posso...Tenho de cumprir ordens!
- Vá lá Eunice!- Ajudou-me a dona Marta- Não iamos ser sócias?
- Oh! Eu agora estou mais para as coisas do cinema, sabes? Agora não quero nada saber de gadelhas e piolhagem das madames!
- Eunice, Eunice! Olha aqui o velho Jerónimo!- disse o Bica- Estás desempregada, eu empreogo-te lá no café, hã? Vais servir às mesas! Tenho a certeza que a clientela ia aumentar...não é boa ideia?- A Eunice começava a ficar dividia.
- Hum...ahhh vocês estão me a querer comprar! Mas não! Eu agora, pela primeira vez na vida, vou ser fiel!! Daqui ninguém saiu!- Heis que um dos ladrões a chama lá de fora e ela sai da cave. Estavamos esperansosos que ela não trancasse a porta, mas ela trancou e depois nós estavamos presos, não podiamos fazer muito mais.
- Tenho tanta saudade das minhas Anas...- dizia a Giselle.
- Calma, filha...eu também não estou melhor!
- Está mal sentada dona Matilde? O Ostentação resolve!- Nada nos ia fazer sair dali...E eu sufocava...
- Preciso de ar!!!- Todos tentaram andar para abrir uma unica janelinha que jazia perto do tecto da cave. Mas cada um ia para seu lado...Que trapalhões. O Mauricio encontrou um saco e começou a respirar para dentro dele, a Marta ajudava-o e fazia ainda a respiração que aprendeu a fazer quando estava grávida. A Matilde e o Ostentação, pensando que ninguém via, trocavam beijinhos rápidos que faziam com que eles ficassem vermelhos como dois adulescentes...Eu estava atracado ao Bica.
- Então, senhor Presidente? Como vai a vidinha lá nas politicas?
- Não quero falar disso Bica...Deixa-me em paz!
- Ai, meu S. Palitinho, ai meu pai Quimbé!- dizia a Giselle- Põe luz na cabeça do meu marido Manel! Só ele nos pode salvar!!

Take 1 -"The smell - The secret of the no name village" - Cena da Cave

- Ai, o-onde, onde é que eu estou?
- Oh a nossa menina já acordou!
- Padre Paixão?
- Não acordou nada, tá ali ferradinha! É sempre assim. A minha Manteiguinhas quando acaba de beber o seu leitinho cai logo para o lado.
- Senhor inspector? Essa é a minha netin ...
- Esta é a Manteiguinhas a minha filha!! Você tem as outras duas, nem pense que eu lhe entrego a manteiguinhas!
- Controla-te Xavier ... esse teu lado maternal está a preocupar-me, não basta seres mãe galinha e ta,bém és peixeira. Aliás ela não te pode levar a criança porque ela não sai daqui ... viva!
- O quê? M-mas o que é que se passa?? O que é que eu fiz? O que é que querem?
- Simples ... a sua herança! Sabemos de tudo. Inclusive que virá um homem amanhã à vila para vos entregar o que o seu marido vos deixou. Como vê você é o nosso único obstáculo para uma vida ...
- Eu e a Giselle. Vocês são mesmo amadores! Não sabem que se me matarem a fortuna fica para a minha filha!
- Isso tem solução ... a Giselle também vai à vida e ...
- Não se esqueçam que agora ela tem descendentes, e não são poucos!
- Nem penses Hernandez!! Na Manteiguinhas ninguém toca!!
- E mesmo as criancinhas não resolvem. Há o primo Baltazar que vive em Tarrafeira de Baixo, a prima Arlinda que está em Bolha-do-Pé, temos também ...
- Você pensa que nos dá a volta, mas tudo isso se resolve ... ROUBANDO O DINHEIRO!
- Pois e assim não precisam de me matar!! Vê ficamos todos felizes!
- Você tá a querer enrolar-nos ... a velha a armar-se em esperta ...
- Mas vejam se não me matarem sempre poupam algumas balas e evitam ser perseguidos pela policia por homicídio!! Só vantagens!
- A polícia não nos apanha por isso ... sim acho que vamos mesmo matá-la só para prevenir ... feixe os olhos Dona Matilde e ... AU!!
- Que foi Hernandez??
- Mas, Mas o que é que esta cadela está aqui a fazer????? A cadela anoréctica mordeu-me!
- É só uma cadelinha Hernandez ... não me digas que tens medo de uma ... oh chutxicutxiii ... AU ... filha da p...
- Atenção à linguagem meu menino!! Ainda estás em boa idade de levar umas palmadas, umas boas palmadas nesse rabinho tão ...
- Ei ó velha! Esteja mas é calada ... a tua hora chegou ... AU!
- Foi a cadela outra vez Hernandez??
- Não ... a sacana da velha mordeu-me!!!
- Já viste o que fizes-te? Acordas-te a Manteiguinhas!! E agora para voltar a adormecer vai ser uma carga de trabalhos! O Xavier que o faça não ... não me ajudas nada cá por casa, não passo de uma escrava para ti.
- Escravo.
- Foi o que eu disse! Mata mas é a velha mas vê senão fazes barulho e ... dormiu! Ufa até foi rápido.
- Paixão solta já a minha mãe!!
- Giselle?
- Faz o que ela disse ou ... ou usamos o Quimbé!
- Marta? Quimbé? Mas ...
- Corta pessoal! Vamos fazer um intervalo!
- EUNICE? - todos em coro.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A bida custa...

- Manel! Anda cá!
- Quei? Tou a labar o...
- Hã?? A lavar o quê? A lavar? Graças a Deus!
- Tou a labar o quintaaaal!- A minha Giselle quer muito que eu me labe...Mas as águinhas que saem da mangueira já labam suficientemente os meus ricos pezinhos! Não tomo banho, não tomo banho...Ah! E as gotinhas nos meus dedinhos são o quê? Nháca queres ber? Mas eu fui ter com a minha bezerrinha que dava de mamar à minha Simone...Ahhhhh estou tão feliz, pá! A minha Simone herdou o meu cheirinho! Cheira tão mal e é tão pequenina! Sai ao pai! É tão amorosa...No outro dia levei-a a passear no Simão e ela engraçou logo com ele, com o meu irmão Simão, aquele que será o padrinho da minha Simone!
- Manel, anda cá, senta-te aqui ao pé de mim. Preciso de falar contigo- Não gosto quando a Giselle fala assim, bem lá bronca.
- Diz bezerrinha, sou todo teu! Cutxo, cutxi Simoninha linda!
- Manel...Tu não ficas-te triste por ter três filhas de vários homens pois não?- Epá, eu sabia que habia de bir o dia em que a minha senhora Gisellinha me habia de fazer esta pergunta...
- Er...Boum! Eu...eu gosto das gaiatas...A Simone pronto, né? Mas também gosto da paixãozinha! Ctuxi, cutxi paixãozinha, onde anda o sorrizinho do tio Manel? Onde anda?
- Pois...eu sei que sim e queria agradecer-te porque também me estas a ajudar a encontrar a minha Manteiguinha que aquele sacana levou!- E entrou num pranto que só bisto.
- Ehh bezerrinha minha, tem calma! Os Village People andam a procurar a nossa piquena! Temos o Simão, temos a Patrícia que te acompanhou e tudo vai correr bem!- Na berdade não tinha muita certeza se ia correr assim tão bem. Epáa...como hei de dizer isto? O investigadorzeco anda fugido, já fugiu da prisão...Não irá conseguir escapar de um bando de velhos da villa sem nome? Epáaaa...Eu não sou pessimista, seja lá isso o que for, mas eu não tinha tanta certeza que a miudita vá aparecer. E ainda por cima era filha lá do loiro...Tenho pena da minha Giselle, tenho mesmo. Continuamos a viver em casa da minha santa sogra que agora anda encantada com o Ostentação e com a sua cadela e...
- Bezerrinha! A Paixão bolsou!- Grito para a minha Giselle que estava a preparar o beberão de uma delas- Aaaaaii...tá toda sujaaaaaa!!
- Agarra a fralda e limpa-lhe a boca- E foi o que eu fiz! Mas a Giselle não gostou muito, não sei porquê. Eu agarrei na miúda e tirei-lhe a fralda das nalgas e limpei-lhe a boca e todo o bomitado! Mas a gaiata ainda ficou mais porca, com uma substância que...ah...pois...já percebi...Não fralda do rabo mas fralda de baba...Desculpa bezerrinha!! Hei! Agora apanhei bem esta! Bou por uma fralda no Simão! Está lá no quarto de hospedes, caga tudo...Ora boa ideia! De um lençol faço uma bonita fralda que será presa por uns lindos alfinetinhos! A senhora minha sogra tens uns bem bonitos com umas borboletas e uns diamantes e tudo! Ora bem pensado! O Simão ficará mais sensual! Ah...ganda Simão! Foi então que fiz o que tinha a fazer. Andam todos atarefados à procura da Manteiguinhas. Para as pessoas da vila sem nome, todas as bebés são a Manteiguinha. Há cartazes espalhados sem fotografia, mas com uma discrição da bebé e do malandrão do pai dela e nada! Ninguém dá com a moça. Desloquei-me ao café do Bica ao final da tarde para comer qualquer coisinha lebe. Estaba a chover, este tempo tem andado maradinho.
- É uma mine!
- Sai uma mine!- disse o Jerónimo, fazendo um gesto para a dona Marcolina que agora, sua amada, o ajuda no café. Há até quem diga que o Jerónico já habita na casa da belha... E o Crispim, o meu companheiro do concurso de escarretas (ganhámos uma real escarreta do antigo campeão num pote de latão, mas do bom! Foi uma bitória!) é filho deles...Uma grande história que agor a não me apetece contar! Mas o Jerónico hã? Já se ajeitou com a belha...Ehhh! Ganda Bica! Afinfa-lhe!- Então, Manel? Como vão as coisas lá em casa com as pequenas?
- Uma coisa chatinha...
- Então?- dizia ele limpando aquele balcão que nunca estava sujo mas que estava sempre a ser limpo. Mania que as pessoas têm de limpar as coisas e de se limparem!
- Elas bomitam, elas berram, elas só fazem borradas atrás de borradas! Tenho de labar fraldas, de estender fraldas...uma trabalheira! A minha horta lá na roça está a morrer! Porquê? Porque ando a tratar das bebés, porra...não pode ser! É muito cansativo!
- Preferias andar com a foice ali...ah...a lavrar a terra? Preferias andar com o Simão e com o arado, ao sol, ali, tunga, tunga, tunga...? Oh, Manel! Os filhos são uma dádiva!
- A minha Simone é a mais sussegadinha, sabes? Ela pode estar borrada até às orelhas e nem um ai diz!
- Porque será...?
- Quei? Falas-te comigo, Bica?
- Eu? Não, não, estava aqui a pensar...E a outra rapariga? A Paixão?
- Ah...essa é labada, que posso eu fazer? Chora, chora, chora...Chatiiiiinha!
- Não sejas assim, Manel- disse a dona Marcolina a meter-se ao barulho- Os bebés são mesmo assim! Eu só tenho pena de não ter cuidado do meu Crispim...- E eles embolberam-se lá com aquelas mariquices todas e eu ahhhh eu bim-me embora! Já era noite e pelo caminho encontrei a minha sogra, que binha do salão de Torres.
- Olá dona Matilde! Beio bem boa de Torres!
- Achas, Manel? Aquela cabeleireira é muito melhor que a Eunice...Olha, leva-me aqui estas comprinhas que fiz para as bebés para casa. Tenho de ir entregar ali à Marta umas coisas que ele me pediu que trouxesse de Torres, para o Xavier, até já.
- Chau!- Eu lebei os sacos para casa e, depois de ter sido bolsado mil bezes pela Paixão, porque a minha Simone bolsa mas fica na mesma...N-a m-e-s-m-a! Aquela rapariga não quer dar chatices! Assim é que é! E a Giselle chama-lhe porca...Já lhe disse para não dizer isso que afecta o crânio da miúda, mas ela pensa que não...Então, cheguei a casa, esperei, esperei, esperei...E da minha sogra bem boa, nada...
- A mamã, Manel?
- Oh, bezerrinha, ela foi a casa da Marta, debe lá tar!
- Vou ter com ela.
- Eh Eh Ehhhh! Eu não bou ficar aqui com estas duas!
- Va lá, Manel, é só um bocadinho! A Marta mora aqui em frente!
- Mas...
- Cala-te! Olha! A Paixão bolsou...- Oh cum caraças! Tou tão farto, chiça! Mas pronto, lá limpei a miúda, desta vez com um pano da loiça e ali fiquei, sentado no sofá a olhar para as duas bebés que, cada uma em seu berço dormia agora...Era bom belas a dormir. Transmitiam calmiiiinha...UUUaaaaiii...que sono...que...zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz....

(algum tempo depois)

- Buáááááááá´!!!
- Ai!!!!!!- Acordei com o grito da minha filha que acordou a filha do padre- Giselleeeeeeeeeeeeeeee!! Elas debem querer morfar! Anda trás lá as tuas mamas para elas comerem! Giselleeeeeeeeeee! Dona Matilde! A senhora também tem leito nos seus sacos vazios?- disse eu indo à cozinha, onde elas costumavam estar àquela hora...Epá! Já tinha passado mais de uma hora, caneco! Comecei a ficar preocupado! Peguei nas miúdas, com o movimento brusco a Paixão bolsou novamente, e não fosse ela filha do padre irritantezinho e foi até à casa da Marta. Bati à porta.
- Não, Manel, nenhuma delas esteve cá- disse-me a Marta. Ai...Tou me a passar.
- Mas tem a certeza? É que elas bieram para aqui...Elas num tão em casa, diabo! E o pior de tudo é que as gaiatas estão famintas e o Simão não é gaja! Senão bem lhes fornecia o alimento...- A dona Marta pegou então nas Anas e levou-as para casa, comprometendo-se a dar-lhes leite das suas maminhas, que não eram nada más! Eu fui procurar a minha Giselle e a minha sogra...Procurei, fui chamar o Ostentação, ele também ficou preocupado, procurámos e nada!
- Manel, eu acho que elas foram raptadas.. disse, por fim o mendigo meu amigo.
- Oh não...outra bez nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!

Um colar e uma torrada

Chegaram à noitinha a Marta com uma criança nos braços e a Giselle com duas!! Além disso o inspector fugiu da prisão e o meu chuchuzinho desapareceu ... isto está tudo muito estranho! Desde que ele me pediu para ir chamar o Manteigas nunca mais apareceu. Eu sei que não o fui chamar porque ... ok tenho de confessar! Eu descobri que a Dona Matilde é mais rica do que aquilo que aparente. Sei que o marido dela lhe deixou uma grande fortuna proveniente dos negócios que tinha no Brasil. Acho que tinha uma herdade onde cultivava café e tinha trabalhadores italianos. Foi o que consegui descobrir.
Na noite em que o meu chuchuzinho me pediu para chamar o Manteigas eu decidi que seria a altura certa para ir investigar um pouco mais, mas desta vez na casa da Matilde pois ouvi no café do Bica que por essa hora ela estaria na casa do Manel a tratar da filha. Entrei sem dificuldades pois o raio da velha confia em toda a gente e deixa sempre a porta encostada durante o dia. O que me fez pensar ... se ela deixa a porta encostada é porque não tem nada de valioso em casa ou então é muito ingénua! Resolvi entrar na mesma, podia ser que encontrasse alguma coisa. Eu sou uma mulher ambiciosa e agora que fiquei sem o meu salão, preciso de me virar de qualquer maneira. Não encontro emprego em lado nenhum. Ainda existe o preconceito de que as mulheres só servem para cozinhar, limpar e fazer filhos. Mas eu vou provar que estão enganados! Vou mostrar-lhes que posso chegar mais alto que qualquer outra pessoa, vou realizar o meu sonho e tornar Vila Sem Nome num ... Estúdio Cinematográfico! Vamos fazer frente a Hollywood, vou chamar-lhe ... "No Name Village Productions" e vou mandar fazer umas letras gigantes para por na colina em cima da igreja. É o local ideal ... temos floresta, campo, casinhas amorosas, uma cambada de duplos e figurantes e eu a estrela principal! Para isso só preciso do dinheiro da velha e os outros dois que lhe tratem da saúde. Depois recorro aos meus contactos no governo para conseguir publicidade e investimentos. E até já tenho título para o primeiro filme: "The smell - the secret of the no name village", baseado em factos reais.
A velha tem a casa muito desarrumada, parece que desde que a filha casou não passa cá muito tempo. O quarto está uma vergonha. Roupa espalhada pelo chão, as gavetas todas abertas, o colchão virado ao contrário e ...
- Manteigas!
- Eunice a-a ... que fazes aqui?
- O que é que você faz aqui?
- Eu vim aqui falar c-com a Matilde ... marcámos esta hora para a depilação ... e-eu agora faço serviço domiciliário! E você?
- A mesma coisa! Q-quer dizer ... eu vim falar com ela acerca de ... de assuntos importantes de ...
- Vamos parar com isto! Ambos sabemos o que estamos aqui a fazer! Encontras-te alguma coisa?
- Não ... eu não sei onde é que a velha tem o cofre! Já revirei a casa inteira!
O parvalhão não percebeu que me disse aquilo que eu queria saber, agora já nem preciso de procurar ...
- Fazemos assim! O Paixão contou-me tudo e pediu que fosses ter com ele a minha casa imediatamente. Eu continuo a procurar e vou ter com vocês mais tarde!
E foi assim que aconteceu. Quando cheguei a casa já não estavam e soube mais tarde que o Manteigas fora preso. O que eles não sabem é que o cofre não estava lá, mas encontrei algo muito mais valioso ... parece que o maridinho não lhe deixou a fortuna em dinheiro, mas num colar de diamantes e numa torradeira que eu vi numa fotografia que estava na cabeceira juntamente com uma carta que dizia:
Meus amoris, minhas borboletas, minhas abelhinhas ...
Aqui vos deixo, nessi dia di Janero
Onde a chuva cristalina chóra a minha pártida
Tenho umas palavras para vos dizer nessi momento di dor
As minhas mãos tremem
Minhas pernas istremecem
As lágrimas jorram do meu rosto
E a minha flatulência marca o ritmo da máquina di escrever
Sei qui vos deixo em má hora
Mais eu sei qui um dia vo poder vos compensá
Quando a nossa Giselli fizer os seus 16 aninhos
Virá um homem à audeia
E ele vos deixará um presenti
Um colar di diamantes muito valioso qui vos garantirá uma boa vida para o resto da ... han ... da vida
E uma torradeira qui poderão usar para mi invocar sempri qui precisarem, e também serve para fazer torradas vejam só!
Agora tenho di parar
As letras si misturam e não consigo pensá claramenti
Tenho comichão nas virilhas
E preciso di mijar
Vos amo muito ... até sempri ...

Com amor, Quimbé

Todos sabem que o aniversário da Giselle é já na semana que vem, pois o Manel já fez questão de anunciar uma grande festa na praça da vila. Isto se conseguirem recuperar a Manteiguinhas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Orgulho de pai

- Xavier...estamos em maus lençóis, mano.
- Epá, qué que se passa agora? Outro puto que se borrou? Ai que eu...
- Não...A Giselle tem uma filha tua- Quando o meu irmão me disse isto, levantei-me repentinamente do sofá velho onde estava sentado a beber a bela da mini.
- Estás a gozar comigo Hernandez! Tu é que andas-te metido com ela no confessionário...Eu não coiso, coiso!
- Ai não? Então porque é que ela diz que sim? Epá, uma das miúdas é minha, outra tua e outra do burro!
- Do burro??
- Do Manel, pá! Eu já não aguento mais isto! Temos de matar a velha e lixarmo-nos para isto tudo! Vamos abandona-las ai debaixo de uma ponte, Xavier!
- Mas uma filha dela é minha...outra e tua e outra é de quem a apanhar!
- Pára com as cantorias, Xavier...Estou a falar a sério. Não é momento para brincadeiras- O meu irmão Hernandez sempre foi o mais malino de nós os dois. Diria mesmo um crápula, um sacana um malfeitor, um bandidão! Desde pequeno que é assim...
- Não vou deixar as meus filhos assim...-disse eu.Tu nem...coisito com a Marta! Estás louco?
- Mas Hernandez...já me apeguei ao miúdo! Vi-o nascer!
- Estás muito sentimentaloide...Qualquer dia acordas e não vês nenhum destes emplastros aqui! Não vês que elas só nos estão a atrasar? A policia anda atrás de nós! Espalharam cartazes! Os Village People não nos vão deixar em paz! Caga para os pirralhos!
- Eles são meus filhos!- E envolvemo-nos numa valente zaragata como dois irmãos devem ter para ver quem come um chupachupa ou uma porcaria qualquer. Mas a verdade é que não queria abandonar a Giselle e as suas triégémeas ou a Marta e o Xavierzinho. Posso ser um crápula mas tenho sentimentos. Vá, deixa-las numa casa de freiras! Mas nunca ao abandono, ao frio, à chuva. O meu irmão estava-me a desiludir muito, muito mesmo! Ele tinha sido padre por uns tempos, isso podia ter feito com que ele amolecesse um bocado! Mas parecia que o insensível Hernandez queria abandonar aquelas recém prenhas e as suas criancinhas! E ainda por cima as gémeas da Giselle eram prematuras! Nasceram todas engelhadinhas, coitadinhas! Não pode ser...não iriam resistir!No final da briga acabei com um dos meus lindos olhos negros e o Hernandez com a boca a sangrar...
- Podemos entrega-las num convento, mas não as vamos deixar por aí!
- Sais-te-me cá um lamexas meu estupor!
- Estou farto disto, Hernandez...Se as vamos entregar, vamos agora! Matamos a velha e pronto. Se não fizermos isso eu vou me entregar, estou farto disto mesmo! E tu não foges!
- Pronto! Ok! Vai buscar os putos e as mulheres, vou roubar ali uma camioneta porque isto de andarmos de autocarro e barco e não sei quê leva-me à falência! E agora com uma catrefada de putos...- Foi então que me dirigi para a cave onde estava o infantário todo.
- Manteigas!- disse a Giselle ao me ver- Olha! A tua filha é a mais precoce, já tem um dentinho!- Era inacreditável! A minha filha acabada de nascer já tinha um dente! E o segundo rebentava a qualquer momento!
- Oh! A sério? Oh, Manteiguinha do papa...- Peguei na bebé. Sempre quis ter filhos. E a minha filha, para além de se parecer um bocado com as irmãs engelhadinhas, era a menos engelhada e era a mais linda, a mais formosa, a mais bem feitinha. Depois de me aperceber que estava a ser lamexas de mais larguei logo a bebé ao colo da mãe.
- Não é possível a Manteiguinha ser minha filha, como é que pode ser? Andas-te metida com todos! Só um pode ser o pai!
- Sei o que te digo Manteigas...Fui ao médico, ele garantiu-me!- Que podia fazer? Mas era notório! A minha filha era parecida comigo! Aquele cabelinho dela todo loirinho, era tão graciosa e chorona...
- Cala-me essa miúda!
- Não é ela que está a chorar é a tua sobrinha-filha, a Paixão...
- Cala-me qualquer uma delas!
- Ai, espera afinal é a porquinha dos Coices...Olha, Manteigas, tenho de registar as minhas filhas! Quero lhes dar nomes! A. Paixão; A. Manteigas e A. Simone dos Coices, não são lindos?
- Simone?- Perguntei eu à pobre rapariga que dava de mamar à mal cheirosa criatura.
- É...o Manel queria...Vou voltar a ver o meu marido não vou? Diz-me que sim!- E ia começar a chorar.
- Sim, sim, sim...Não chores Giselle, não chores...Oh não! E agora o Xavier júnior também está a chorar? Marta! Cala-me esse rapaz!- O Xavier Júnior era também muito giro, como o pai, claro...O pai adoptivo: Eu, claro, o mais belo homem! Quando crescer será como o pai adoptivo! Lindo! Grande! Poderoso! Corajoso! Fantástico! Arrasará o coração de todas as raparigas! Será um máximo! Valente! Apaixonante! Sensível e...um homem do bem...Foi ao olhar para o meu filho adoptivo que percebi que estava a ser um perfeito anormal...Mantinha ali, naquela cave, duas mulheres que tinham acabado de dar à luz, três gémeas prematuras, e o Xavier Júnior...Não podia fazer aquilo! Vou tira-los dali e já! Embrulhamos os miúdos nuns panos, elas puseram uns lenços pela cabeça e rapidamente, antes que o Hernandez chagasse com as suas ideias maquiavélicas, fomos de barco para Torres. A noite já caía mas mesmo assim subornei o homem do registo e as mulheres registaram as suas crianças: Ana Quimbé Paixão, Ana Quimbé Manteigas e Ana Simone Quimbé dos Coices. O pequeno Xavier, como prometido, foi Xavier Júnior. Íamos a sair do registo, a Marta ia à frente com o Xavier júnior, a Giselle com duas das suas pequenas gémeas e eu com a Manteiguinha. Naquele momento apercebi-me de que se não fugisse com a minha filha, provavelmente nunca mais a iria ver. O Hernandez ia querer sair do país...Tinha ideia de passarmos a fronteira e irmos rumo a La Pimpolhita, uma cidade nos confins entranhados de Espinhola, se o fizéssemos, adeus Manteiguinha do papá...Então, ainda a descer as escadas do registo desatei a correr com a minha filha nos braços. Que dramático! Talvez estivesse mesmo a ficar lamexas, como dizia o meu irmão. As mulheres desataram a gritar e a Giselle não parava de correr atrás de mim com as outras duas engelhadinhas ao colo. Mas eu corro mais...Corri, corri até não a ver mais. Escondi-me atrás de uma casa perto do cais. A miúda começou a chorar, devia estar com fome...mas eu não tinha nada para lhe dar! Comecei a embala-la e ela lá adormeceu.
- Parece que levas mesmo jeito para essas mariquices, querido maninho...
- Hernandez? Que fazes aqui?Como sabias que eu estava aqui? Vai te embora! A partir de agora só quero viver com a Mateiguinha! Vou trabalhar e dar-lhe uma boa vida!
- Ai...até me enjoas! Cala-te! Traíste-me! Mas pronto...Já que queres a miúda trás...pode ser um bom isco para chegar à velha Matilde...
.

Outra vez não!

- Eu não sei o que pensas fazer em relação a estas duas Xavier, só sei que temos uma velha para matar e estamos escondidos numa cave com uma gaja prenha, uma recém desprenhada, um recém-nascido e uma cadela anorética!
- Mas que queres que eu faça? Que as vá por a casa? Isso seria estúpido de mais era pedir para me prenderem outra vez naquele sitio ...
- ... onde é praticamente impossivel ficar preso! Não me digas que não conseguias sair de lá facilmente. Se calhar vamos ter de arriscar, eu não tenho saúdinha para aturar este tipo de situações e ...
- Maridinho!! Quer dizer Xavier ... preciso de fraldas para o Xavier Júnior ... vai comprar!
- O quê?? Mas eu não tenho mais nada que fazer de importante? Tenho uma velha para matar quero lá saber se o pirralho tem o rabo a assar!
- Vocês vão matar a mãezinha???? Mas ... o que é que ... seus monstros!! Como é que eu pude estar apaixonada por vocês os dois? Como é que eu consegui ir para a cam ... ai ...
- O quê? Sua vadia ... isso não estava no plano Xavier!! Não me digas que tu também?
- Desculpa lá mas nunca me disses-te que eu não me podia aproveitar da moça! E tu também ...
- Mas comigo é diferente!! Eu tinha de ganhar a confiança dela para poder contactar com a Dona Matilde!!
- Tu usaste-me???? Seu porco! Até o Manel tem mais sentimentos que tu!! Até o Simão ... ai ... eu não ... não me sinto lá muito bem ...
- Mas as mulheres desta vila não aguentam um dia sem desmaiar???
- Hernandez?
- Que foi?
- Não vais acreditar ... ela está toda molhada ela ...
- Porra! Não me digas que ela não pode ser incontinente? Pode perfeitamente acontecer!
- Hernadez eu vejo um pé!!!!
- Lá vamos nós! Xavier pega no Xavier eu ajudo o senhor padre a carregar a Giselle!
- Mas ... m-mas você é uma refém ... você não dá ordens!!!
- Cale a boca sua freira precisamos de a levar ao hospital!!

No hospital de Torres (outra vez) ...

- Senhor Doutor!!! Ajude-nos a minha amiga está a ter o bébé e ...
- Dona Marta que prazer! E o pequeno já está tão crescido ... parece que foi ontem que veio ao mundo e já ...
- Isso é porque ele veio ao mundo ontem! Vamos lá a despachar isso!
- E o paizinho babado! Tem ajudado a esposa?
- Ui, todos os dias e ... calma ... temos uma grávida com um par de pernas a sair-lhe da ... do forno ... por amor de Deus despache-se!
- Tudo a seu tempo. Vamos lá a ver ... e o pai da criança? Está presente?
- Está aqui! - o parvalhão apontou para mim.
- O quê?
- Então Hernandez não queres assistir ao parto da tua mulher ... a Giselle!
- Claro! Vamos a isso ... vou-te matar Xavier, a ti, ao teu filho, à tua mulher ...
- Senhor padre eu sempre pensei que ... bom está bem.
- Os padres eu Vila sem Nome podem casar porque ... para salvar as boas moças das garras de bandidos! - foi o que me saiu.
- Ahahahahahaha. - a estúpida da Marta começou a rir.
- Vamos então a isso! Menina Ferrinhos? Aqui vem mais um.
- Eu mudei de ideias se calhar é melhor ficar lá fora a espera, eu não gosto muito de sangue e ... (pof)

(1 hora depois)

- Senhor padre!! Senhor padre parabéns! É pai de três lindas meninas!
- Han? Quê?
Olhei para as pulseirinhas das bébés que diziam "Ana Paixão", "Aninha Paixãozinha" e " Anocas das Coices".
- Mas que raio? Xavier! Xavier! Eu não aguento mais!!! Deixa estas loucas aqui ... por amor de Deus vamos matar a velha e acabar com isto!!!!
- Não te passes agora! Vamos com calma, os médicos ainda não desconfiaram e aquelas duas não abrem a boca porque têm medo que lhes roubemos as crianças. O plano ainda pode resultar ... mas agora temos de levar o rebanho para a cave.

Ao chegarmos à casa reparei que as luzes estavam acesas ... e oh não ... os Village People estiveram aqui! Temos de sair daqui, a nossa única esperança é ... Pastelinhos!
Apanhámos o comboio das 3 e 10 e sentémo-nos na última carruagem. Pareciamos um circo ambulante: um homem vestido de padre, um outro com o fato da prisão e duas mulheres recheadas de crianças, ranho, vomitado, urina entre outras coisas nojentas inerentes aos bébés. Choraram o caminho inteiro ... aquelas duas! Já não as posso ouvir! A culpa é toda do Xavier!! E agora como é que matamos a velha?
Chegámos eram 5 da tarde e Pastelinhos continuava a mesma, cambada de bêbedos, velhas e bonitas moças faz lembrar ... Vila Sem Nome! Pelos cartazes afixados no Café Central percebi que ainda não se tinham esquecido de nós ... mas duvido que alguém nos reconhecesse. As mulheres e os seus bébés tornaram-se um bom disfarce e como eu não estava de saia (pelo menos de mulher). Instalámo-nos na velha casa ao pé da ribeira de Santa Mónica. Está abandonada à vários anos e sempre foi o nosso centro de operações. Arranjámos um quarto para aquelas 6 criaturas. A Marta foi deitar-se, mas a Giselle estava muito disperta para quem tinha acabado de ter trigémeas.
- Paixão.
- Podes chamar-me Hernandez.
- Paixão ... eu estive a pensar e ... acho que ... bom eu já estava grávida antes do casamento, e eu já sabia mas não tinha dito nada a ninguém porque ... a verdade é que ... tu, o manteigas e o manel são os pais das bébés!!
- M-mas c-como é que sabes?? Isso não é possivel ...
- Uma é loura, a outra tem cabelo preto e a última cheira mal!! Queres que pense o quê??? Aliás vou mudar o nome da Aninha ... será Aninha Manteigas! Não quero mentir ás minhas filhas ...

Giselle no terreno

Ai, graças a Deus que vim para a casa da minha rica mãe enquanto tenho um ser que habita nas minhas entranhas...Sem dúvida que aqui na casa da minha mãe tenho muito mais conforto do que naquela espelunca onde mora o Manel! Mas isto não quer dizer que me livrei dele, não, infelizmente não. Ele veio para cá também e o pior é que o quarto de hospedes está coberto de palha mal cheirosa para o Simão...Sim, é nojento, mas o burro mora cá em casa também. Neste momento o Manel está lá com ele a fazer sabe se lá o quê, está lá sempre. Desde que soube que ia ser pai que nunca mais me chamou de bezerrinha nem nada...Anda desligado e lunático. Eu admito: Aprendi a gostar do meu marido. Ele é um bronco, mas que posso eu fazer? Os dias passam e tenho de me contentar com o que tenho!
- Giselle, querida, estás bem? Alguma dor?
- Não mãe, estou óptima!- A minha mãe está preocupada comigo, coitada. O Ostentação agora não a larga e para satisfazer os desejos do sem-abrigo de vez em quando vão a um baile que há na associação recreativa de Jarrinhos, uma aldeia aqui ao lado da nossa. Os dias passam tão devagar quando não temos nada para fazer...Na roça do Manel sempre me entretinha a lavar as coisas, estava sempre tudo porco, mas agora não tenho nada para fazer está tudo tão morto. E a Marta nunca mais disse nada! Grande amiga! O Mauricio até me disse para lhe dizer à uns dias que ia não sei onde ao funeral de uma tia. A Marta não estava em casa, ele saiu a correr, pediu-me para lhe dizer mas até agora não a vi...Andamos desencontradas, não sei...
- TRRRRIIIMMMM- O telefone toca e eu atendo.
- Olá, daqui Giselle Quimbé dos Coices da residência Quimbé, quem fala?
- Giselle!
- A própria...
- Sou eu a Marta!
- Ah! Já não era sem tempo! Olha, amiga, o teu marido foi a um funeral de uma tia. Deves estar preocupada...Já não o vês à imenso tempo não? Onde andas metida? Como está o bebé? Já falta pouco para nascer!
- Já nasceu
- O quê? E tu não me dizes nada? Ai, Marta que desilusão me estas a sair...Nunca mais eu..
- Giselle! Não posso falar muito mais! Mas o meu Xavier é lindo...Olha! Mas escuta! Estou com o Manteigas e com o Paixão e...
- Com o Paixão? Ohh...e como ele está?
- Ele é um bandido de primeira! Mas escuta...Eles a modos que me raptaram!
- Oh!- Não queria acreditar! Estava explicado a ausência da Marta- Mas porquê? Como?
- É uma longa história, depois explico. Agora estou a falar de uma cabine telefónica, eles foram comprar comida, estamos nos arredores de Torres! Tens de me vir aqui buscar! Eu-eu-eu...
- Alô?? Giselle em linha! Marta??
- Giselle! Estamos numa aldeia perto de Torres, qualquer coisa verde! Rápido senão...
- Verde?- E depois a ligação caiu. Comecei a entrar em pânico. TINHAM RAPTADO A MINHA AMIGA! A MINHA ÚNICA AMIGA! Mas comigo não faziam farinha! Ah, não! Eu já vi muito filme lá das américas, eu sei bem como lidar com isto e...
- Giselle, a mãe vai às compras a Torres não tenho nada de jeito em casa.
- Não! Não, mamã...Eu própria vou, deixe-se estar. Estou farta de estar em casa! Ah! Mas não diga nada ao Manel, senão ele quer que eu leve o Simão e não sei quê e eu preciso de me distrair!
- Giselle, deverias ficar em casa e descansar!
- Não, mãe deixe lá, eu vou num pé e voltou noutro.
- Está bem, vai lá...- A minha mãe cai em todas. Deu-me a lista de compras que eu nunca faria e lá fui eu rumo a...a...qualquer coisa verde! Como chegaria lá? Quando cheguei a Torres perguntei a um mendigo e ele disse-me que eu só me podia estar a referir a Tutano Verde, uma aldeia a 3 quilómetros de Torres.
- Como posso chegar lá?- perguntei.
- Só de barco...é do outro lado do rio Tonhinho...Apanha ali no cais e sai logo na primeira- Dei uma moedinha sem muito valor ao pobre conterrâneo do Ostentação e lá fui eu. Tutano Verde é uma aldeia agradável e extremamente verde. Casas verdes tudo verde. A minha missão era encontrar a Marta e o pequeno Xavier, mas como? Como conseguiria? Foi então que fui perguntando às pessoas se sabiam de alguma coisa. Ninguém sabia de nada. Estava exausta. Pousei o meu saco de verga que trazia ao ombro para disfarçar, porque para todos os efeitos eu fui ás compras, e qual não é o meu espanto quando sai de lá de dentro a cadela Patrícia. Pudera! O Ostentação não sai de lá de casa, claro que a cadela tinha de se vir aninhar aqui no meu saco!
- Patrícia! Anda cá! Cais-te do céu minha cadelinha mais linda! Anda, vá...Busca a Marta! Busca!- Eu olhava para a cadela feita parva e a cadela olhava para mim feita cadela- Vá! Busca! Busca! Au! Au!- A cadela não se movia e eu estava ali a empurra-la pelo rabo- Váaaaaaa...Vá lá Patrícia!- Opá! A cadela tinha de fazer alguma coisa! Não diziam que ela era esperta? Então!
- Patrícia...Linda menina- disse eu agachando-me junto dela- eu, Giselle Quimbé dos Coices, prometo que se achares a minha amiga Marta ficarás para sempre em minha casa e terás sempre comidinha da boa!- A cadela parece que gostou da ideia. Abanou o rabo e preparava-se para arrancar mas hesitou. Olhava para mim novamente.
- Ah! Claro e o Ostentação também!- Conclui. A cadela é mesmo esperta! Quando lhe disse aquilo desatou numa correria. Eu também desatei a correr atrás dela e só esperava que a criança não me caísse li no meio do chão! A cadela correu e cheirou e só parou numa casa verde, que surpreendente, já a cair de podre com uma porta que era um bocado de madeira velho. Patrícia olhou para mim e com o rabito a abanar, cansada, deitou-se à sombra de um chaparro que crescia ao pé da casa. Pensei por momentos, ao entrar naquela casa, que a cadela estava enganada. Mas não! Mal entrei num dos quartos dei de caras com o...o...Paixão!
- Giselle?
- Padre?
- Que fazes aqui? Como estás aqui? E-eu tive tantas saudades tuas...- E vinha direito a mim.
- Ai! Não quero nada consigo! Por incrível que pareça agora sou uma Coices, estou grávida e gosto do meu marido.
- E esse filho, Giselle? Não será meu?- Porra! É verdade! O filho pode ser do padre! Afinal de contas eu...eu e o padre, antes do casamento...Oh, meu Deus! Será que...Oh meu Deus!!
- Este filho é do Manel!- disse eu com toda a certeza que não tinha.
- Como sabes? Giselle! Os meus desejos tornaram-se realidade! Vieste ao meu encontro! Vamos ser felizes juntos! Vamos fugir! O meu irmão também tem consigo quem ama! A Marta! Vamos...
- O teu irmão?
- Sou eu- disse o senhor inspector ao entrar no quarto do padre que já nem sei se é padre que já nem sei se é Paixão!- Giselle...minha querida! Não me digas que voltas-te para mim! Ou para o meu irmão? Ou vieste apenas ter com a tua amiguinha Marta?- Xavier? Voltas-te para mim? Irmão?- Estava confusa e grávida!
- Já não percebo nada, e só sei que quero ficar longe de vocês! A Marta? Que fizeram com ela?
- Ela avisou-te de alguma coisa? Cabra!
- Senhor padre! Então?- disse eu.
- Hernandez!- disse o Manteigas.
- Hernandez?- disse eu.
- Hernandez!- disse o Manteigas.
- A Marta!!- Gritei. Estava farta daquilo tudo! A minha amiga tinha tido uma criança, deveria estar fraca, onde andava ela afinal?
- A Martinha está mesmo...- E amordaçou-me aquele homem lindo que é o inspector, mas criminoso, e levou-me para uma cave onde a Marta se encontrava, fechada. A cave era um quarto mal cheiroso. Sei de quem se ia dar bem ali, mas eu não era de certeza!
- Marta!
- Giselle! Então?
- Oh! O Xavier é lindo!
- Estás aqui sozinha, Giselle?
- Sim, mas está descansada...Daqui a nada os Village People estão aqui...Deixei um bilhete na associação recreativa. Passei-o por baixo da porta antes de vir à tua procura. Hoje à noite há uma reunião, por isso...o nosso tempo aqui vai acabar! E os malandros vão voltar para a cadeia!
- Graças a S. Palito, graças a S. Palito...