quinta-feira, 29 de maio de 2008

Em honra de S. Palito fazemos tudo e sentimos tudo!

- Biba, Jerónico!
- Olá, Manel, tão como vai isso? Já percebeste como desmaiaste?- Perguntei eu ao coitado que desfaleceu enquanto tirava uma biquinha. Não, ele não desfaleceu enquanto tirava uma biquinha, eu é que estava a tirar a bica enquanto falava com ele.
- Não...Arranja-me aí um bolo de arroz!
- Não? Tão mas estavas com falta de açúcar nas veias ou achas que...que foi um acto do tal?
- Do tal? Quem é esse?
- Do...assassino...
- É o quê! Ai...bom, bom tão achas que sou home para me deixar cair assim por causa de um assassinozeco? Tão, oh Jerónico! Dá-me lá o bolo que to aqui com uma larica do caraças!- Dei-lhe o bolo.
- Não, não estou a dizer isso!- respondi eu- mas pronto, já viste? Primeiro a dona Matilde, depois a Marta, depois a Giselle e agora tu...Pelo menos sabes quem foi?
- Ai, oh Jerónico, isso são muitas perguntas para eu só! Mas olha- dizia enquanto estava encostado ao meu balcão a comer ferozmente o meu bolo de arroz. Falava de boca cheia e as migalhas eram mais de mil- bou te reponder poque és meu amigo e os teus bolos de arroz são bem bons! Ora eu saí de casa, ia no meu Simão e depois tuca tuca tuca tuca lá ia eu em cima do Simão, tuca tuca tuca tuca cheguei aqui mais ou menos aqui a praça, comecei a ber tudo á roda, tudo à roda e...tuca tuca tuca tuca!
- Tuca tuca tuca tuca???- disse eu- o que aconteceu? Bateram-te com uma coisa na cabeça? No estômago? Nas...partes preciosas de um homem??
- Eh! Oh, Jerónico! Tuca tuca tuca tuca porque o Simão não parou! Continuámos a andar...Eu desci do Simão e de repente fiquei tonto e catrapum! Depois lembro-me de estar a chuviscar de me levantar e de ir ter com a minha maezinha.
- Então não houve crime?
- Nop. Dá aí outro bolo de arroz, oh amigo.
- Não pá, desculpa lá mas tu nunca os pagas! "Mete na conta Jerónico, mete na conta Jerónico" E depois nunca mais vejo o dinheiro! Toca andar daqui para fora!
- Eh! És um amigo da onça! Pa saberes coisas queres me aqui, quando é para me alimentares queres me fora...
- Toca andar! Estás a impestar o café!- Meu S. Palito! Que mal cheiroso...Cá para mim tudo o que o gajo contou é mentira! Eu acho que...
- Oh paaaaaaaaii- Crispim chama-me de não sei de onde- Preciso de coisas para levar para a cremesse!
- Tá aí o baú da tua avó Gumercinda!- respondi eu.
- Mas é muito grande, pai! Quero coisas pequenas!
- Tão não sei!- Como estava a dizer eu acho que..
- Va láaaaa! Posso levar estas chávenas que estão aqui? Estas que dizem: P-o-r-c-e-l-a-n-a F-i-n-a!
- Não! Essas eram da tua tia Leopoldina! Se as levas apanhas! Leva o baú da avó Gumercinda que vale por todas as traquitanas pequenas! Até serve de caixa!- respondi eu ao meu filho cremesseiro.
- Tá bem...- Finalmente vou me livrar daquele baú..Estava a dizer que aquela história toda do Manel não passa de balelas! Oh...Eu já cá ando á alguns anos...oh! E sei destas coisas! E a Giselle? Onde andava? E o inspector? Hum? Pois...estas perguntas foram-me respondidas logo nessa mesma noite, quando fui ao ensaio da coreografia de uma música que tinha sido feita pelo Costeleta que..Oh! O nosso presidente! Já sabem da bomba? Ehhh a mulher po-lo fora de casa...andava enrrabichado por uma dona aí qualquer...Eu achei que era a Matilde, mas, depois do que vi e...senti no ensaio a pares, apercebi-me de que não era ela. Ou era ela ou fazia-se a mim também...Este meu dentinho parte corações! E este meu bom rabinho...Sim! Tenho um rabinho bem bom, como diz o fedorento do dono do burro. Enfim...O ensaio é à mesma coordenado por ele...Dessa não nos livrámos, mas a música é do Presidente Costeleta que agora arranjou uma casinha aqui na vila para morar sozinho. Agora é que vai ser bonito! leva as galdérias lá para casa! ...Será que me deixa lá entrar também?...Bom! Estava a falar do ensaio, ora bem, o Manel está lá, não é verdade? Está lá ele, a Giselle e o Inspector!! Sim, sim, os desaparecidos apareceram! E onde estiveram eles? Ninguém sabe...Mas, mesmo assim, a Giselle faz par com o Manel...A música é alegre e divertida, a letra é mais ou menos assim:

Cá estamos nós
nesta festa, pois então
Vamos lá cantar bem alto
Esta nossa bela canção

Somos todos tão felizes
E cantamos num bom tom
Este é o nosso sitio
Está mesmo mesmo bem bom!

Oh vila!
O nosso cantito
Dançamos esta música
Em honra de São Palito!

Oh vila!
Trazes a corneta,
As violas e as guitarras
A tocar p'lo Costeleta

E pronto! E depois repete e repete e repete, porque vá...O Costeleta não dá muito à inteligencia e a modos que também que tinha de ser pequenita para não massar os ouvintes, não é verdade? Pois...Ora, o ambiente estava de cortar à faca! A Giselle não fala com o Manel e dançavam até bem mas não olhavam um para o outro, mantendo uma certa distância, o que é normal relativamente à Giselle, não nos esqueçamos do cheiro do Manel. O padre e o inspector cantam tão...be...Mal!!!! Parecem duas araras com o cio! Duas portas velhas a ranger! Que horror!! E depois poem-se a discutir...
- Não esstá no tom certo, senhor prior! Parece uma proca a parir!
- Oh! Que mal criado! Seu Orlando troco o paço...Louvado seja o senhor!- dizia o pároco.
- Louvados sejam os meus ouvidos lindos!- dizia o policial.
- Eh! Oh caramelos! Bamos lá a tar caladinhos oh, faxabor!- Moderava o Manel- Bamos lá ber! Falo com o presidente e bai tudo pó...Maaauuu...isto não tá bom!- Eu estava bem, eu, Jerónimo, estava com a Matilde ali...a dançar a musica! Ela dança bem e apalpa-me de vez em quando...Claro que preferia a Marcoli...Quer dizer, outro par! Porque...a Matilde não tem muita carne e eu gosto de mulheres roliças! Bem, a Marcol...Há várias pessoas, quero eu dizer, que têm mais carninha, não digo na parte de cima, como a Ma...como certas pessoas, mas na parte das coxas!
- AI AIIII O PAI DISSE UMA ASNEIRA!
- CALA-TE E SAI DAQUI CRISPIM! RAÇA DO MIUDO QUÉ CUSCO COMO...AAAAII!- O meu puto é muito cusco...Não sei a quem sai! Ou melhor...Se calhar...E tem muita carninha também como...Bom! E nós dançámos tanto! Os pés já me doiam! Mas os ensaios vão muito bem, graças a S. Palito. Para além dos problemas sentimentais dos jovens, eu até gosto de lá estar nos braços magrinhos, é verdade, da dona Matilde...Mas ela dá bem ao corpinho e isso é, segundo o nosso coreografo, "bem bom!".

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A Evita da Vila Sem Nome

O meu pudiznzinho de caramelo chegou muito tarde a casa. Vinha todo desanrajado e com o bigode avermelhado.
- Onde andas-te até estas horas?
- Nem acreditas no que me aconteceu minha "vaquinha de pasto"! andávamos à procura da pequena Giselle e do safado do Inspector quando tropeço numa casca de banana e PIMBAS
bato com a cara no chão! como tem estado de chuva fiquei encharcadinho de água e sujo de lama!
- Ve lá só o teu azar! Uma casca de banana mesmo no teu caminho ... tens de contractar alguém para limpar as ruas da vila, são um perigo cheias de lama e lixo!
- Meu algodãozinho doce trato disso logo amanha de manhãzinha logo ao acordar! É acordar e tratar do assunto!
- Pois, pois ... porque nós queremos ter uma aldeia limpa e asseada, digna de São Palito não é?
- É sim meu amorzinho!
- Pois, mas agora diz-me lá uma coisa ... e o encarnado no teu bigode? Foi o quê? não me digas que no caminho para casa esbarras-te numa plantação de morangos?
- Olha foi isso mesmo! És tão inteligente minha gatinha!
- Realmente tenho uma inteligência acima da média e é por isso que NÃO CAIO NESSA! Plantação de morangos??? Mas julgas que eu sou estúpida?? Andas-te enrolado com uma flauzina qualquer!! Quem é ela? QUEM É? É a pega da cabeleireira não é?
- Minha "torradinha com manteiga d'alho" acalma-te!! Olha o escândalo! O que é que os eleitores vão pensar se te ouvirem para aí aos gritos!!
- Eu quero que eles se ...
- Minha "clave de sol" tem calma deixa-me explicar!
- É a tua última oportunidade! Se fores inventar ao menos pensa nalguma coisa credível!!
- Dás-me até amanha então?
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!! FORA!! FORA DAQUI!!!!
Se aquele imbecil pensa que me engana! Mas isto não fica assim ... ele vai pagá-las e ela também! Eu sou a primeira dama e o povo sempre teve um grande xarinho e apresso por mim! Ele vai implorar para que eu o deixe voltar ... mas não! Agora vai ver como é!! Vou convocar uma audiência especial para amanha logo de manhãzinha!
(No dia seguinte...)
Acordei bem cedinho ainda os galos do Manel não tinham cantado. Fui a Torres comprar uma nova peruca ainda mais cara que a outra. Cheguei a casa e tomei um longo banho relechante, com óleos perfumados, e muita, muita espuminha! Em seguida, escolhi o meu vestido mais caro e vistoso. comprei-o em Paris à 2 anos atrás, está um pouco apertado mas serve perfeitamente. É vermelho, tem uns pequenos cristais à volta do decote, decote esse bastante generoso mas chique e elegante. Escolhi os meus brincos de esmeraldas e a gargantilha que era da minha mãe.
Foi nestes preparos que me dirijo à varanda e estendo os braços ao meu querido e adorado povo.
- Meu querido e adorado povo! BOM DIA!
- Au, au, au - a Patrícia foi a única a pronunciar-se.
- Hmmm, estão muito fraquinhos! Quero ouvir BOM DIA!
- Bom dia Dona Prudência! Tá bem boa hoje!
- Obrigado pequeno individuo fedorento ... adiante! Devem estar muito curiosos para saber qual o motivo que me levou a convocar esta ... convocatória assim tão repentinamente!
- Não foi por causa que o seu marido andaba enrolado com a Eunice e a senhora o pos ontem na rua à meio da noite?
- Ahhhhh obrigado mais uma vez Manel! Estás a s...ser muitoo prestável! - filho da mãe tu és a seguir!
- Então se era iso já podemos ir embora? - e a seguir és tu Bica.
- Caros irmãos esperem! Em parte é essa a razão ... nesta altura dificil da minha vida preciso do vosso apoio, tal como eu sempre vos apoiei nos momentos dificeis das vossas vidas medioc ... fantásticas!
- Quer um ombrinho para chorar? - é impressão minha ou o Bica estás a fazer-se a mim?
- Quero anunciar aqui neste momento que ...

"Não chores por mim Vila Sem Nomeeeee ...
A verdade é que nuunca vos abandonareiii
Servos-ei fieel, por toda à vidaaaaaaaa
Se votarem em mimmmmm
Ainda levam um frigirífico!"
- A mim dava-me mais jeito umas peúgas para o Simão! O pobrezinho sofre muito com o frio!

Quimbé?

Ai Cristo! Queres ver que a minha Giselle anda por aí aos beijos de cinema com o nosso hospede? Ai Cristo, Cristinho, não pode ser! Vamos ficar faladas na aldeia. Ainda nem falei com ela por causa do desgosto que deu ao coitadito do Manel...E não é que agora o moço me aparece desmaiado? Quando chegámos a casa não tava ninguém! Nem Giselle nem inspector. Se toda a aldeia estava na missa, onde estavam eles? Não podiam estar nem no cabeleireiro nem no café nem em lado nenhum...Ai daqui a nada...Ai não...A minha Giselle não pode perder a honra! É uma menina pura e casta! Há de honrar a sua família quando desfilar de branco na igreja aqui da nossa paróquia! Ai se aquele inspector lhe tira a pureza...ai que eu não sei o que lhe faço! Sim, porque a minha filha é tão inocente, tão querida, tão nova. Meu amor, meu Quimbé! Peço-te, Quimbé! Protege a nossa menina! Protege-a. Agora tudo acalmou: O Manel levantou-se lá do chão da praça, foi para casa, a dona Marcolina foi para sua casa, o Jerónimo para o café, cada um para seu lado! Estava em casa a tricotar uma mantinha para o enchoval da minha Giselle que está muito bonita e...Oh...Sinto uma presença. Quimbé? Quimbé? MEU AMOR! QUIMBÉ ESTOU TE A SENTIR! Oh...as lagrimas correm-me pela cara a baixo. Deus ouviu o meu chamamento enviou-me Quimbé, o meu maridão! Conta-me Quimbé, meu bem, como tens passado? Hã?...Não te estou a ouvir! Quimbé? (uma janela bate com o vento) Oh! Sempre foste um vadio (risos), fujis.te meu malandreco! Mas sei que voltas. Tens de voltar...Ou então, meu bem, vai procurar a nossa filhinha. O quê? Queres que vá contigo? Mas está a chover! Mas eu vou à mesma...Pronto, Deus meu...Quimbé esteve aqui! Eu sei! Será que o seu espírto veio com a chuva? Oh! Espera Quimbé! Deixa-me vestir um casaquinho e pegar no meu chapéu de chuva. Seguir-te-ei, meu Quimbézinho. Foi então que segui o meu Quimbé. A chuva era muita e, na verdade, não via Quimbé, mas sabia que ele estava por perto e que me dizia: "Vém! Vém!". E eu fui. Quando andava praticamente a deambular pela vila e a espreitar todos os cantinhos, não fosse a Giselle estar na marmelada com o inspector num canto obscuro, ai, nem quero pensar, encontrei algo que me...intrigou. Já era quase noite, chuvia a potes e, num desses becozinhos da nossa vila, avistei dois vultos ao fundo. Dois vultos que se uniam num só, se é que me percebem. Eu sou velha mas ainda não estou chéché!
- Gise...- Ia eu a chamar, quando me aproximei mais e me apercebi de que não era a minha filha que tava lá toda engalfenhada com um sujeito. Cheguei mais perto. Tinha parado de chover, graças a Deus e a Quimbé que também deve ter ajudado à coisa (meu Quimbézão tão poderoso).
- Ai, meu amor!
- Ohhhhh!!- Gritavam as pessoas que estavam lá a beijarem-se no beco, aqueles beijos de cinema, aqueles, não sei sabem, aqueles de rodar em que as bocas se colam e depois é rodar...rodar...rodar...Eu no meu tempo não tinha nada disso! Eu morava em Vaquinha Branca, numa aldeia lá para depois de Torres e um dia o meu pai disse-me: - Tens de te casar!- E depois falou lá com uns amigos que conheciam um senhor que conhecia outro que tinha um filho também casadoiro e disseram que era mesmo aquele. Era, portanto, o meu Quimbé, que havia chegado de África à pouco tempo, mas que era bem parecido. E, apesar do preconceito pelo facto de Quimbé ser um bocado mais moreno (lá nas africas fazem se filhos ao sol e depois é o que dá), meu rico pai disse:- Ná mais ninguém, tã vai memeste!- E assim foi. Conheci Quimbé numa sexta, tomámos chá no sábado e casámos no domingo. Eu gostei logo dele! Ai...Era mesmo...Olha! Era bem bom, como diz o Manel da minha Gis...Pronto, o Manel. E olha, na noite de nupcias não houve cá beijos à cinema, de rodar, rodar, rodar. Nã! Agarrei-me ao estrado da cama, agarrei-me ao terço e olha...lá foi disto! No entanto a Giselle só nasceu à poucos anos, porque tive alguma dificuldade a...Shhiiiuu..Nós não queriamos ter filhos logo, era isso. Bom, mas depois de muitas tentativas (ai, Quimbé, quando me lembro até me arrepio) lá nasceu a minha menina que não era de certeza a pessoa que estava no beco naquele final de tarde! Ora, aproximei-me, aproximei-me e...
- SENHOR PRESIDENTE? E...DONA EUNICE?? MAS QUE POUCA VERGONHA É ESTA??- Eles ficaram estupefactos! O homem tinha o bigode com baton vermelho e ela tava toda bezuntada do próprio baton! Descabelados!Molhados! Que horror! Que tragédia!Lá está! Beijos de rodar e rodar e rodar! Malandros!
- Eu posso explicar cara senhora Mariana- disse ele.
- Matilde!- Disse a Euníce- O que faz aqui?
- Ando com o meu Quimbé à procura da Giselle...E você? O que faz aqui? Esta é a pergunta correcta sua...sua...aiiii meu S. Palito! O que dirá a senhora primeira dama! Ai...Boas razões tinha ela para não estar feliz e bem consigo! Sua...leviana!Vadia!
- Calma minhas senhoras, tudo tem solução!- dizia o presidente Costeleta que agora estava frita! Pelo menos quando a senhora Prudência souber...Só vai ficar o ossinho da costeleta, se ficar! Então, decidi não ouvir mais nada e correr para casa do Costeleta contar tudo à coitada da mulher traída! Voltei costas, eu e o meu Quimbé, claro (ai, meu Quimbé, chegas agora e vê lá o que vês...Não haveria melhor altura? Ou terás mesmo sido tu o responsável por eu estar naquele local áquela hora? Oh...sempre tão preocupado com as pessoas...Sempre tão justiceiro!), e, de repente, agarraram-me.
- Não vai contar nada!- Disse a Eunice.
- Ai isso é que vou! A senhora primeira dama é minha amiga!
- Nós arranjamos aqui uma maneira de resolver a questão- Disse o Costeleta...Mas vejam lá! Comigo não fazem farinha! Nem comigo nem com o meu Quimbé...oh...Estou-te a sentir...

Um escândalo ...

- Não sei se as minhas senhoras já ouviram falar o que se passou ontem à noite nos ensaios para a festa em honra do Palito ... um escândalo!
- Diga Dona Eunice!!
- A Giselle e o Manel das Coices romperam o "quase" noivado! E porquê? Porque esta foi apanhada aos beijos com o senhor inspector!!
- Ahhhhhhhhhhh - todas em coro.
- E eu não sou nenhuma intriguista, mas há quem pense que aquilo dura à mais tempo do que se pensa. Há quem diga até que ela está grávida!
É então que entra Matilde e o silêncio é geral. Todas fingem estar ocupadas mas a Dona Cremilde deixa escapar um risinho ...
- Passa-se alguma coisa?
- Nada, nada Matilde! - não me digam que a tonta da mulher ainda não sabe de nada!
- Eu tenho hora marcada, podes atender-me depressa? É que estou com pressa!
- Com certeza Matilde. - afinal parece saber.
Como era domingo rapidamente despachei as restantes clientes e toda a vila se dirigiu à igreja para assistir à missa. É evidente que o boato já se tinha espalhado e todos comentavam e especulavam acerca dos acontecimentos da noite anterior. Só a Dona Marcolina e a Dona Matilde se encontravam num canto sem falar uma palavra. Foi então que o padre entrou e deu ínicio à missa.
Reparei que faltavam três pessoas em especial. Nenhum dos três intervenientes no escândalo se dignou a aparecer. A matilde desculpou Giselle dizendo que não se estava a sentir bem e ficou em casa de repouso (o resultado ainda foi pior e só serviu para aumentar as suspeitas da gravidez), a mãe do Manel disse que este teve de ir ao mercado a Torres e que só voltava à tardinha) quanto ao inspector, o Ostentação disse que o viu passar por volta das 6 da manhã ao pé da praça e nunca mais o viu. Mas falta também o casal maravilha. Hmmm o meu instinto de cabeleireira diz-me que algo de estranho se está a passar.
A primeira dama não pára de me mandar olhares sinistros. Será que descobriu alguma coisa? Foi então que entra o Bica a correr ...
- Venham depressa!!! Houve outro desmaio perto da praça!!
Todos saíram a correr da igreja em direcção à praça. quem seria desta vez?
Eu fui das últimas a chegar e tive de fazer um grande esforço para chegar à frente e constatar que se tratava de ... Manel das Coices!
- Olhem afinal o espírito é aviado!! Também vai a homens não é só a moças!! - não percebi quem disse isto mas a voz era estranhamente parecida à do padre.
- Espírito? Mas qual espírito?? Eu sei muito bem quem fez isto! Só pode ter sido o inspectorzeco!! Ele é que anda atrás da menina Giselle! - gritou a Dona Marcolina.
Que estranho, nunca pensei que ele fosse capaz disso. A multidão dirigiu-se então à casa de Matilde para ver se o inspector lá estava. Apercebi-me que o padre estava a sorrir.
Quando lá chegámos a casa estava vazia. Não havia sinais do Inspector nem de Giselle.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Lindas pernas, magníficas pernas, esplêndias pernas, para que vos quero!!!!

- Eu não acredito! Sou uma autoridade nesta vila e por essa mesma razão não me vou por a cantarolar!
- Oh...Oh...Faxabor, oh senhor inspector! Aqui a gente todos samos gente do bem! Tás a oubir? Ninguém vai gozar!
- Está a dizer que canto mal, seu...seu...
- Manel.
- Manuel!
- Manel.
- Seja...- Que ódio! Bom, na realidade não me admira nada de ter sido o escolhido...Palavras para quê? A minha imagem fala por mim. Sou tão elegante...Mas, cantar?- Compreenda lá isto, vamos lá ver se nos intendemos senhor Manuel...
- Manel- dizia o ranhoso.
- Seja! Bolas! Sou uma autoridade! Não me vou por a cantar!
- Mas eu não tenho a culpa! O senhor enquadrou-se no prefil que trassei para os cantores!- disse o homem.
- Enquadrei? Bom...Eu sei que na verdade sou uma pessoa que, pronto...Fico bem em cima de um palco tenho uma boa imagem e uma boa presença...Mas mesmo assim! Nem pensar!
-Oh, senhor inspector...- Intrevem a Gisselle que está também metida no meio d"Os escolhidos"- Vá láááá...Não me diga que não me quer ver dançar!- Epa...
- Não é isso, menina Gisselle...Mas...
- Vamos lá a andar com isto que tenho o café sozinho!- Disse o Jerónimo do café daqui da vila. Eu estava tão reticente...mas pronto acabei por aceitar:
- Pronto! Está bem!...MAS! MAS! Eu so faço coros! Não canto a solo...
- Ai, moxo! Qué isso dos solos? Vamos fazer agricultura? Uma hortinha?
- Nada, esquece meu ignorant...meu bezerrinho- disse a miuda para o bronco...Hum...Outro facto que constactei (sou tão bom como inspector e observador que até me emociono comigo mesmo) o padre...o ranhoso do padre que estava lá quando a miuda desmaiou, a Gisselle...Ele a mim não me engana! Ele está se a fazer à miuda à grande! Ai, ai senhor prior será que vermos aqui, nesta vila, uma outra versão do "Crime do Padre Amaro"? Neste caso o "Crime do Padre Paixão"...O problema é dos grandes, ora vejam como sou bom a explicar: O bronco do Manuel (Manel) gosta, ama, adora, idolatra a Gisselle, mas ela não gosta dele, ela gosta de mim! Oh! Sim, eu sei que ela morre por mim, afinal que mulher não morre? E depois há o padreco que gosta da Gisselle...Oh! Eu fico com o prémio e eles ficam a chuchar no dedo! Sou tão...vencedor! Ou seja, eles gostam da moça, mas ela não gosta deles, aliás, ela nem deve fazer ideia de que o padre gosta dela...E eu sou um homem livre e pronto para...
- CANTAR! VAMOS CANTAR? Ai...louvado seja o senhor! Eu sou padre! Não canto! Rezo!
- Ai! Mas qué isto ò senhor prior? Começa com muitas coisas e não me casa a mim e à minha bezerrinha!- O Padre estava fulo...Assim como eu estava, mas que poderiamos fazer?
- Mas eu não sei cantar!
- Mas canta as músicas religiosas lá da casa do senhor!- Disse o Jerónimo, esse também estava ali para ajudar à festa!
- Mas é diferente!- continuou o pároco.
- Ai, eu cá também acho muito mal ser bailarina! Eu odeio! É o balançar do corpo! Ai, meu Deus ( e benze-se), que pecado!
- Mau, mau Maria! Tão? Ai o caroço das pessoas!! Bamos lá! Oh padre, deixe-me dizer, assim como não quer a coisa! Oh...Ohh, olha eu a piscar o olho, olha só...Que se não mexe a bundinha...
- Epá! É pa cantar, oh Manel! Quem tem de mexer o corpinho é aqui a Marcolina!- dizia o Jerónimo.
- Memo assim, oh pároco! Dê cordinha á guela porque senão o dinheiro da festa que ia para a igreja não vai mais!- Todos ficamos estáticos! Eu estou cá à pouco tempo, mas o Manuel foi inteligente!
- Não? Quem disse isso?- perguntou o padre ofendido.
- COSTELETA!- Disse o Manel.
- Au , au!! Au, au!!
- Calma, Patrícia- O mendigo entrava agora no recinto onde vamos ensaiar com a cadela atrás e dá um abraço ao Manuel seguindo-se um vómito...Que nojo, eu que estou sempre tão limpinho! Yac!
- Tás aqui a fazer meu amigo?- perguntou o Manel.
- Tão! Vim ensaiar, já que sou o apresentadeiro!
- Bem bom! Bem bom!- disse o Manel- Oh...faxabor! Apretem aí os traseiros no banco para o Ostentação se sentar-- O homem sentou-se com a cadela ao colo. O padre lá acabou por dizer que cantava tudo em honra do Senhor! Cambada de mentirosos. A dona Marcolina saiu da sala sem dizer mais nada e todos ficamos embasbacados, eu, claro, mais bonito que os outros...O meu embasbacamento é tão bonito...Depois de ela sair o Manel disse que não se tava para preocupar e que arranjava outra pessoa para o lugar dela.
- Eu posso ficar!- disse uma voz. Era a dona Matilde. Estava escondida a ouvir tudo enquanto fingia que limpava uma parte do recinto.
- Bem bom!- disse o Manel- faz par aqui com o Jerónico!- Ela sentou-se ao lado dele enrroscado-se, não acredito que a minha boca mais bela, linda e carnuda, vai dizer isto mas...Ela enrroscou-se "rabadamente" com ele, no banco. Enfim...O Manel prosseguiu:
- Tenho aqui a lista que o senhor Costeleta...
- Au, au!
- Calma, Patrícia.
- ...Fez!- continuou o fedorento- Ora vamos lá ver então: Barraquinha dos beijos...vai paaaaaaara!! XARAM! Dona Eunice!- Fez-se silêncio, a cabeleireira não estava lá.
- Ora bem! Alguém a avise depois! Adiante!- continuou- barraquinha dos abraços!! Vai paaaarraaaa Ah... Eunice...fica tudo junto, pronto. Barraquinha dos pontapés!! Ou seja, isto bai ser assim uma coisa de homens assim...braços de ferro e lutas! AHHHHh! BAOU GANHAR A TODOS!- O Manel gritava à nossa frente, em pé, enquanto nós todos olhavamos para ele sentados num banco corrido, todos apertados, alguns a gostarem mais que outros. Eu estava ao lado do padre...Nada mais doloroso, mas do outro lado tinha a Gisselle e isso acaba por ser...agradável.- Barraquinha da leitura da sina vai pa uma cigana que não é cá da vila e...Cremesse! O responsável bai ser...Crispim, o puto do Jerónico.
- Ai! Que orgulho! Meu filho! Meu filho!- Gritava o homem com o dente a reluzir- Meu filho vai ser cremesseiro!!
- Pois bai! E prontos!- concluiu o Manel- Agora, tenho aqui esta música e letra que eu fiz, na minha guitarrinha que é para a minha bezerrinha e que todos vamos cantar e dançar...- Quando ele acabou de ler a letra as reações foram diversas: O Jerónimo estava a dormir, a dona Matilde estava fazer croché, o padre rezava um terço, a Guisselle limava as unhas e eu...Eu...Eu estava a brincar com a cadela do mendigo! Ah! O mendigo era o único que ouvia...
- Bem bom! Que acham?- disse o Manel.
- Eu não vou dançar nem cantar nem fazer nada com essa musica de caca!- disse, curiosamente a Gisselle- Quando é que metes nessa cornadura que não vou casar contigo, meu burro!- Confesso...Até eu tive pena do coitado do homem...Feio, é certo, mas...coitado.
- Ai...Ai, bezerrinha não me digas uma coisa dessas que me partes o coração!- dizia o coitado. Ela levantou-se e chegando-se ao pé dele, o possível, claro, acrescentou:
- Até posso dançar contigo qualquer coisa! Ultimamente ando constipada, não sinto cheiro, isso é um ponto a teu favor! Mas...Não quero nada que tenha a ver com bezerrinhas e cabritinhas e PORCARIAS DESSAS! E FICA A SABER!!! O MEU CORAÇÃO É DE OUTRO!- E saiu a correr... O homem estava destroçado e começou a chorar baba e ranho! Típico! Uma reação típica de um homem como aquele...
- Nãaaaaaaaao, bazerrinha!! Não me deixes! És a razão do meu biber, oh! Faxabor! Bolta aqui coração!!!!- Ele estava de joelhos no chão e o Jerónimo tentava levanta-lo, mas sem resultados. Eu resolvi ir atrás da moça...Sou bom nisso também, em tentar resolver coisas, e assim fiz! apesar de ela me amar, eu sei que sim, o homem não merecia aquilo e eu não tou assim tão desesperado por uma bezerri...mulher, como o padre! Porque afinal...Ele é padre! Muahahaha! Bom! Fui atrás da miuda.
- Ei! Espere- dizia eu enquanto os meus cabelos loiros esvoassavam ao vento como pétalas de mal-me-quer numa tarde chuvosa.
- Já viu! Não pode fazer uma coisa dessas ao Manel! A letra nem estava assim tão má!
- Você ouviu a letra?- perguntou-me.
-HUm...Essa é uma pergunta um tanto ou quanto...Não.
- Então cale-se e... beije-me! beije-me! beije-me como se não houvesse amanhã, ou depois, fim de semana!!!!- Meu Deus! A raparinha trepava por mim a cima, sim, porque sou alto...lindo! Encostava bruscamente os seus lábios aos meus! Não pude evitar!
- NÃAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOO BEEZERRINHA!!!- Oh não! O Manel tinha vindo também atrás dela! Bolas! Estava à porta da Associação Recreativa! E não estava feliz! Estava enfurecido! Ela largou-me naquele momento e não tive dois minutos para começar a correr ( com estas lindas pernas) porque o burro, o animal mesmo, o Simão, corria na minha direcção com raiva a toda a velocidade!!!

domingo, 25 de maio de 2008

Vai ser o máior de todos os bailes em honra de Nosso Senhor dos Palitos

Sempre foi um sonho meu ... ser cor..corgr ... e pá inbentar as danças, os passos, os movimentos das ancas! Desde pirralho! E aqui está a minha oportunidade para eu probar que sou mais do que o gajo estúpido da aldeia, que não se laba, e leba sempre com as culpas em cima! (se bem que ultimamente tenho partilhado isso com o Ostentação). Vai ser a maior festa em honra de Nosso senhor dos Palitos que já se fez! Até porque não hoube outra, mas não interessa, bou ficar na história da aldeia como o Máior! E a minha bezerrinha vai casar com eu porque sempre ouvir dizer que os core.. os gajos que organizam os bailes têm gajas aos montes!
Bom, não há tempo a perder... hmmm primeiro tenho de tratar da música! agora bamos lá a ber quem canta bem cá na vila ... o Ostentação!!! Tá sempre a cantar, debe perceber alguma coisa do assunto! Feito! Já posso por um tracinho na minha lista ... hmmm ... ora cantoria ... Ost... e pá não sei escreber ... faço um boneco ... ora um tracinho é o corpo ... agora as peeeernas ... os braçooos e c-a-b-e-ç-a ... pronto! Eu sou realmente o máior1 bezerrinha já cá cantas!! Olha será que ela sabe cantar? Hmmm não me parece, e é melhor não por uma gaja tão boa ao pé do Ostentação.
Já temos cantor agora precisamos do coro ... talvez ... a Dona Marcolina! Tem assim uma boz estalad... alta ... é pá na igreja ela faz sempre uns sons estranhos debe servir, eu ás bezes chego a arrepiar-me com a boz dela! Tão deixa apontar 'pa não me esquecer ... hmmm ... uma cabeeeça ... pernas e braaços é sempre importante ... falta alguma coisa ... hmmm ... ah! O corpo ... seria boni...bonito se ela... (sou demais) não tibesse, tibesse corpo ... ai xou tão engraçado!! Mijo-me a rir comigo mesmo (opss, mijei-me mesmo!).
Em termos de música 'tamos despachados! Agora preciso de bailarinos, tába a pensar em algo simples um ou dois pares e depois o resto imita. Ora eu serei um dos dançarinos claro! tenho muito jeito e assim danço com a minha bezerrinha! Ora bou apontar ... bolinha para a c-a-b-e-ç-a ... braços e prejuntooos ... e corpinho bem bom! Agora a bezerrinha traços ... pernas ... braços ... corpinho e cabecita! Bem bom! Agora um outro par que dance mal para parecer que eu e a minha bezerrinha dançamos ainda melhor! Ahahaha! (Oh diabo! Mijei-me outra vez!) Se calhar convidava o casal nobo, ela tá prenha, não deve dar uma 'pá caixa e ele é um gajo que ... xoninhas! É pá inveitei uma palabra noba!! Bou apontar: mas não sei como se escrebe ... mas fui eu que inbentei logo ... posso inbentar! AHahahaha (...). Bom bamos lá apontar o casalinhoo ... cabeças ... traços ... corpo! Xaram está feito realizado! Mas falta alguma coisa ... o Simão tenho de o por a fazer alguma coisa, se não nunca mais me perdoa, é um animal pacífico mas fica impossivel sempre que o deixo de fora em organização de ebentos ... faz os coros com a Marcolina!
Tempo de me preocupar com a música! Tenho de escreber algo bem bonito, com significado ... já sei vou fazer uma declaração público do meu amor por ... agricultura! Ou ...ah sobre a Giselle de forma a informar a vila do casório!!! Assim ela não pode negar!!
(33 minutos depois)

Bom custou, foi duro, canxatibo, mijei-me de quatro a cinco bezes mas está pronto, cá bai:

Boa, boa, boa (coro)
Giselle tu és ...
Boa, boa, boa (coro)
Gosto de ti como do cheiro dos meus pés!

(Entram os bailarinos)

Minha bezerrinha meu amor,
Vamos os dois no meu tractor
Até Montemor
Ver o sol porrrr

(Bailarinos elevam as suas bailarinas e rodopiam)

Boa, boa, boa (coro)
Giselle tu és ...
Boa, boa, boa (coro)
Gosto de ti como gosto de limpar chaminés

(Bailarinos ajoelham-se em frente às suas bezerras e nesse momento rebenta o fogo de artificio. Em seguida o Simão dá um coice no Ostentação e ao cair este puxa um lençol que está num estendal estratégicamente colocado e onde está escrito "Giselle casa com eu - ah e já agora feliz Dia de São Palitos!").

Bou já ao café do senhor Bica deixar os nomes dos participantes. O orgulho que tenho de eu mesmo!!
- Senhor Bica cá estão os participantes que vão dançar e cantar na festa do Palito!
- Oh manel tás a brincar comigo? Isto são uma data de bonecos!!
- Retratos! Retratos dos participantes que é para aqueles que não sabem ler saberem quem são ora essa!
- Mas os bonecos são todos iguais!
- Não são não ... percebesse perfeitamente que este aqui é ... ah este, bê-se logo quem é ...
- Coices diz-me os nomes que eu aponto, ora para as danças quem é?
- Ah danças tá-se mesmo a ber eu e a bezerrinha!
- Hmmmm ... Manel e bezer... oh homem vais levar a cabra para dançar?
- Mas qual cabra é a Giselle!
- Precisamente ... tu lá sabes depois não te queixes que os homens tão a babar-se a olhar para ela. Ora já temos dois, quem falta?
- Mas tás cego ou quê vê-se perfeitamente bem que ... é ... és tu e a Dona Marcolina!
- Eu ???
- Sim tu ... algum problema?
- EU??
- Poixe claro estes braços são os teus sem dúbida!
- EUUU????
- Tu, tu, tu!
- Está bem.
- Então já me posso ir?
- Então e a banda?
- Isso é ... o inspector e o padre! Acho que se dão bem e tudo! E o Simão é berdade ... e o ostentação bai estar encarregue de apresentar!
- Tu é que sabes, vou afixar na porta. Quando começam os ensaios?
- Hoje à noite em na Associação Recreativa!

Festa!

Frederico Costeleta, eu, discurso para os seus eleitores:
-Povo desta bela e harmoniosa vila!
- Harmoniosa? Deves...Deves...(grita um do meio daquele bando de..)
- Eu, Frederico Costeleta, o vosso presidente, vou brindar-vos com uma...
- Com uma massinha e com um chouricinho! Ah ah ah ah ah (o povo todo ri)
-Costeleta com esparguete! Ahh ahh ahhh- com a intrevenção do amoroso filho do Jerónimo todos riem com mais força.
- Não!- prossigo eu- Não, amorosa e...redonda criança! Vou vos brindar com uma festa!!
(Silêncio)- Festa!- Repito eu para o caso de não me terem ouvido.
-Pa quêi?- Grita o Coices de cima do burro.
- Uma festa- digo eu- para...Para...Festejar!- (Silêncio)
- Pa quêi?- Grita lá o burro de cima do animal.
- Porque sim! Porque daqui a uma semana é dia do...da...dos...
- Namorados!
- Não, querido povo!- digo eu enrrascado.
- É algum feriado?- perguntam eles.
- Não, não, não!! É dia de...Pat...Moca...Sua... S. Palito!
- Palitos? Epá, já palitava o dentinho- disse o Jerónimo.
- Acalma-te Patrícia. disse o mendigo à sua cadela que rosnava para a minha pessoa.Todos ficaram a olhar para mim que estava em cima de um banquinho que o Jerónimo me tinha arranjado ao pé do coreto na nossa magífica praça. Ninguém conhecia o grande S. Palito, pudera, hi hi hi, inventei-o. Nem sei bem o que é um palito, mas como não podia gritar para a minha queijadinha naquele momento, foi mesmo aquele nome. Expliquei aos incultos e analfabetos seres daquela vila o que era o S. Palito e foi mais ou menos assim (modestia a parte safei-me muito bem).
- São Palito, meus caros habitantes, vem dos tempos antigos em que esta vila era nada mais nada menos que nada!S. Palito foi...foi...
- Ah!- Grita o puto do Jerónimo- Não me venha dizer que S. Palito foi o primeiro habitante da vila sem nome! E que foi ele que começou a construir todas estas casa e a plantar coisinhas para as pessoas comer e a chamar população para aqui! Por isso fazemos esta festa!
- Ah! Grande criança! Como...Como sabes tu tudo isso? Hum?- perguntei ao miudo que me tinha feito a papinha toda. Como disse, sai-me muito bem.
- Eu invente...
- CAAAAALAAA-TE criançaaaaa!!! Não precisas de dizer nada!! És um grande miúdo, o teu pai deve ter orgulho em ti!
- "Au, au", calma Patrícia- dizia o mendigo.- Após alguns segundos de silêncio a multidão rompeu numa euforia louca!
- Uma festa! Temos de ir ao cabeleireiro, meninas!- diziam uns
- Clientes!- dizia outros.
- Comida!- Dizia os...o mendigo.
- Au, Au!- dizia a Patrícia.
- Mas oh faxabor senhor bife!
- Diga caro eleitor fedido!
- A festa vai ser o quê, afinal? hum? É que nós queremos aqui uma festa bem boa! Bem boa! É não é pessoal??- A multidão vibra e eu sinto-me adorado!
- Sim! A festa vai ser bem boa! E não é bife, meu amigo, é Costeleta!
- Au, au!Cala-te Patrícia- mendigo.
- Bom! Mas como estava a dizer, caros eleitores, a festa vai ter tudo!Tenho aqui uma lista que eu próprio fiz! Vai constar, então: Comida, bebida, cremesse, barraquinha dos beijos, barraquinha dos abraços, barraquinha dos pontapés, barraquinha da leitura de sina! (Viva! Viva!, gritavam eles). E mais! Vai haver música, convocarei um grupo, claro está, de voces mesmos, que terão de actuar na festa! Mas não temam! Já tenho aqui os nomes das pessoas que iram cantar e dançar!!
- Deviamos ser nós a escolher! Isso tá errado!- Ops...Não posso deixar que me odeiem...
- Muito bem! Então as inscrições estão abertas e o local de inscrição é no café do Jerónimo!
- Ai é?- disse o Jerónimo.
- É- disse eu- E mais! A festa irá durar três dias e irá haver fogo de artificio!- A multidão explode de alegria! Ah...adoro isto.
- Não concordo!- Disse uma voz. Era o inspector. Todos se calaram e abriam alas para o moço passar- Um homicidio, três desmaios, o de Matilde, Marta e mais recentemente Gisselle,um acto suspeito num WC...O que poderá acontecer na festa? E para quê esta festa? Só vai baralhar tudo!
- Bom...- disse eu- Quem se opuser que ponha o pé no ar!- Ninguém pôs, claro...Esta gente tão preguiçosa...ainda se fosse a mão...Mas o pé..puff...Apenas a cadela Patrícia se juntou a um candeeiro e ergueu o pé, mas depois conclui que ela também estava de acordo, visto que só ergueu a pata, o pé, seja lá o que for, para urinar. Mas...ah! Por mil costeletas gregalhas! Há um pé no ar! Gisselle? Raios!
- Eu concordo com o inspector- disse ela aprecendo á minha frente por entre a multidão- Aliás, acho totalmente despropositado!
- Anda cá, pshuti! Oh Bezerrinha do meu coração! Cala-te, bebé! Não vês que podemos dar mais umas beijocas sem a tua mãe ver, na confusão da festa?- disse o Coices aproximando-se da Gisselle, tentado abraça-la.
- Totalmente despropositado!!- Repetiu ela umas trezentas vezes- Não acho nada bem!!- E encaixou-se nos braços do inspector que a olhava de lado, assim como o Coices que olhava de lado para o seu burro que, como não estava preso, podia fugir.
- Bom- disse eu acagaçado- Então...Mais alguém?- Ninguém disse nada- Então! Daqui a oito dias é a festa! Inscrevam-se para cantar e dançar no café do Bica e tratem tudo com a minha esposa relativamente às barraquinhas!- A multidão vibra!- Atenção! O grupo que vai actuar só pode ser composto por apenas quatro pessoas! Apressem-se! A selecção vai ser feita por...por...Pelo senhor Maurício!
- Eu???- disse o próprio- Não me meta nisso!- Entretanto alguém saltava na multidão.
- Então...Pela senhora Marcolina!- aquela pessoa saltava na multidão.
- Ai! Credo! Eu não! Nunca! Pecado! Pecado! Ai, meu Jesus Cristo!
- Senhor padre?- perguntei ao ao padre. Ele fez um movimento coma cabeça e eu percebi que não- Senhora Matilde?- Entretanto a pessoa saltava no meio da multidão.
- Não tenho jeito para escolhas...Escolhi uma unica coisa bem na minha vida: O meu Quimbé que Deus tem!
- Ele está no meio de nós- disse Marcolina.
- Quem? O meu Quimbé?- disse Matilde.
- Não mulher, Deus! Ai, louvado seja o criador...- pressegui.
- Marta! Estará sensivel agora que está grávida! É ideal!Será você!- disse eu esperando uma resposta positiva.
- Não me meta a mim nem à minha mulher nisto! Por favor!- disse logo o Maurício...Cambada de gente mediucre!- Ai...Eu não posso ser! E não vou por o mendigo mais a seua Patrícia a fazer isto! Então tive de perguntar:
- Então quem quer?
- Eu!!!!!! Oh! Faxabor!!! Eu!!!!
- Então...Mais ninguém?- perguntei. Nada. Ninguém.- Bom, então, sendo assim, a selecção e a coreografia será feita por Manel dos Coices! E assim me retiro, bla bla bla com muito amor e carinho o vosso amado presidente Costeleta!
- "Au, Au!", calma Patrícia.

Acho que estou apaixonada!

Esta gente tá cada vez mais estúpida! Agora reunem-se na rua porque a mulher está grávida. Aplaudem até! Isto só pode ser da pasmeceira que se vive nesta terrinha sem graça. Como não se passa nada tudo é motivo para festejar. Já foi a mesma coisa quando encontraram o Crispim à porta do café. Primeiro era milagre, era o filho que Deus pos na vila para nos salvar das garras do padre Eurico. Depois desconfiava-se da Dona Marcolina, por amor de deus a mulher nem deve saber ... bom. E ainda houve quem disse-se que era filho do próprio Presidente!
Eu estava presente quando apareceu o senhor inspector e ... que homem! Há anos que espera por alguém assim, um principe encantado montado no seu cavalo branco para me salvar de todas esta ...
- Bezerrinha! Não sabia que estabas aqui!! Bieste dar a tua resposta?
- Do que estás a falar? Ahhh do casamento? Fofinho sinto que me estás a pressionar, dá-me mais um tempinho, tenho estado muito ocupada!
- Mas tu gostas de eu! Eu gosto de tu! Simão gosta de nós!
- E eu ... gosto do insp... de ti e do Simão! Mas vamos com calma e além disso não sei se a mamã vai gostar.
- Mas a tua mãe é louca por eu! Bê só ... Dona Matilde, bocê tá bem boa hoje!! Bês, ela até fez um gesto e tudo, de ... como quem diz ... és o homem 'pá minha pequena casa-te já com ela oh faxabor!
- Olha, olha ali!! Tão a vender cenouras à entrada da vila ... o Simão ia adorar!!
- O quê?????
Ufa, lá se foi. Ele nem é mau de todo, mas quero melhor para mim e sou nova de mais para casar. Não passa de amanhã, vou ter com ele e digo-lhe ... vou ter de inventar uma desculpa qualquer ... qualquer coisa que o enoje.
Fui para casa e fartei-me de puxar pela cabeça. Enojar o Manel não é tarefa fácil. Talvez se eu disse-se que ele tinha de tomar banho todos os dias ou eu não casava com ele ... aí está!! A coisa que mais enoja o Manel é ÁGUA! Perfeito!!
Comecei imediatamente a rasgar as folhas do meu diário onde tinha escrito Manel com corações à volta e outras tolices do género. E comecei a pensar no inspector ... ai, ai
- Giselle? Não me ouves a chamar para o jantar? - a minha mãe com o seu sotaque irritante.
- Sim minha mãe vou já agorinha!
- Ah esqueci-me de te dizer. O senhor inspector vai ficar conosco por uns tempos enquanto não se resolve o caso da Dona Bárb ... Lizett ... Fernan ... da velha que morreu com a faca espetada nas costas, a prima da Dona Marcolina!
Não ouvi o que ela disse, fiquei completamente bloqueada na palavra "inspector" e depois no inspector em si. Ele olhou para mim e sorriu. Nesse momento o mundo parou, tudo em volta dele escureceu, e só o via a ele ali parado, o seu corpo de deus, o seu cabelo de ouro ...
- Giselle???? Filhinha??? Estás bem??
- Ela desmaiou senhor inspector!!!! Desmaiou como a ...
- Eu estou a ver minha senhora! Acalme-se! Deve ter sido a minha beleza ... quer dizer o calor, deve ter sido o calor!
- Mas estamos em Janeiro senhor inspector!!! Isto é tudo muito estranho, ahhhhhhhh a minha menina!!! E se ela morrer o que será de mim????
- Acalme-se mulher!!! Ela apenas desmaiou devido à minha masculini ... à humidade! Isto já passa!
- E o cheiro??? Este cheiro dos infernos cheira a ... a ...
- Peido
- Senhora Primeira Dama que faz a senhora aqui??
- Querida Matilde! Uma Primeira Dama não serve só para representar o seu povo nos eventos importantes, nos chás com as mulheres chiques, nos bailes de gala e nos festivais de sardinha. Seve igualmente para estar ao lado do seu povo, ouvir as sua necessidades, socorrer nos momentos dificeis e sempre com um sorriso uma palavra de conforto!
- Mas afinal o que faz a senhora aqui?
- Querido inspector ainda não tivemos o prazer de sermos apresentados! Sou Prudência Costeleta a primeira Dama da Vila Sem Nome. É de facto um prazzzer conhece-lo ... assim em pessoa ... assim pessoalmente em contacto manual e quiçá ...
- Esta senhora Primeira Dama é de mais! Na verdade estávamos de passagem. Vinha-mos de casa do Mauzinho e da agora sua prenha esposa! Ou esposa prenha? De qualquer forma, ouvimos um grito e viémos acudir!
- Obrigado Jerónimo, sempre foste um bom amigo!Ajuda-me a levá-la para o sofá!
- Ora vamos lá a ver (arregaça as mangas)! Upa moça! Upa! Uff! A magana é mais pesada do que parece!
- Com licença não o quero cansar avozinho ... deixe o único homem presente fazer o seu trabalho!
- Que homem!!! Carrega-a sem qualquer esforço! Quem me dera que o meu leitãozinho me carrega-se assim!!
- Bom é melhor chamar o médico para ...
- Chamem mas é a Eunice! Foi ela que adivinhou o que se passou à pouco! - ao dizer isto, o seu dente de ouro brilha, sempre que Jerónimo "sente" que diz algo inteligente isto acontece.
- Vocês não vão chamar aquela mulher outra vez pois não?
- Porquê senhora dona primeirissima dama? Faz problema? - um outro dente de Jerónimo apodrece sempre que assassina a gramática.
- Não, claro que não! Mas a mulher é cabeleireira o que é que ela percebe de medicina?
- A Primeira Dama tem razão! Jerónimo vai chamar o senhor padre, sempre é melhor nestas alturas! E ele gosta tanto da minha Gisellelzinha!
- Eu vou falar com o meu "pastelinho de nata" para ele chamar o médico então!
Alguns minutos mais tarde ...
- Aqui está o senhor padre Matilde! - os dentes de Jerónimo não sofreram qualquer alteração.
- Mas o que se passa? Ela está doentinha?
- Senhor padre! Estávamos a começar a jantar quando a Gisellezinha desmaiou! Não acordou desde então!! O que é que eu faço sem a minha menina???? Buáaaaaaaaaa!!
- E este cheirinho o que é??
- Peido
- Finalmente o médico!! Muito obrigado senhora Primeira Dama, você é uma santa!
-Oraentãoquetemestamenina?Ouvidizerquedesmaioujáfaz32minutose45sengundos!
Hummmgravegrave,istoégrave!Aúltimavezqueviumcasoassimfoi...humm...àpouco,
àpoucochamaram-meàcasadaquelecasalextremamentestranho.
Acasatinhoumcheiroesquisito,esquisito!Comoesta!Bommasnãopercamostempo!
Aconselhoquedêmumachapadaàmoçaparaelaacordar...ora...PIMBA!
-Au!!!!!
-Ohcáestáela!Cáestáela!Vivinhadasilva...
agoraésourepousarecomeralimentossólidos,não,não,liquidos...cozidos!
Enadadecanelonesissonãoseriabomnestemomento,não,não...
oraentãoatéàvista!TenhoumpartoemAlenquer,jáestouatrasadotrêsoras,eaindaporcimasão
gémeos...esperoquenãoestejamentalados!Dequalquerformafoiumprazaer!Atéàvista.
- O milagre da medicina! Este senhor nunca me falhou! Foi ele que faz o parto da filha da nora
da vizinha do nosso Presidente da República!
- Simpático o homem! Ainda à gente simpática - o dente apodrece mais um pouco.
- Ao menos foi eficaz! Vejam já a temos de volta! - o inspectorrrrrrrrrrrrhmmmm (á própria narradora baba-se)
- O que é que aconteceu??? Eu ...
- Tu desmaias-te filhinha! Mas agora está tudo bem, a mamã está aqui!
- Mas para quê toda esta gente?
- Ora é muito simples mocinha! O senhor inspector está aqui alojado, a tua mãe deu-te à luz e por isso achou por bem estar aqui neste momento, a Dona Prudência está a fazer campanha, o senhor padre vinha te dar a extrema unção e eu vim para ... olha não sei! Mas a televisão está avariada e o café fecha às segundas para balanço!
- Ainda bem que estás bem Giselle! Assustaste-me a forma como olhas-te para mim antes de caíres ...
- Deve ser impressão sua! Eu estava a olhar para o quadro atrás de si! Está cheio de pó! Mamã tens de tratar daquilo e ...
- Senhor inspector diga-me ... eu como Primeira Dama, que se preocupa com as necessid ... bom adiante ... o senhor não acha tudo isto muito estranho! Afinal, num dia duas moças desmaiaram e o cheiro é ... é estranho! Você e esse seu cor ... cérebro ... não acha que se passa algo? Eu temo pelos meus eleit...amores!
- Tem toda a razão! Mas eu já estou a tratar do assunto e tenho os meus suspeitos! A minha querida sabe com certeza que o criminoso volta sempre ao local do crime e para isso basta examinar quem estava presente quando ambos os desmaios ocorreram ...
- Por amor de Deus!! Não estamos a exagerar um pouquinho??? Foram apenas duas raparigas de desmaiaram? Isso são conspiraçõezinhas da treta feitas por um inspectorzinho de segunda!
- INSPECTORZINHO DE SEGUNDA? Mas você pensa que está a falar com quem? Seu padreco de meia tegela!!
- Tu é que és!
- Não tu é que és!!
- Eu disse primeiro! E para além disso você não está em condições de acusar ninguém! Eu estive a investigá-lo e descobri que você ... não é aquilo que diz que é!
- O quê? Você não fazer parte do clube de xadrez de Odemira? - mais uma vez o dente apodreceu.

Anda cá, Patrícia. Vamos ver o que é aquilo ali!


"Chi-na-pá tanta gente! Boa! Deve ser comida à borla, já estou farto de comer o esparguete que sobrou do aniversário do Frederico Costeleta de à 5 semanas atrás! Anda Patrícia!", pensei eu, puxando a trela da minha cadelinha raferia, a minha Patrícia. Estava muita gente à porta do casa do casal novo que se instalou aqui na vila. A senhora é tão simpática, da-me sempre uns trocadinhos e uns biscoitos à Patrícia quando ás vezes lhe peço. "Ena pá! Já viste aquilo, Patrícia? Está ali a senhora Primeira dama! Cá para mim isto é obra do presidente e...Oh! Que belo penteado tem a senhora. Está sempre tão bem arranjada, não achas Patrícia?" "Ão, ão", fez a cadelinha como forma de dizer: Deixa de ser mentiroso Carmindo que não te fica nada bem a senhora parece que tem uma doninha morta na cabeça! Ai...Patrícia, Patrícia, a mulher que nunca tive! "Vá, Carmindo Ostentação!És mendigo ou és o quê? Vamos lá ver o que se passa ali!". E lá fui eu a cantar umas musiquinhas românticas, sim, porque sou um mendigo com coração, não é Patrícia?É pois. Fui então ter com aquela gente toda. Quando cheguei afastaram-se, não sei porquê. Parei ao lado da primeira damosa e quando me viu, a senhora, assustou-se e disse:
- Ai, cruz credo! Saia para lá seu rafeiro!
- Não, não, a Patrícia é que é rafeira! E sou Ostentação, Carmindo Ostentação, um mendigo ao seu dispor. (E fiz uma vénia. A senhora cheirava bem).
- Ui! Chegue-se para lá que não quero contaminações!
- Uuuhhh!Uhhhh!!- gritou a multidão em meu auxilio e ouve-se lá do fundo:
- ÊÊÊ tás bem boa, tás! Oh primeira dama de um raio, que não gostas de um pobre mendigo! Assim tás bem boa, tás! Bais ber! Bais ber onde meto o meu voto para o teu marido! Ai, bais bais! Vai direitinho para o meu...
- Epá! Vamos lá a parar com isto, oh Manel...- disse o senhor Jerónimo da Bica- Mas ele tem razão, senhora Prudência- disse o cafézeiro aproximando-se da perua-...O mendigo é boa pessoa!
- É bem bom!- Rematou o Manel.
- B'rigada Manel, meu amigo!- disse eu. Ele é porreiro, às vezes da-me o resto da comida do burro dele. Não é muito bom, mas serve. E aliás, junto dele pareço mais limpo e isso agrada-me.
A senhora Marta acordava de um soninho.
- Então, dona Marta? Agora também dorme na rua como eu?- perguntei.
-Hã? O quê? Mauzinho?- disse ela.
- Não, seu paspalhão! Não vê que ele a trouxe cá para fora para a moça apanhar ar?- Disse a dona do cabeleireiro. Pronto, não sabia. Pedi desculpa.
- MÈDICO! Por favor!- disse o jovem do casal. Estava zangado a ponto de enfurecer a Patrícia.
- Tenha calma! Patrícia! Larga as calças do senhor! Você assustou-a, está a ver?
- Tire-me esta cadela rafeira daqui! Preciso de um médico! Nem um médico há nesta terrinha! Que nojeira!- Gritava o homem com a Patrícia à perna.
- ÊÊÊÊ tem lá calma ou mariconso!- Gritou da multidão, outra vez, o Coices- Tás aqui tás ali! Nossa terra é bem boa! É não é? Ai o caroço!- A Patrícia assustou-se mais uma vez. É uma rafeira sensível, a pobre bicharoca, e partiu da perna do Maurício para a perna do Manel dos Coices que foi uma maravilha. O Manel começou a gritar e a chamar pela mãe e fugiu com a Patrícia atrás. Mariconso? Afinal qual dos dois?
- O senhor é médico?- perguntou-me o jovem do casal.
- Eu? Não, sou mendigo.
- Então despareça daqui! E leve consigo esta gentalha que não presta para nada!- O Manel já não estava lá para contestar, mas o Jerónimo fez questão de acalmar os ânimos:
- Oh Sr. Mauzinho, vamos lá ter calma na linguinha!- disse o cafezeiro.
- Sim! Está para aqui a dizer mal da gente! Olhe...digo-lhe já- dizia a cabeleireira- o que a sua mulher tem digo-lhe eu e não perciso de nenhum médico nem nada, porque os anos de cabeleireira que tenho me deram muita escola! Ora observem- disse chamando à atenção e empurrando bruscamente a primeira damosa que caiu de rabo para uns arbustos que estão em frente da casa dos queixosos- Diga-me, Marta- prossegui a Euníce- Tem tido enjoos ultimamente?
- Oh...ainda hoje de manhã, após o Mauzinho sair...Ai, senti-me tão mal...Mas isto são os Ovénis Eu sei que...
- E diga-me outra coisa- continuou a estilista de gadelhas- tonturinhas? Tem tido?
- Não muitas...Mas hoje na casa de banho deu-me uma tão grande ao ver aquele...
- Ah! Senhores e senhoras e...Primeira dam...senhora Prudência: A nossa Marta...A nossa querida e amada Marta...Está grávida!- A multidão aplaudiu e depois instalou-se um borburinho. A Patrícia apareceu naquele momento com um pedaço de tecido na boca. Todas as pessoas, e mesmo a Patrícia, estavam boqueabertos! Prenha? A mulher que não emprenha!?
- Meus senhores! Meus senhores! Isso não faz sentido!- Dizia o Mauricio de braços no ar para acalmar a população- A minha mulher desmaiou porque se impressionou com algo estranho! Um "Q", pintado com geleia no nosso espelho da casa de banho! E o cheiro que estava na casa pode-lhe ter provocado tonturas!- A multidão disse um uniforme "OOOOhhh", de espanto.
- Pois...- Disse a Euníce- Só com um testezinho é que saberemos...Eu assim não consigo perceber nada!
- Mas eu vou perceber- disse uma voz rompendo a multidão- Ou eu não me chamo Orlando Manteigas! (pisca o olho à cabeleireira e faz um sorriso que de tão branco me ofuscou)...Ai...aqui vamos ter pano para mangas...Mas...Será que me dão um bocadinho de pão para eu ir aproveitar a geleia que está no vidro da casa de banho do casalinho? Ninguém vai comer! Um docinho é bom! É bem bom!

Sou a Primeira Dama, exigo respeito!

Não se pode confiar em ninguém nesta vila! Depois do incidente do cabelo passei frequentar o salão "Perucas Formosas - Senhoras Glamorosas" em Torres Velhas perto de Vila-Nova do Sabão. Não tem o nível de uma pessoa do meu estatuto, mas ao menos ninguém me conhece e não tenho de ser confrontada com certas e determinadas pessoas. Nunca mais falei com a Eunice, ainda não sei o que pensar nem o que dizer. A verdade é que pode ter sido um acidente, mas e se não foi? Sou a primeira DAMA e tenho de me dar ao respeito. Não vou passar pela vergonha de estar a ser enganada por aquelas catatuas sem vida, nível ou higiene aceitável. O certo é que encontrei umas perucas bastante elegantes e quem ainda não sabe (de certeza que a senhora em questão está a fazer o seu trabalho e a divulgar o incidente) elogia bastante o meu novo penteado ... "Parece mais nova minha senhora!" ... "Olhem que elegante está a nossa primeira Dama" e ocasionalmente um piropo ou outro mais atrevido ... "Estás bem boa" diz o rapaz do burro, se bem que acho que se referia ao animal em questão. E não sou idiota, sei que a senhora em questão vai aproveitar a situação para ganhar publicidade, mas eu refiro sempre que o meu novo penteado foi o resultado de uma breve viagem a Paris (esta gente é inculta e acredita que é tão rápido ir a Paris como a Murronhenha de Cima).
Estava eu a desfilar pelas ruas e a acenar aos eleitores quando avisto uma grande agitação à porta dos recém-chegados, ou como eu lhes chama a flauzina e o enfezado. A rapariga parece que tinha desmaiado na casa-de-banho e ele veio para a rua pedir ajuda. O senhor Crispim subiu para ajudar e o café ficou às mãos dos pobres alcóolicos que depressa se lançaram à cerveja. De resto estavam às portas as pessoas do costume, as velhas cuscas, as jovens cuscas, as mulheres de meia idade cuscas e Eunice, a traidora. Pensei que seria uma boa altura para fazer propaganda ao meu maridinho, mostrando ser uma primeira dama acessível, que se preocupa com os problemas insignificantes do povo mas sempre com charme e elegância (adoro a palavra).
- Abram alas meus grandes queridos! Deixem a vossa Primeira Dama, a vossa SALVADORA passar e tentar resolver esta situação que tanto nos atormenta.
Ouvi alguns aplausos, mas a senhora em questão olhava-me de lado mas quando a olhei nos olhos, sorriu amareladamente. Devolvi o sorriso e entrei porta a dentro que nem uma Nossa Senhora de Fátima pronta para salvar o dia.
Não pude deixar de reparar que a casa estava limpinha, um brinco, mas a decoração era um pouco exagerada, demasiadas cores para uma casa de adultos. Quando entrei na casa-de-banho eu próprio senti uma tontura, o cheiro era nauseabundo! Meu Deus esta gente não conhece um sabonete, não tem um perfume, algo? Considero a flatulência um dos maiores males da nossa sociedade, à frente da fome e atrás dos dentes podres!
- Mas afinal o que se passa aqui meus amores, meus queridos eleitores ... quero dizer ... amores outra vez!
- Minha senhora primeira Dama, ajoelho-me a seus pés, minha grande senhora ...
- Caro Jerónimo ora essa! Sou apenas uma simples mulher preocupada com os problemas do meu povo, a razão do meu viver!
- Eu sei que não me conhece mas eu sou o Maurício! Muito obrigada por ter vindo ... não conheço ninguém por aqui e precisava de um médico ela ...
- Sim, vejo que desmaio e imagino porquê o cheiro é insuportável ...
- Eu sei o que deve estar a pensar, mas o cheiro não estava cá quando eu saí! Alguém esteve aqui e ameaçou a minha mulher!!
- Calma! Tem de haver uma explicação para isto tudo. Afinal esta é uma vila pacífica, está bem que morreu uma velha com uma faca espetada nas costas a semana passada, mas não vamos exagerar! - o senhor Jerónimo, sempre inoportuno.
- Vamos lá a ver. A questão é bastante simples a sua mulher aparentemente sofre de problemas intestinais, provavelmente causados pela geleia que está no vidro. A pobre rapariga deve ter dado um ... va lá um ... "peido" e assustou-se e vomitou o pequeno almoço! Acontece ás melhores famílias.
- Desculpe ... um quê? - pergunta o enfezado.
- Peido
- Tem de falar mais alto minha senhora! Toca a abrir as vogaizinhas! Vogaizinhas para cima! - começo a ter problemas com este Jerónimo.
- Um episódio de gás indiscreto e desagradável!
- AHHHHHH!!! É um pum Maurício! Estas senhoras chiques falam de maneira esquisita.
- Vamos lá a ver ... eu não sou médico nem nada, mas parece-me QUE NÃO SE DESMAIA DISSO! POR AMOR DE DEUS CHAMEM ALGUÉM QUE PERCEBA DO ASSUNTO!
- Pronto, pronto acalme-se vou falar com o meu "alhinho francês" para ele contactar o nosso médico pessoal para se dirigir à nossa vila o mais depressa possível. É sempre um prazer ajudar os mais necessitados!
Nesse momento acorda a flauzina. O mais provável é ter estado a fingir o tempo todo, tem mesmo ar de ser daquelas mulheres viciadas em atenção e como o marido é um ... um ... "pãozinho sem sal", já nem sei o que digo! O certo é que estava com demasiado bom ar para quem estava a morrer à 3 minutos atrás.
- Que ... Que é que aconteceu?

sábado, 24 de maio de 2008

Tudo é tão estranho!


-Já lhe disse que não sei de nada, estou atrasado.
-Só lhe queria fazer umas perguntinhas!
- Saia da frente da porta do meu carro se faz favor...
- Oh! Com certeza, mas diga-me: Onde estava no local do crime? Hã? Estava na pouca vergonha com a sua esposa? Estava? Ou estava no trabalho? Estava na pouca vergonha, sim, eu sei que sim! Ah...mas olhe infelizmente ela não há meio de ficar embuchada não é? Pobre moça...
- Importa-se de sair da frente do meu carro, dona Matilde? (buzina)
- Ai! Não saio se não me responder! Oh! Não me responde porque estava a trair a sua mulher! Ai...pobrezinha, para além de não emprenhar como a vaca ainda tem os cornichos da bicha!
- SAIA!
- Saia? Ai...sim, sim eu bem vejo como olha para a saia da dona Eunice ali do salão! Para a saia e para as pernas e tudo o que vem de cima e de baixo!
- Por amor à sua própria vida, dona Matilde, ou sai da frente do meu carro ou eu passo-lhe a ferro! Faço isso ou não me chamo Maurício!
- Passar a ferro? Bem a dona Marcolina me disse que tinha dito à sua mulher se queria que lhe fosse passar uma roupa a ferro lá a casa e ela disse que não...Tem alguma coisa a esconder, senhor Maurício? Sangue numa camisa? Umas calças rasgadas com resíduos de cadáver?-É incrível...A mulher não me deixava passar e eu super atrasado para agência! Ainda me fritam se chegar mais uma vez atrasado. Loucas noites de amor é o que dá...Custa sempre levantar da cama...
- DONA MATILDE! OLHE! A SUA FILHA AOS BEIJOS COM O PADRE!
- Oh! Minha Santinha! Onde???- E saiu da frente do carro. Raios parta a velha. Arranquei a toda a velocidade. Mas...Porra! Com tanta pressa esqueci-me da minha pasta. Tive de voltar atrás.
- Marta! A pasta do trabalho?- disse eu ao entrar em casa- Marta! Amor!
- Olá! Ai o tempo passa a correr! Ainda agor...Hum...Amor, temos os relógios todos adiantados! Ai, meu Deus! Queres ver que é mais um fenómeno dos Etês? Ai...Queres ver que andam ai os OVÉNIS!!!!- Estúpida. A minha Marta às vezes...Mas ela é tão linda e tira tanta humidadezinha do tecto e faz comidinha tão bem...
- Não, Marta! Acabei de sair, amor...A pasta?
- Tá na mesa da cozinha.- Fui buscar a pasta e saí a correr e ainda pude ver pelo espelho retrovisor que a Marta tinha saído de casa e olhava para o céu aterrorizada. Pobre mulher, anda toda trocada por não conseguir engravidar. Sou tão macho, como não consigo engravidar uma mulher? Bom...Naquele dia estava particularmente mal disposto. Parece que a dona Matilde desconfia de mim relativamente ao assassinato da prima ou irmã ou sei lá da dona Marcolina. Não fiz nada! Nem conhecia a mulher! Só sei que tinha um gato persa que me mijava o quintal todo (e como cheira mal xixi de gato) e um dia, quando me esqueci da janela do carro aberta, me arranhou os estofos todos! Agora já estão arranjados, mas o gato nunca mais se viu pelas redondezas! Muahahahah! Calma, não dei cabe do gato, se é isso que estou a induzir! Não. O bicho foi apanhado por um camião grande que passou aqui. Pobre bicho, ricos estofos. Enfim...Mas, curiosamente, o inspectorzeco que se faz à Marta descaradamente (não sou ciumento, apenas...só um bocadinho do tamanho de uma uva. Maçã. Melão. Melancia...Ah, ah! Não! Estou a brincar, apenas adoro fazer joguinhos com nomes de frutas! (yac)) ainda não falou comigo...Nem uma pergunta. Espero que ele não se baseie nas opiniões da dona Matilde! Mora com ela e tal...Ás vezes penso que se calhar ter saído de Pouca Parra não foi assim tão boa ideia. Não sei...Depois da morte da mãezinha ainda sinto isso. Sinto-me sozinho, bolas. Tenho a Matinha mas...Preciso de um filho. Preciso de alguém que me ame incondicionalmente! A Marta da-me amor mas não chega e o facto de nunca mais ela...pronto! Irrita-me um bocado! Mas também não sou homem para lhe dizer isto, nem pensar. Ela morria no momento. Ai...Esta vila é tão estranha. Desde o presidente ao homem do burro. Simpático...O burro. Ninguém tem um gesto de hospitalidade...Enfim, tento não pensar muito nisto porque também agora não tenho dinheiro para mudar de casa. Cheguei ao meu lar, então, depois de um dia de trabalho.
- Marta! Estou cheio de vontade de...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Mauzinho!!!!!!!!- Ela gritava lá de cima do quarto. Larguei tudo! Subi as escadas! Ela estava a gritar com as mãos na cabeça em cima da cama! "Um rato, certamente", pensei eu.
- Onde é que ele está, Marta? Onde? Eu mato-o!- Tirei o sapato para matar o malandro- É grande? De que tamanho? Hã?- Gritava eu, olhando para todos os cantos do chão.
- Ai...Um fantasma! Um fantasma! São eles, os OVÉNIS!- Pronto. Parei e calcei o sapato. Fui ao pé da cama e puxei a Marta para baixo, fazendo-a sentar.
- Querida, essas coisas não existem, ok? Vá lá, coração...
- Mauzinho eu vi! Eu vi uma sombra!- dizia ela a choramingar.
- Foi outra coisa qualquer...Tens a certeza que não foi a tua , como no outro dia em que estavas a lavar a loiça e te assustas.te com a tua própria sombra?- perguntei.
- Não! Não! Era uma coisa esquisita e deu-me arrepios! Oh Maurício, amor, eu não estou a brincar...- Bom, ela chamou-me Maurício. Das duas uma: Ou está zangada comigo, o que não me parece que seja o caso; ou está...está a dizer a verdade??
- São coisas da tua cabeça. Ambos sabemos que estás perturbada por não conseguíres engrav...- Palavras mal escolhidas. A Marta levantou-se da cama num ápice e correu para a casa de banho. Sou tão idiota! Como é que vou dizer estas coisas num momento como...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!- Oh, não...Corri para a casa de banho. A Marta estava no chão, desmaiada e no espelho estava escrito com qualquer coisa (porque é que acho que era geleia?) a letra "Q", em grande. Petrifiquei.
- Meu amor...Marta! Acudam! Acorda, Marta! Acorda, querida! Acudam!

Aos leitores do cabeçadas

Caros leitores (se é que existem),

Passamos a anunciar que integrámos na nossa história desenhos das personagens. Pedimos desculpa por não o ter feito mais cedo mas...não deu.
Avisamos também que todas as postagens de cada uma das personagens tem a sua "foto" mesmo as mais antigas, por isso, e para começarem a conhecer melhor os nossos amigos da vila sem nome, sugiro que vão às postagens atrás, mesmo à primeira, e vejam como são a Matilde, a Marta, entre outros.

Beijinhos e muitas cabeçadas no céu,
Marijoana

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Cambada de pecadores!

- Ai minha querida prima!! Ai a minha adorada prima! Prima é como quem diz, porque éramos como irmãs. Éramos tão chigadas. Sempre partilhámos as nossas alegrias, as nossas angústias ... íamos a todas as missas juntas e no finzinho do dia eu fazia um cházinho e depois massajávamos os pés uma da outra! E agora ela morreu! Foi ter com o Criadori e deixou-me aqui sozinha nesta terra de pecadores!!
- E qual era o nome da sua prima? - pergunta o inspector um homem que transpirava pecado por todos os poros.
- Era a minha querida ... a Fernan ... não, não ... Eugén ... não essa era outra ... Jandir ... Ahhhh a dor é tanta que não me recorda!!!
- Eu preciso que me diga tudo o que puder sobre ela, quantos mais detalhes mais depressa descubro o assassino.
- Mas ela foi ...
- Assassinada sim! A pobre coitada tinha uma faca espetada nas costas, não me parece que tenha sido um acidente doméstico!
- Meu Deus! Que horror!!! A minha pobri e santa prima Gabri... Susan... Bernarde... Josefi...
- Minha senhora será que poderíamos ... é que eu tenho outras coisas para ...
- Helen... não, não era com T... Teres...ou se calhari com M ...
- Eu vejo que está muito perturbada, volto noutro dia então!
Fui a correr para a igreja. Precisava de falar com alguém que compreendesse a minha dor e a única pessoa capaz disso é ...
- Senhor padre espero não o estar a perturbari muito. A minha alma precisa de conforto espirituali! É que discubri que a minha queridissima Josef... Zéli...
- Dona Marcolina desculpe mas tenho um baptizadozinho ás 16h30! Não a posso atender agora. Falamos antes amanhã no funeralzinho que tal? Parece-me mais apropriado e...
- Mas sinhore padre onde é que eu vou descarregar a minha angústia, a minha tristeza, a minha mágoazinha?
- Olhe sendo eu padrezinho não posso frequentar certos sítios, mas em confissão muito boa gente me diz que não há melhor sítio para relaxar do que no café do Sr. Bica! Não lhe fará mal conviver com o resto do povinho. Agora adeusinho que tenho as minhas meias no estendal à chuva ... Até mais ver!
Era o que faltava! Trocar o conforto espirituali da Igreja, o contacto com o nosso Senhor por uma dúzia de bêbedos que passam as tardes a olhari para a janela da Dona ... coisa para verem passar a prostitutazinha da filha dela de toalha de banho! Cambada de pecadores! Gente sem nível!
Entrei e parecia o próprio Inferno ... corpos imóveis, inchados, deitados no chão rodeados de poças de alcool. A criança estava a comeri amendoins que estavam no chão e o Jerónimo todo fanfarrão a limpari as canecas enquanto cantarolava uma qualquer música pagã. Dei um passa atrás em direcção à porta mas ... tarde de mais o Jerónimo viu-me!
- Marcolina?? Que estás tu a fazer aqui? A procissão vai passar pelo meu café?
- Engraçadinho! Eu vim aqui para ... fazer um favori ao senhor padre! Ele precisa de ...
- Senta-te mulher que eu sirvo-te já qualquer coisinha para te fazer sentir melhor. Eu sei o que aconteceu à tua prima! É pa se precisares de alguma coisa diz-me por favor ...
- Oh Jerónimo!! - grita um bêbedo lá a trás.
- ... os amigos servem para estes momentos ...
- Jerónimo anda cá rápido!!!
- ... podes ficar lá em casa uns tempos se quiseres para não ficares sozinha e ...
- Jerónimo ela tá sem toalha!!!
- ...Quê???
- A Giselle pá!!!! Tá sem toalha!!!!
Aqueles broncos colaram-se ao vidro que nem uns cães! Foi preciso a Dona ... coisinha ameaçar que ia chamar a polícia para os tirari dali.
- Então ... criancinha que estás a fazeri?
- Eu? 'Tou a tirar macaquinhos do nariz para encher o pires dos tremoços ... o papá diz que cria a ilusão de estar mais cheio e também diz que cuspir para a cerveja também ajuda porque a vida está cara e não à dinheiro para comprar ... coisos ...
- Que criancinha adorável ... adorável mesmo adorável ... (nojo)
- E ás vezes o papá diz assim ... "oh filho tens vontade de fazer chichi??" e eu " não papá!" e ele "Faz por isso porque a cerveja acabou-se!" e eu "Ah então 'tá bem" e então baixo as calças e...
- Por amor de Deus filhinho poupa-me os pormenoris!!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sou um homem, sou um pai, sou um amante da vida...Por: Eu mesmo.


Sei de tudo, de toda a gente, de todos os objectos, do sol, da chuva, do vento, dos bichos, enfim...Sou um cidadão do mundo que é esta vila! Bom, basicamente sou eu...Basicamente sou alguém...basicamente sei de tudo porque tenho um café; de toda a gente poque ouiço conversas; de todos os objectos que as pessoas deixam no meu café, perdidos; do sol porque tenho uma plantação de guirassois no meu quintal; da chuva porque, para além dos girassois, tenho alfaces, coves, cenouras, pimentos, nabiças, nabos plantados na minha hortinha; sei do vento poque vivo sozinho com o meu piqueno e tenho de por a roupa a secar...bem que me fazia jeito uma madama, mas já sou tão velhote...Nunca casei, acham-me um machista, um bruto e um insensível, mas não sou! Ah! E sei dos bichos porque tenho caruncho na madeira. Sabidos pá! Levam com o sprey e nem assim falecem! O Crispim às vezes come-os, está um homem feito, não acham? Epá, mas vamos lá ver uma coisa: Ninguém sabe da horta, hã? Nem dos girassóis nem de todas essas "mariquices" e nem é para virem a saber. Não desconfio de quem está aí desse lado, oh leitor que estás sentado nessa cadeira a pensar que podias estar a fazer algo muito melhor do que estar aqui...Sei também das palavras! Faço versos, textos belos! Mas, epá...calminha! Sou muito macho! Não vamos por piadinhas fatelas! Mas, lá está, gosto de explorar o meu lado sensível que se esconde debaixo da minha camisola com nódoas e das minhas calças lavadinhas à dois anos ( O Coices já me propôs um desafio mas não me parece, até porque estou a pensar lavar as minhas amanhã. Ai, amanhã não tenho tempo...Não, depois. Depois também não tenho tempo...Talvez...Só pode ser para o mês que vem. Bom! Os versos que faço não são dedicados a ninguém, aliás ninguém os vê. Neste momento estou a escrever na minha escravaninha de madeira...Ai! C'um caroço! Filhos da mãe, estão me a comer a gaveta das folhas...Bichas d'um...Belos bichos que são seres vivos! Seres da natureza! Seres do paraíso! Criaturas de Deus! Merd...Já estás! Cabr...Agora tás! Já não vives mais! Hum...err...Não vives mais neste mundo cruel, oh bichinho da madeira! Animal pequenino mas com uma grande vida! Sabe-se lá como foi a tua passagem por esta vida, como fintas-te o futuro,como encontras-te o limiar entre a vida e a morte! Ai...Está-me a dar uma coçeira! AH! VÃO ME COMER AGORA? Chega. Estou infeliz. Estou a perder client...
- Oh, paaaaaaaiii!!
- Qué?
- Ond' tão os meus Chnélos?
- Tão ao pé dos blos que chegaram para a venda no café!
- Quê?
- CAFÉ!
- AH! B'gada!- O meu filho, Crispim...Bom, estou a perder clientela! Houve um crime perto do café e agora há pessoas que não vão lá, ao café, pois claro, porque dizem que podem induzir o inspector a algo. Têm medo de serem considerados suspeitos. Pelo que a dona Marcolina me disse, coitada, está destroçada a pobre mulher porcausa da morte da parente, as pessoas têm medo de serem acusadas por que dizem que "o assassino volta sempre ao local do crime" e se o inspector as vê lá...Estão feitas!
- Oh dona Marcolina- disse eu à dona Marcolina- Mas no meu café não houve cá falecimentos! Nunca um óbito tomou uma bica aqui, queira a senhora saber! Aqui não há nada dessas coisas!
- Oh senhor Jerónimo- diz-me ela- Mas eu...
- NÃO TÃO LÁ!- Crispim volta e fala-me lá de dentro.
- OH RAIOS PARTA O MIUDO! TÃO...
-NÃO TÃO PAIIII!
-AGORA NÃO ME VOU LEVANTAR DAQUI! DAQUI A NADA APANHAS! (Olha...Zás! Mais um bicho do inferno! Este já vai para o mundo das alminhas! he, he, he!)
-JÁ VIIIII!
- TAVAM ONDE, FILHO?
- TAVAM JUNTO ÀS HORTALIÇAS PARA A SOPA DE AMANHÃ, AO PÉ DAS TUAS MEIAS DE ONT...DE ANTEONT...DE À UMA SEMA...DE À UM ANO!
- OK! AGORA VAI BRINCAR C'O COICES! DESOPILA!- Ai...é preciso ter tanta paciencia para este meu rapaz. Bom! Como estava a dizer, a dona Marcolina disse que tinha receio de que o inspector desconfiasse dela por ela ser uma mulher tão misteriosa.
- Misteriosa?- disse eu, quando estava a falar com ela- Oh, dona Marcolina! A senhora é transparente! Vê-se que é temente a Deus! Uma mulher sábia...vivida (e ela ia se chegando ao balcão), bela...(e ela chegava mais), carinhosa...(maaaais)atenciosa... (ai que ela cai cá para trás do balcão e vê que os queques dela são feitos com a massa que sobre dos outros bolos) e...perigosa!- conclui.
- Perigosa?- disse ela indignada- Eu? Oh!- E deu meia volta e saiu.
- PERIGOSA NO SENTIDO DE...- E depois não continuei, porque, apesar de não estar muita gente no meu café, os que estavam iam-me dar de comer para a semana. Para trás ela deixou, caído, demaiado, derrubado, em cima do balcão, o seu terço madre-pérola...Guardei-o com carinho e agora olho para ele...Oh! Santo Deus! Santo Deus! Como amo...Como amo madre-pérola! E como estas madre-pérolas...Epa, bem avaliadas e vendidas...He he he! Temos comida para um mês! Santa Marcolina! Epá, qué aquilo?Ahhhh magano!...Zás! Este já vai para a barca infernal!

domingo, 18 de maio de 2008

Diário de uma cabeleireira de aldeia


Fala-vos Eunice. Sou a dona do salão de beleza "Tosquia do Paraíso", tratamos do cabelo, fazemos depilação, manicure, pedicure e outros milagres. Sou bastante talentosa e garanto que com a minha ajuda muito boa moça já arranjou par. Bem sei que o meu lugar é em Paris ao lado dos grandes artistas capilares, mas infelizmente não tenho posses para viajar e assim vou ficando por aqui atendendo aos desesperos de uma data de mulherzinhas simplórias que não sabem o que é a verdadeira classe. Mas o que estou eu para aqui a dizer! Devem pensar que sou uma pessoa horrível que se diverte com a desgraça dos outros ... e é verdade! Mas claro que é sempre bom manter uma aparência cuidada, um sorriso carinhoso, e gestos generosos para com o próximo e principalmente não manifestar a sua opinião (embora tenha muitas), ganham-se muitos amigos e descobrem-se muitas verdades.
Sou uma rapariga trabalhadora, e por isso levanto-me cedo e abro o salão às 8h00 em ponto todos os dias, incluindo domingos (sempre ganho uns trocos em dia de missa). Todas as mulheres da vila me visitam ao longo da semana, mas sem dúvida nenhuma a minha melhor cliente é a senhora primeira dama a fabulosa Dona Prudência ... uma grande besta! Com todo o respeito por o senhor seu marido, um homem de classe que não merecia aquela mulher tão desengonçada, sem um pingo de classe, que tenta esconder os seus problemas de flatulência com perfumes caros. Mas claro que sou sempre muito simpática e atenciosa e ela considera-me a sua melhor amiga. Conta-me tudo o que preciso saber para o cabeleireiro (este não vive só de rolos, escovas e de secadores, vive principalmente de cusquices) e ainda um pouco mais, coisa que dispensava muitas das vezes. Apesar de despresar a mulher, considero que me é bastante útil, sendo que me encontro entre as pessoas mais importantes da vila. Frequento os jantares importantes, as festas com os presidentes das outras freguesias que são sempre uma óptima oportunidade para estar perto do meu chuchuzinho, o amor da minha vida o meu ... Fredy Lamchop (eu percebo de inglês e é uma forma mais segura de tratá-lo de forma a não sermos apanhados)!
Devem pensar que sou uma mulherzinha estúpida, com sonhos irreais e que sonha ser primeira dama, e é basicamente isso! Aliás já dura há dois anos e ninguém nos descobriu e com algum jeitinho em breve serei Eunice, Primeira Dama de "Vila sem Nome". E aí sim posso viajar por todo mundo, aparecer nas revistas ao lado de estrelas de cinema e ...
- Eunice! Não cheguei muito cedo pois não? - Prudência entra no salão com o seu enorme casaco de peles (claramente falsas, só ela não se apercebe).
- Claro que não Madame! Tenho tudo pronto para a sessão! Por onde começamos? Vamos revitalizar a sua cor explendorosa, fazer a permanente ou depilar as suas graciosas axilas e bulo?
- Vamos fazer a cor do cabelo então, já se notam as raízes, mas apetece-me fazer algo de diferente para o meu boião de mel ... que acha?
- Acho simplesmente fantástico madame (uma bela oportunidade para arruinar o casamento). Ainda à poucos minutos recebi uma encomenda com novas cores para o cabelo, ora veja ... "preto noite de trovões", "ruivo por-do-sol", "castanho terra adubada com estrume", "castanho adubado com estrume 2 - versão com aloe vera" ...
- Parecem todos fabulosos, mas não sei, queria algo assim diferente ... queria parecer mais nova. Como sabe o meu marido gosta de olhar para as raparigas mais novas, eu sei que sim, gostava que ele olhasse assim para mim outra vez!
- Então tenho aqui a cor perfeita para si ... "Louro, Castanho, Ruivo e Preto"!
- Isso parece demasiado! O efeito não será um pouco bizarro?
- Não, não nem eu o aconselharia se assim fosse!
- Mas já testou ou já viu alguém que tenha pintado o cabelo dessa cor?
- Vamos lá a ver, assim bem bem não, mas ... olhe vou ler o resto da caixa pode ser que diga alguma coisa ... "Transforma os seus cabelos sem graça em verdadeiros arco-íris de sensualidade, fontes de beleza e com o brilho de uma constelação! Aviso: este produto não foi tes(...)" aquelas referências aos químicos, a composição, coisas sem interesse ... ora cá está! Este produto é a escolha de grandes estrelas de cinema como Marylin Monroe, Bette Davis, Katherine Hepburn ... perfeito!
- Mas aonde é que está a ler isso? Não vejo isso em lado nenhum??
- Veja bem, aqui não está a ver? Aqui ...
- Oh filha com a caixa tão longe não cons ...
- Bem é melhor começármos antes que cheguem mais clientes a quererem e depois torna-se vulgar! Veja lá ...
- Pronto, pronto está bem! Confio em si!
- Então vamos a isso ...
(Duas horas depois ...)
- Você está espantosa! Que visão! O Fredy ... quer dizer o senhor seu marido vai adorar!
- Bem está a deixar-me ansiosa ... ora deixe cá ver!
- Não!! Passemos de imediato à depilação, o cabelo está pronto e o salão começa a encher, como disse não quer que ninguém vá copiar o seu novo penteado!
- Tem toda a razão querida Eunice.
- Para além disso não acha que o jantar em honra da santa padroeira seria uma óptima oportunidade para mostrar a sua nova aparência?
Ela concordou, tenho muitos poderes! É fantástico como as mulheres conseguem confiar tão cegamente nas suas cabeleireiras. Acabámos a sessão e ainda a convenci a sair pela porta de trás para não ser vista e para ... não se ver! Foi aí que ...
- Ai Jesus! A senhora dona primeira dama está carequinha que nem uma baca!
Eu juro que qualquer dia ainda mato aquele Manel das coices!!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sim, porque eu sei que sou bom!


Puff...Gentalha. C'os diabos! Esta gente daqui da vila troca-o-paço é mesmo esquisita, mal dita a hora que pus este corpinho dos deuses neste terreno. Sou bom de mais para estar aqui! Não, não sou narcisista! Não sou! Mas aqui, mesmo que fosse marreco, coxo , ceguinho, maneta eu era o "melhorzinho". Raios parta a velha que tinha logo de falecer por agora, quando me estava a preparar para ir cortar o cabelo, por gel, comprar roupa nova, vestir o meu fatinho todo pipi e zarpar para aquele cruzeiro de solteiros que andavam a anunciar...Garinas, mil garinas, milhões de garinas! Mas...Não! O que tenho agora pela frente é uma velha morta ,por não sei quem, diz que é para isso que aqui estou nesta vila ranhosa, para descubrir; um homem atadinho que anda sempre a cheirar o local do crime que tem uma mulher...epa, bem jeitosa! bem torneada! Ai! Orlando! Estás aqui para investigar quem matou a velhinha! Tu vê lá...Pena, o pior é que ninguém me consegue resistir! Não há nada que eu possa fazer! Sim, eu sei que sou lindo e que as mulheres se derretem ao me observar, ao sentir o meu cheiro, ao me sentir! Derretem-se como manteiga no Verão...Ai, como sou gostoso. Enfim, há muita gente estranha e eu fui calhar logo na casa de uma senhora extremamente estranha que tinha um quarto para alugar, a dona...Clementina?Martina? Ma...tilde. Matilde, é isso. Tem uma filha a Cristina. Não, a Gumercinda, não, Giselle. Atiradiça...Bom! Mas isso é normal, as mulheres ficam alteradas quando me vêem, não é? Ainda no outro dia ia a sair da casa de banho com a minha toalhinha à cintura, com o meu cabelo molhado, mil e uma gotas pairam nos meus pelos do peito, estava tão charmoso...e então, a velha , a Matilde, obviamente, porque a morta...Bem! Eu podia ressuscitar a morta com o meu charme! Até ressuscito os mortos, como sou bom. Então ela sai do quarto cuja porta é em frente à da casa de banho e desmaia. Sou mesmo belo. Tentei reanima-la, mas a toalhinha caiu e corri para dentro do quarto da senhora. Cheirava tão mal, tão mal lá dentro...( Será que ela apanhou uma overdose daquele cheiro e foi por isso que desmaiou? E o meu charme? Não...Foi por minha causa. Sou tão lindo.) Cheirava mesmo muito mal lá dentro! A...enxofre ou a...cáca! Uuuurggghhh...Parecia que a velha...Enfim! Acordei-a depois, com todo o meu swing e ela olhou para mim e disse: " Quimbé! Estou te a sentir! Quimbé!!!". Quimbé? Quererá dizer beleza noutra lingua? Ou homem extremamende sedutor? Bom, sou investigador, hei de investigar isso, quando tiver tempo. Porque agora é o homicidio da velhota. Diz que era irmã da maior cusca aqui da vila...Foi comprar leite, e não se sabe mais nada. Apareceu mortinha da silva numa esquina perto do café de um homem rafeiro daqui. Chamava-se...Patareca? Patilda? Sei lá! É a velha morta! Ainda por cima não tenho o meu assistente comigo...Sozinho não sei se consigo. Todos desconfiam de um mendiguito que anda para aí, epá, mas eu sou profissional! Não pode ser assim! Agora ainda vou pesquisar pistas! Estou só à uns dias aqui (3 dias) e é incrivel como já todos me adoram, com certeza porque sou muito comunicativo e sedutor. Ai...pistas!Pistas! Pistas, meus caros! Quero pistas! E quero divertimento! Sou um homem novo! Nem um cabaretzinho há aqui nesta pasmaceira! Umas garinas a mostrar as ligas! Epá, não vou sobreviver! Se não fosse tão bonito e simpático para comigo mesmo, não sei o que seria de mim...Ai, como te amo "mim".