quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Boa noite!

- Boa noite princesa! Já não te via a horas!!
- Eu não me tou a sentir lá muito bem ... por isso acho que vou ignorar! Emprestas-me um balde pa eu vomitar é ... que eu ... acho que ...
Sinceramente não me lembro do que se passou a seguir ... até me custa dizer ... vou tentar arranjar uma forma bonita ... depois de eu ter saído para fora de mim devido à minha indesposição causada pelas bebidas espirituais que eu ingeri devido ao desgosto gentilmente proporcionado por aquela ... CABRA! (Desculpem mas não há outra forma de dize-lo).
A verdade é que nem sei onde estou. Ora, estou num quarto ... mas não é do hotel. Mas eu nem me lembro de ter saído do bar!! A não ser que ...
- Boa noite princesa!!!
- Ahh!! Mas estou a ter um dejá vu?? (isto começa a ser repetitivo) Mas ... o que ... onde estou?
- Não te preocupes que estás segura. Trouxe-te para a minha casa! Não é grande mas é confortável. É para aqui que trago as minhas conquistas ... porque não sei se reparas-te mas sou um garanh ...
- Tony!!!!! Vem cá abaixo imediatamente!!!! Vem por a mesa!! Deves pensar que sou tua escrava ...
- Quem é? Está cá mais alguém?? Isto não é ...
- Infelizmente não ... é só a minha mãe. Ela está cá por uns dias, porque ... esteve doente e então ... eu dei uma ajuda. Mas logo logo vai embora eu sou muito independente sabes!!!
- Pois ... mas o que é que aconteceu no bar? Não precisas de mencionar o vómito (opss) disso eu lembro-me (como me poderia esquecer ... que vergonha!!).
- Nada de especial, ficou tudo a olhar, alguns riram, outros tiraram fotografias, coisas do género. Depois arrestei-te para a cozinha limpei-te, estavas uma lástima mas se quiseres eu peço fotografias, e depois trouxe-te para cá! Achei que era o melhor a fazer já que enquanto estavas "lúcida" não paravas de repetir as seguintes palavras: bicha ... sem-abrigo ... (soluço) ... ai a minha vida ... eu gosto é de canelones ... e depois vomitas-te se não estou em erro.
- Sabes acho que perfiro não saber! Muito obrigado por me teres ajudado mas vou voltar ao hotel para arrumar as minhas coisas. Vou ver se apanho o avião para Portugal ainda hoje.
- Mas tu podes ficar aqui quanto tempo quiseres!!! Eu durmo no sofá!! Não vás agora ... é que ... haaa ... estamos na altura da passagem de ano! Tu não vais conseguir uma passagem tão em cima da hora!!!
- Não obrigada! Para mim chega de férias. Acho que vou mesmo ficar pela minha casinha e comer as passas com a Dona Emília.
Ao descer as escadas, devo confessar, deu-me vontade de ficar. A casa era realmente pequena, muito mal decorada ... mas cheirava bem, a uma casa vivida. Quer dizer consegui aperceber-me do cheiro a rosas dos canteiros á janela, dos bolinhos que coziam no forno, do chá acabadinho de fazer e até do wc pato da casa de banho!
- Deixa-me ao menos apresentar-te á minha mãe! Acho que vai gostar muito de te conhecer!
Assenti com a cabeça, afinal quis aproveitar mais um pouco naquela casinha tão confortável, fazia-me tanto lembrar a casa da minha avó Filomena!
- Ohh a princesa já acordou!! Eu sou a Eugénia! É realmente um prazer conhecê-la!
Ela era bastante diferente do que eu tinha imaginado. Quando a ouvi do quarto deu-me a impressão de uma velhota simpática, com uma toca na cabeça e uns chinelinhos a arrastar pelo chão. Mas era até bastante elegante e bem conservada para a sua idade ( ou para a idade que eu imagino que tenha). É muito vaidosa. Reparei que usa o Chanel nº5 apesar de estar atarefada com a lida doméstica.
- Ao menos fica para jantar!
Não sei porquê mas não consegui recusar.
Ajudei o Tony (nem acredito que é esse o seu nome) a por a mesa. Era uma mesa humilde, tinha o essencial. No entanto a comida estava divinal! Não há cozinha como a portuguesa e depois de algumas horas em Londres passei a dar-lhe mais valor.
Descobri algumas coisas sobre o Tony. Era filho único. Vivia em Londres desde os 16 anos quando os pais se separam. Veio com a mão para a Londres atrás do sonho dela de ser atriz de teatro. Ela diz que não se sente confiante, e que cada vez mais pensa em desistir, mas o filho assegura que ela é espantosa!
Com os bolinhos e um café acabou o jantar. Sentia agora um peso no coração. Queria levantar-me mas não conseguia. Que coisa tão estúpida ... eu mal os conheço! Fui até um pouco malcriada saí da mesa, peguei no casaco e despedi-me com alguma frieza.
apanhei o taxi para o hotel e felizmente não me cruzei com o Carlos. Deixei-lhe um bilhete a dizer que ia voltar para casa e nada mais.
Fui comprar o bilhete. A fila era enorme ... eu só queria despachar-me, comprar o bilhete e partir ... aquela demora ia fazer-me mudar de ideias ...

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