quarta-feira, 16 de abril de 2008

Rápido

O Carlos lá se calou um bocado. Tirou logo o seu indespensável espelho da malinha e começou a inspeccionar a borbulha com um ódio vizível.
- Ainda falta muito para chegar?- perguntei ao tipo.
- Não, não estamos quase.
- O senhor não pode acelarar mais um bocado? Estamos com pressa, sim?
- Não posso passar por cima dos outros carros, tenha paciência.
- Ela tá a fugir do chuchuzinho dela, ah pois está...- Carlos. nem liguei abri a janela para entrar um bocadinho daquele ar gelado de Londres. Finalmente chegámos ao aeroporto.
- Adeus...Olhe, adorei falar consigo, estar consigo. É uma excelente pessoa e vê-se que tem bom coração. Felicidades para a sua família, amigos e conhecidos que...- Sim, o Carlos despedia-se desta maneira do condutor do taxi enquanto eu tirava as mil e uma malas dele da bagajeira.
- Vamos embora, Carlos- disse eu.
- Adeus! Adeus, bom homem! Tenha saúde!
- Anda embora, Carlos.
- Adeus! Comprimentos à sua esposa!
- Mexe-te, Carlos.
- Um bom ano para si.
- CARLOS! - rebentei.
- Ai pronto, amor...desculpa.

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