segunda-feira, 10 de novembro de 2008

The New Gil


- Bom dia!
- Bom dia, Gil! Bom olhos o vejam...ou não, quer dizer, mas que olho negro é esse?
- Hã?...Ah, nada, nada senhora Adelaide, fui eu que fui de encontra a um armário.
- A sério? Parece que andas-te à pancada...E a Regina? Ai, está tão linda, a rapariga! Ela está por lá para o restaurante?
- N...
- Ah! Claro que não, que cabeça a minha, está com a Rosália, não é? ISMAEL TRÁS O CHERNE! Onde é que eu ia? Exacto: A Regina e a Panelona, ai, credo, que Deus me perdoe, mas a história daquela mulher está muito mal contada não achas, Gil? Eu acho. ISMAEL ONDE ANDA O CHERNE? Queres Cherne, querido?
- N...
- O Ismael já trás. Onde é que eu ia? Ah, claro, a panelona, pois... Que coisa. E porque será que a Regininha não está a morar com os Paiva? Eu acho estranho, não achas? Cá para mim...E do russo? Não se sabe nada! Pois, claro, na volta engravidou a rapariguinha e agora não quer responsabildades, não é? Pois, eu sei como é, estes CHERNE! são todos os iguais e...Oh Gil! GIIIL! Onde é que vais? E o Cherne? ISMAEEEEEL!!!- A dona Adelaide, por incrivel que pareça devolveu-me a razão. Batalhei durante todo este tempo para tentar arranjar uma razão obvia para a Regina me ter deixado no altar e agora entendo: Ela está grávida! Nesse mesmo dia, em que tive a anterior conversa com a dona Adelaide da peixaria voltei para casa furioso, mais furioso do que o que estava na noite passada, infeliz e revoltado contra a minha vida. A verdade é que a explicação para este meu olho negro se chama: Punho do Bóris. Ontem revoltei-me e fui ao quarto dele, não tinha nada a perder e atirei-me a ele com toda a minha força! O problema é que toda a minha força está concentrada na mão esquerda dele. Sou um fraco...Levei um murro que me pôs K.O. Ele, ainda sem perceber quem o agredia, acendeu a luz e chamou logo os Bellini. Estou farto de ser o mais fraco, o trocado, o rejeitado, o que apenas limpa as mesas...Até o gay faz molhos! Estou farto de ser o Gil coitadinho, que foi deixado no altar. Nem a Regina me falou no dia do baile de máscaras! Isto vai mudar. Fui a casa da Panelona. Bati à porta. A Regina abriu-me a porta. Estava a limpar a casa.
- Gil! Hum...estou ocupada, ah...mas se vieste falar com a dona Rosália, ela está na drogaria, chegaram uns esfregões de arame e ela está a tira-los da caixa.
- Vim falar contigo.
- Mas estou em limpezas, não pode ser outro dia?
- REGINA! PARA QUÊ FUGIRES MAIS?- Ela ficou assustada e rapidamente me puxou para dentro, fechando a porta da rua.
- Queres fazer um escândalo? É isso que queres? Vem para dentro.
- AH! Agora estamos mais decididas! Há unas tempos atrás nem por isso...
- Vens me chatear podes sair.
- Que mudança Regina...Sabes, não tenho culpa que me tenhas deixado no altar por causa de um russo fugitivo.- Ela ficou constrangida com este comentário. Pousou a vassoura a um canto e mandou-me entrar para a sala de estar.
- Ouve Gil, eu peço desculpa, só não pedi antes porque não sabia como te encarar.
- Estás grávida?- Ela ficou de todas as cores.
- Gil...Mas que pergunta é essa?- Disse, fazendo um sorriso amarelo- Sabes bem que...
- Eu? Saber alguma coisa? Não sei...Sou sempre o último a saber. Até no meu casamento fui o último a saber de tudo! Estás ou não estás?
- Não! Mas que pergunta parva! Eu sou uma rapariga de respeito!
- Pronto, está bem...Então porque é que estás aqui na casa da Rosália?
- Por uma questão de gratidão.
- Gratidão? Tenho medo do que possas dizer a seguir...
- Ela encontrou-me na fronteira, lembras-te? E...eu quero sentir-me útil. Tenho a ajudado na lida da casa...
- Estou a ver...E pensas ficar aqui para sempre?
- Gil, estás tão diferente...Não és mais o Gil com quem me ia casar...
- Óptimo! Ainda bem! Pode ser que agora cases de vez!
- Gil...
- Casa comigo, Regina. Eu amo-te mais que tudo! E se tiveres grávida eu serei o pai do teu filho!
- Gil, não sejas lamechas! Não estou grávida e não quero casar!
- Imploro-te Regina. Eu arranjava um taxi, veveríamos do rolar dos meus peneus!
- Gil não...- Eu pego-lhe na mão, que safado!
- Gininha, amor, seríamos tão felizes! Se quisesses continuar aqui a trabalhar como mulher a dias eu compreendia, sou um homem moderno. Mas agora aquele russo...Amor, ele não tem futuro! Ele mais tarde ou mais cedo vai preso!
- Não!- Ela levanta-se do sofá bruscamete- Pára! Estás a dar comigo em doida! Ainda me sinto fraca com tudo o que vivi, as coisas por que passei!
- Mas...
- Cala-te!- Ela agora estava mesmo irritada, bolas...- Vai te embora, arranja aí uma sopeira qualquer e casa-te com ela, tenho a certeza de que serão felizes!- Ela magoou-me.
- Regina...Magoaste-me. Agora foste longe de mais!!!! São atitudes dessas que aprendes com o teu amorzinho russo, é? Pois, olha o que ele me fez à cara, olha!! É um bruto! Precisas de um homem sensível, Regina e eu estou mesmo aqui, à tua frente! Podes estar grávida, a sério, eu não me importo, confia em mim, juro que não digo a ninguém, mas deixa-me fazer-te feliz, meu amor...- Houve um silêncio. Era agora! Era agora ela ia dizer que
- Não, Gil, lamento mas eu não gosto de ti...Já errei uma vez, não vou errar outra!
- Ai é? Pois agora, daqui para a frente este Gil não existe mais.
- O que queres dizer com isso?- pergunta-me ela.
- Que as coisas vão piar mais fino. Que se não és minha, não és de ninguém.
- Isso já não é amor, é obsessão! Não tens o direito de...
- De quê, Regina? De quê? Pensas que o vou matar? Achas que não tenho tomates para isso?- Novo silêncio...- E não tenho!- Continuei- e é por isso mesmo que vou agora mesmo ao posto da guarda dizer ao guarda Firmino o que sei! O russo está no Dolce Piacere e tem mil e um cúmplices!
- Não tens esse direito! Ele nunca te fez mal!
- Não? Pronto, está bem, e tu? Já me fizeste mal? Até deves carregar um cordeirinho loiro dentro desse ventre!- Saio da casa num andar apressado. Depois, após uns passos desacelero o passo...Bolas, ela não vem atrás de mim? Mais devagar...de-va-gar...Estou quase a chegar ao posto da policia...Então, pá? Ah! Lá vem ela a correr! Passo apressado, passo apressado, tomates! Tomates, Gil! Tomates! Abro a porta do posto. Está lá o Firmino.
- Firmino!- digo- Tenho uma denúncia a fazer!
- Eh! Gil, então, tem de ser agora? Está na hora da Fátinha...
- Gil! Espera!-Era a Regina. Entra no posto.
- Elahhhhhh!- Comentário do Firmino.
- Não há nada a fazer, Regina! Já cá estou e...
- Eu carrego um cordeirinho loiro...

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