sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Voar - A história de um zangão zangado

Uma manhã o Vasco acordou muito bem disposto. Saiu da cama, calçou os seus sapatos felpudos e fofos, ajeitou a antena esquerda, que lhe andava a dar problemas, e voou pelas escadas abaixo.
- Bom dia, Mamã...
- Bom dia, Vasco. Outra vez tristonho e zangado?
- Hum...
- Vá lá, come rapidamente os cereais e vai a voar apanhar o autocarro, que já estás atrasado.
O Vasco, apesar de ser ainda um zângão bebé, já andava na escola. Ao inicio tudo era engraçado, aprender a ler, a escrever, a contar, mas agora a escola das abelhas do Paraíso do Mel, estava-se a tornar cada vez mais e mais enfadonha. A professora Margarida estava sempre a chatear-se com ele. Dizia que ele era distraído, preguiçoso e que nunca fazia nada bem! O Vasco estava farto da escola, farto da professora. Já nem brincava no recreio como dantes! Andava sempre zangado, com tudo e com todos. Andava triste e havia apenas uma única razão para isso.
- Vasco! Pára de olhar pela janela e presta atenção! Quantos favos de mel são precisos para alimentar três quartos da colmeia? - perguntava a professora.
- Hum...são duas!- disse o Vasco.
- Duas? Querias dizer dois?...
- Não, professora Margarida. São duas borboletas lindas que estão ali no céu, a voar, a voar, a voar...
Esta resposta valeu um valente responso ao Vasco, um castigo da professora e uma visita da mãe à escola das abelhas do Paraíso do Mel. Depois da mãe falar com a professora, falou com o Vasco, que continuava encantado a olhar pela pequena janela da sala de aula.
- Vasco...Vasco? Estas-me a ouvir?
- Sim, mamã...- disse o Vasco muito triste.
- Estás cada vez mais distraído, cada vez mais preguiçoso. A professora está muito chateada contigo! E eu também...que se passa?
O Vasco explicou à mãe que não gostava da vida na colmeia. Para ele era muito mais divertido andar a voar, pelo campo, como faziam as borboletas. Elas, sim, eram livres e não tinham preocupações. As abelhas nasciam para o trabalho, para fazerem mel, passavam a vida na colmeia e ele não era e nem queria ser assim!
- Ainda és tão pequenino para perceber a vida na colmeia, meu filho.
-Não, mamã! Nunca temos permissão para sair daqui! Eu não quero estar na colmeia, eu não quero ir à escola eu não quero ser um zangão! Quero ser uma borboleta!
A mãe do Vasco ficou espantada com ele, que voou rapidamente dali para fora.
O Vasco sentia-se o zangão mais triste do Paraíso do Mel, do campo, do universo! Porque razão havia nascido assim em vez de ter umas bonitas asas de cores vibrantes uma igualzinha à outra?As borboletas eram fantásticas, perfeitas, coloridas, leves. Ele era pesado e quando fosse crescido ainda haveria de ser mais! Era amarelo e preto e peludo...até as antenas das borboletas era mais bonitas que as dele. Ninguém o intendia. Ninguém!
Sentado numa pedrinha, num dos lugares mais escondidos da colmeia, o Vasco pensava numa forma de conseguir escapar ao seu destino tão cruel. Pensou, pensou, pensou...e...
- Já sei! E não vou perder mais tempo!

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