domingo, 24 de maio de 2009

Soluções...

O teledivino tocava e eu já imaginava o que iriam dizer: "Hermes, Hermes! Corre para cá, anda um mercador à solta com os raios de Zeus e sabe-se lá porquê vai para Norte!". Por isso não tendi. Estava a regar as minhas plantas, tão verdinhas, tão belas...O teledivino não parava de tocar...tive de atender. Uma mensagem! Era...o Dioníso.
" Olá, Olá meu rico amigo! Não se ouviste dizer mas as belas das Dionisias estão a chegar! Quero uma festa de arromba, com muito do bom vinho, da boa fruta, as belas ninfas! Epá, tu sabes...Por isso estou te a mandar esta mensagem porque conto contigo para divulgares a coisa! Dá corda ás sandalinhas e espalha aí pelo Olimpo as festanças e, se não te importares, pelos bosques e florestas. Daqui a uma semana quero tudo prontinho, já falei também com o Pã para tratar da música. Não te esqueças das ninfas. Um abraço forte, amigo! Dioniso."- tinha de ser...Bom, mas pelo menos não era o que esperava...ora bolas, está a tocar novamente o raio do telefone: outra mensagem: Deméter- "Ola borracho! Não queres vir dar uma volta comigo ao centro da terra? Está-se bem por lá, está calorzinho...Ou então vamos dar uma volta a qualquer lado, comer umas uvinhas, um suminho natural...Que achas? Beijinhos saudáveis, Demi."- A Deméter agora anda com isto, sempre a atirar-se a mim! Ela, uma mulher gorda e redonda, com uns peitorais maiores que os do Hefestos, anda atrás de mim, uma figurinha magra e seca, com uns pés que não são pés! São barcas! Enfim...nem vou responder! Olha...outra vez! Por Zeus! É Zeus!- " Vem imediatamente a casa da Afrodite. A coisa está preta e ela não quer contar o que sabe....Nem uma palavra à Hera, senão ficas sem as tuas belas sandalinhas! Rápido, já cá devias estar! Mexe-te! Zeus.". Fui a correr, como quem diz, a voar. Mal lá cheguei percebi que o ambiente era de cortar à faca. A bela da Afrodite estava sentada numa poltrona cor de rosa e o Apolo estava ao seu lado, como o caozinho que sempre foi. Atenas e Zeus estavam de pé e tentavam fazer com que ela falasse.
- Diz o que sabes, Afrodite! Que coisa! Falaste do mercador agora diz o que sabes!- dizia Atenas- O meu pai não tem os raios, sabes o que isso significa? Eu nao tenho o meu mocho, sabes o que isso significa também?
- Pior!- disse Zeus- Uma das parcas está cega! Não ha meio de matar o mortal e eu reaver os meus raios! Apenas o Hades poderia fazer com que...espera lá, o Hades? HERMES!!- gritou por mim, sem saber que estava mesmo atrás dele.
- Estou aqui, senhor.
- Ah, ainda bem. Olha lá, onde anda o Hades?
- Não sei, senhor...A última vez que o vi partia em direcção ao Norte para se encontrar com o tal mercador, po-lo inconsciente e ficar com ele no submundo até a parca ter de volta a visão.
- Sabes alguma coisa sobre o Hades?- Disse Apolo, juntando-se a Afrodite carinhosamente, o que era estranho, visto que ele sempre fugiu dela a sete pés. Digamos que ela é louca por ele.
- Hum...-disse ela- Até sei, sim...- Todos nos virámos para ela- Mas não posso contar! Não posso! Não posso!
- AFRODITE!- disse Zeus- Se não falas, e dado que o assunto é tão sério, terei de te expulsar do Olimpo.
- Não! Não pode fazer isso..É que eu falei com o Cupido...
- Conta tudo o que sabes, Afrodite- disse eu- Eu acabo por descubrir tudo, portanto...é só uma questão de tempo- Ela lá considerou e começou a desbobinar:
- É assim- começou- O mercador vai para o Norte sim, e o Hades vai atrás dele. Sei isto porque o Cupido fez porcaria e veio-me pedir ajuda. O que aconteceu foi que o gordinho ranhoso deixou cair uma das suas pateticas felxas e pimbas, calhou no Hades e numa aldeã, nem sei quem é. Agora o Hades não deve estar a ir para o Norte coisa nenhuma, deve estar numa aldeiazinha qualquer com a sua amada. Mas calma! Ele está em formato humana, não façam essas caras! Ele está agradável, vá...E deve estar a viver com a rapariga. O mercador, olha...Lá vai!
- Mas vai para onde?- perguntei.
- Thivai. Vai para Thivai, chega em três dia.
- E leva os raios?- perguntou Zeus.
- Ah, isso já não sei. Eu sei que ele vai para Thivai porque as flechas do parvo do Cupido eram para ele e para uma mulherzinha de não sei onde.
- Por Zeus!- disse Atena.
- O Hades apaixonado, minha gente! Não é coisa que se veja todos os dias!- dizia Afrodite, refastelada na sua poltrona pirosa.
- E onde é que tu entras nisto tudo?- perguntei. Fiz com que ela se levantasse rapidamente da poltrona e começasse a fugir, para perto da janela.
- Eu? Er...eu, HUm...ajudei o Cupido-disse ela.
- Mas do que estás à espera para desfazer este mal entendido, esta situação!? Fazes com que o Hades volte ao normal, a rapariga esquecesse de tudo e pronto! O Hades já pode apanhar o tal mercador, bolas!!- Disse Apolo. Todos ficámos a olhar para ela. Estava morder o lábio inferior e olhava ora para o Apolo, ora para a janela, como se estivesse à espera que a sua salvação entrasse por lá.
- Vamos!- disse eu, voando até ela e pegando-lhe num braço, fazendo-a levitar.
- Não! Eu não vou a lado nenhum!
- Tens de desfazer o efeito das setas!- disse eu, pousando-a.
- Mas eu...opá...
- Afrodite, lembra-te!- disse Zeus- Adeus Olimpo!
- Não! Está bem, eu vou, mas só se o Apolo me prometer que quando eu voltar ele vai estar aqui.
- Sim- disse o Apolo- vou estar com certeza. Até porque qualquer coisa me prende aqui, não sei bem o quê...Não páro de pensar...enfim! Sim, estarei aqui, claro, minha deusa- Ela lá fez um sorrizinho e partiu comigo. Ela até podia localizar o Hades sozinha e ir para lá num abrir e fechar de olhos, mas preferiu pedir o carro do Apolo emprestado. Ainda faltava muito para o raiar do dia e naquela noite iriamos resolver a situação. E, para além disso, era uma garantia de como o belo deus não arredava pé da sua casa. Lá fomos e numa localidade ainda antes de Thevi encontrámos o sinal dos deuses. É como que um clarão, que só os deuses podem ver, na Terra. Os humanos não vêm e nem sonham que o vemos. O clarão avistou-se do céu e vinha de uma casinha pobre e modesta no meio do nada. Aproximamo-nos de uma das janelas abertas: heis Hades, o deus do submundo, sentado à mesa com uma família de camponeses: Um pai, uma mãe, um rapazinho pequeno e uma bela rapariga com os seus 18 anos, a tal, a que estava enfeitiçada por ele.
- Dona Bolina, adoro o pão, foi a senhora que o fez?
- Fui! Está gostoso, não está? Olhe,a minha Acadina também sabe fazer um belo pão! E um ensopado de...pão? Ui! É de comer e chorar por mais! E panados de...ora, pão? Ui...
- Óptimo!- Dizia o Hades, demasiado bonzinho, disfarçado de humano- Conta-me, Acadina: Que mais receitas com pão sabes fazer?- Era a visão do terror...O Hades alegre! A Afrodite até gritou baixinho e tive que lhe abafar o grito com a mão.
- E agora?- disse ela- Não posso lá entrar e simplesmente reverter o feitiço!
- É...temos de o atrair cá para fora. Afrodite, transforma-me num humano.
- Nem penses! Ainda ficas lá com eles...
- Vá! Não sejas tonta! Capricha...- Ela transformou-me num...bebé.- AFRODITE!!!- gritei eu sem nenhum dente na boca, embrulhado num lençol de linho.
- Chiiiiu....pronto, pronto, já passou Herminho- dizia ela, aconchegando-me e embalando-me ao colo.
- Eu não posso ser um bebé!
- Mas és tão fofinho...Vá, e pensa bem, assim consegues entrar logo em casa dos camponeses. Espera um momento!- E fez aparecer uma alcofa, muito bonita, e deitou-me lá.
- Que pensas fazer?- perguntei.
- Primeiro não abres mais a boca. Os bebés da tua idade, ou meses, não falam! Só choramingam. Segundo, bom, não sei...mas vamos ver o que acontece!
- E tu?
- Eu...-disse ela olhando à volta- vou andar por aí. Vou estar por perto.
- Eu não quero ficar assim para sempre!!
- Eu venho te "desenfeitiçar" daqui a uns dias, não sei...
- Dias??? Daqui a uma hora estou outra vez...homem! Deus!
- Está bem, está bem, que chato! Agora fica quietinho, xuxa no dedo.
- Não!
- Herminho...estou a mandar! Deixa-me por-te um toca, ficas tão queridoooo!!!
- Não!
- Cala-te! Não falas, só berras!
- Promete-me que quando eu estiver com o Hades, sozinho, à primeira oportunidade, me transformas, chegas e desfazes o feitiço!!
- Sim, sim, está bem. Agora cala-te que vou bater à porta. Espera, aqui está o bilhete.
- Bilhete??- O bilhete dizia: Sou o Herminho, não tenho papás, fiquem comigo- A mensagem é demasiado estúpida e pirosa!
- Chhhh!! Calou! Calou!- Disse ela, posicionando a alcofa. Bateu à porta e correu. Tentei fazer a cara mais querida que tinha. Quando o pai da casa me abriu a porta consegui ver no reflexo dos seus óculos como eu era. O bebé mais lindo que já havia visto, depois de Hércules. Realmente, ela caprichou...

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