- Biba, Jerónico!- Olá, Manel, tão como vai isso? Já percebeste como desmaiaste?- Perguntei eu ao coitado que desfaleceu enquanto tirava uma biquinha. Não, ele não desfaleceu enquanto tirava uma biquinha, eu é que estava a tirar a bica enquanto falava com ele.
- Não...Arranja-me aí um bolo de arroz!
- Não? Tão mas estavas com falta de açúcar nas veias ou achas que...que foi um acto do tal?
- Do tal? Quem é esse?
- Do...assassino...
- É o quê! Ai...bom, bom tão achas que sou home para me deixar cair assim por causa de um assassinozeco? Tão, oh Jerónico! Dá-me lá o bolo que to aqui com uma larica do caraças!- Dei-lhe o bolo.
- Não, não estou a dizer isso!- respondi eu- mas pronto, já viste? Primeiro a dona Matilde, depois a Marta, depois a Giselle e agora tu...Pelo menos sabes quem foi?
- Ai, oh Jerónico, isso são muitas perguntas para eu só! Mas olha- dizia enquanto estava encostado ao meu balcão a comer ferozmente o meu bolo de arroz. Falava de boca cheia e as migalhas eram mais de mil- bou te reponder poque és meu amigo e os teus bolos de arroz são bem bons! Ora eu saí de casa, ia no meu Simão e depois tuca tuca tuca tuca lá ia eu em cima do Simão, tuca tuca tuca tuca cheguei aqui mais ou menos aqui a praça, comecei a ber tudo á roda, tudo à roda e...tuca tuca tuca tuca!
- Tuca tuca tuca tuca???- disse eu- o que aconteceu? Bateram-te com uma coisa na cabeça? No estômago? Nas...partes preciosas de um homem??
- Eh! Oh, Jerónico! Tuca tuca tuca tuca porque o Simão não parou! Continuámos a andar...Eu desci do Simão e de repente fiquei tonto e catrapum! Depois lembro-me de estar a chuviscar de me levantar e de ir ter com a minha maezinha.
- Então não houve crime?
- Nop. Dá aí outro bolo de arroz, oh amigo.
- Não pá, desculpa lá mas tu nunca os pagas! "Mete na conta Jerónico, mete na conta Jerónico" E depois nunca mais vejo o dinheiro! Toca andar daqui para fora!
- Eh! És um amigo da onça! Pa saberes coisas queres me aqui, quando é para me alimentares queres me fora...
- Toca andar! Estás a impestar o café!- Meu S. Palito! Que mal cheiroso...Cá para mim tudo o que o gajo contou é mentira! Eu acho que...
- Oh paaaaaaaaii- Crispim chama-me de não sei de onde- Preciso de coisas para levar para a cremesse!
- Tá aí o baú da tua avó Gumercinda!- respondi eu.
- Mas é muito grande, pai! Quero coisas pequenas!
- Tão não sei!- Como estava a dizer eu acho que..
- Va láaaaa! Posso levar estas chávenas que estão aqui? Estas que dizem: P-o-r-c-e-l-a-n-a F-i-n-a!
- Não! Essas eram da tua tia Leopoldina! Se as levas apanhas! Leva o baú da avó Gumercinda que vale por todas as traquitanas pequenas! Até serve de caixa!- respondi eu ao meu filho cremesseiro.
- Tá bem...- Finalmente vou me livrar daquele baú..Estava a dizer que aquela história toda do Manel não passa de balelas! Oh...Eu já cá ando á alguns anos...oh! E sei destas coisas! E a Giselle? Onde andava? E o inspector? Hum? Pois...estas perguntas foram-me respondidas logo nessa mesma noite, quando fui ao ensaio da coreografia de uma música que tinha sido feita pelo Costeleta que..Oh! O nosso presidente! Já sabem da bomba? Ehhh a mulher po-lo fora de casa...andava enrrabichado por uma dona aí qualquer...Eu achei que era a Matilde, mas, depois do que vi e...senti no ensaio a pares, apercebi-me de que não era ela. Ou era ela ou fazia-se a mim também...Este meu dentinho parte corações! E este meu bom rabinho...Sim! Tenho um rabinho bem bom, como diz o fedorento do dono do burro. Enfim...O ensaio é à mesma coordenado por ele...Dessa não nos livrámos, mas a música é do Presidente Costeleta que agora arranjou uma casinha aqui na vila para morar sozinho. Agora é que vai ser bonito! leva as galdérias lá para casa! ...Será que me deixa lá entrar também?...Bom! Estava a falar do ensaio, ora bem, o Manel está lá, não é verdade? Está lá ele, a Giselle e o Inspector!! Sim, sim, os desaparecidos apareceram! E onde estiveram eles? Ninguém sabe...Mas, mesmo assim, a Giselle faz par com o Manel...A música é alegre e divertida, a letra é mais ou menos assim:
Cá estamos nós
nesta festa, pois então
Vamos lá cantar bem alto
Esta nossa bela canção
Somos todos tão felizes
E cantamos num bom tom
Este é o nosso sitio
Está mesmo mesmo bem bom!
Oh vila!
O nosso cantito
Dançamos esta música
Em honra de São Palito!
Oh vila!
Trazes a corneta,
As violas e as guitarras
A tocar p'lo Costeleta
E pronto! E depois repete e repete e repete, porque vá...O Costeleta não dá muito à inteligencia e a modos que também que tinha de ser pequenita para não massar os ouvintes, não é verdade? Pois...Ora, o ambiente estava de cortar à faca! A Giselle não fala com o Manel e dançavam até bem mas não olhavam um para o outro, mantendo uma certa distância, o que é normal relativamente à Giselle, não nos esqueçamos do cheiro do Manel. O padre e o inspector cantam tão...be...Mal!!!! Parecem duas araras com o cio! Duas portas velhas a ranger! Que horror!! E depois poem-se a discutir...
- Não esstá no tom certo, senhor prior! Parece uma proca a parir!
- Oh! Que mal criado! Seu Orlando troco o paço...Louvado seja o senhor!- dizia o pároco.
- Louvados sejam os meus ouvidos lindos!- dizia o policial.
- Eh! Oh caramelos! Bamos lá a tar caladinhos oh, faxabor!- Moderava o Manel- Bamos lá ber! Falo com o presidente e bai tudo pó...Maaauuu...isto não tá bom!- Eu estava bem, eu, Jerónimo, estava com a Matilde ali...a dançar a musica! Ela dança bem e apalpa-me de vez em quando...Claro que preferia a Marcoli...Quer dizer, outro par! Porque...a Matilde não tem muita carne e eu gosto de mulheres roliças! Bem, a Marcol...Há várias pessoas, quero eu dizer, que têm mais carninha, não digo na parte de cima, como a Ma...como certas pessoas, mas na parte das coxas!
- AI AIIII O PAI DISSE UMA ASNEIRA!
- CALA-TE E SAI DAQUI CRISPIM! RAÇA DO MIUDO QUÉ CUSCO COMO...AAAAII!- O meu puto é muito cusco...Não sei a quem sai! Ou melhor...Se calhar...E tem muita carninha também como...Bom! E nós dançámos tanto! Os pés já me doiam! Mas os ensaios vão muito bem, graças a S. Palito. Para além dos problemas sentimentais dos jovens, eu até gosto de lá estar nos braços magrinhos, é verdade, da dona Matilde...Mas ela dá bem ao corpinho e isso é, segundo o nosso coreografo, "bem bom!".
Um comentário:
Bem custuma-se dizer: tal pai, tal filho, não é berdade??
Parece k aki podemos então dar uso a esta frase =P
Cambada de cuscuvilheirooooos!!
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