
-Já lhe disse que não sei de nada, estou atrasado.
-Só lhe queria fazer umas perguntinhas!
- Saia da frente da porta do meu carro se faz favor...
- Oh! Com certeza, mas diga-me: Onde estava no local do crime? Hã? Estava na pouca vergonha com a sua esposa? Estava? Ou estava no trabalho? Estava na pouca vergonha, sim, eu sei que sim! Ah...mas olhe infelizmente ela não há meio de ficar embuchada não é? Pobre moça...
- Importa-se de sair da frente do meu carro, dona Matilde? (buzina)
- Ai! Não saio se não me responder! Oh! Não me responde porque estava a trair a sua mulher! Ai...pobrezinha, para além de não emprenhar como a vaca ainda tem os cornichos da bicha!
- SAIA!
- Saia? Ai...sim, sim eu bem vejo como olha para a saia da dona Eunice ali do salão! Para a saia e para as pernas e tudo o que vem de cima e de baixo!
- Por amor à sua própria vida, dona Matilde, ou sai da frente do meu carro ou eu passo-lhe a ferro! Faço isso ou não me chamo Maurício!
- Passar a ferro? Bem a dona Marcolina me disse que tinha dito à sua mulher se queria que lhe fosse passar uma roupa a ferro lá a casa e ela disse que não...Tem alguma coisa a esconder, senhor Maurício? Sangue numa camisa? Umas calças rasgadas com resíduos de cadáver?-É incrível...A mulher não me deixava passar e eu super atrasado para agência! Ainda me fritam se chegar mais uma vez atrasado. Loucas noites de amor é o que dá...Custa sempre levantar da cama...
- DONA MATILDE! OLHE! A SUA FILHA AOS BEIJOS COM O PADRE!
- Oh! Minha Santinha! Onde???- E saiu da frente do carro. Raios parta a velha. Arranquei a toda a velocidade. Mas...Porra! Com tanta pressa esqueci-me da minha pasta. Tive de voltar atrás.
- Marta! A pasta do trabalho?- disse eu ao entrar em casa- Marta! Amor!
- Olá! Ai o tempo passa a correr! Ainda agor...Hum...Amor, temos os relógios todos adiantados! Ai, meu Deus! Queres ver que é mais um fenómeno dos Etês? Ai...Queres ver que andam ai os OVÉNIS!!!!- Estúpida. A minha Marta às vezes...Mas ela é tão linda e tira tanta humidadezinha do tecto e faz comidinha tão bem...
- Não, Marta! Acabei de sair, amor...A pasta?
- Tá na mesa da cozinha.- Fui buscar a pasta e saí a correr e ainda pude ver pelo espelho retrovisor que a Marta tinha saído de casa e olhava para o céu aterrorizada. Pobre mulher, anda toda trocada por não conseguir engravidar. Sou tão macho, como não consigo engravidar uma mulher? Bom...Naquele dia estava particularmente mal disposto. Parece que a dona Matilde desconfia de mim relativamente ao assassinato da prima ou irmã ou sei lá da dona Marcolina. Não fiz nada! Nem conhecia a mulher! Só sei que tinha um gato persa que me mijava o quintal todo (e como cheira mal xixi de gato) e um dia, quando me esqueci da janela do carro aberta, me arranhou os estofos todos! Agora já estão arranjados, mas o gato nunca mais se viu pelas redondezas! Muahahahah! Calma, não dei cabe do gato, se é isso que estou a induzir! Não. O bicho foi apanhado por um camião grande que passou aqui. Pobre bicho, ricos estofos. Enfim...Mas, curiosamente, o inspectorzeco que se faz à Marta descaradamente (não sou ciumento, apenas...só um bocadinho do tamanho de uma uva. Maçã. Melão. Melancia...Ah, ah! Não! Estou a brincar, apenas adoro fazer joguinhos com nomes de frutas! (yac)) ainda não falou comigo...Nem uma pergunta. Espero que ele não se baseie nas opiniões da dona Matilde! Mora com ela e tal...Ás vezes penso que se calhar ter saído de Pouca Parra não foi assim tão boa ideia. Não sei...Depois da morte da mãezinha ainda sinto isso. Sinto-me sozinho, bolas. Tenho a Matinha mas...Preciso de um filho. Preciso de alguém que me ame incondicionalmente! A Marta da-me amor mas não chega e o facto de nunca mais ela...pronto! Irrita-me um bocado! Mas também não sou homem para lhe dizer isto, nem pensar. Ela morria no momento. Ai...Esta vila é tão estranha. Desde o presidente ao homem do burro. Simpático...O burro. Ninguém tem um gesto de hospitalidade...Enfim, tento não pensar muito nisto porque também agora não tenho dinheiro para mudar de casa. Cheguei ao meu lar, então, depois de um dia de trabalho.
- Marta! Estou cheio de vontade de...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Mauzinho!!!!!!!!- Ela gritava lá de cima do quarto. Larguei tudo! Subi as escadas! Ela estava a gritar com as mãos na cabeça em cima da cama! "Um rato, certamente", pensei eu.
- Onde é que ele está, Marta? Onde? Eu mato-o!- Tirei o sapato para matar o malandro- É grande? De que tamanho? Hã?- Gritava eu, olhando para todos os cantos do chão.
- Ai...Um fantasma! Um fantasma! São eles, os OVÉNIS!- Pronto. Parei e calcei o sapato. Fui ao pé da cama e puxei a Marta para baixo, fazendo-a sentar.
- Querida, essas coisas não existem, ok? Vá lá, coração...
- Mauzinho eu vi! Eu vi uma sombra!- dizia ela a choramingar.
- Foi outra coisa qualquer...Tens a certeza que não foi a tua , como no outro dia em que estavas a lavar a loiça e te assustas.te com a tua própria sombra?- perguntei.
- Não! Não! Era uma coisa esquisita e deu-me arrepios! Oh Maurício, amor, eu não estou a brincar...- Bom, ela chamou-me Maurício. Das duas uma: Ou está zangada comigo, o que não me parece que seja o caso; ou está...está a dizer a verdade??
- São coisas da tua cabeça. Ambos sabemos que estás perturbada por não conseguíres engrav...- Palavras mal escolhidas. A Marta levantou-se da cama num ápice e correu para a casa de banho. Sou tão idiota! Como é que vou dizer estas coisas num momento como...
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!- Oh, não...Corri para a casa de banho. A Marta estava no chão, desmaiada e no espelho estava escrito com qualquer coisa (porque é que acho que era geleia?) a letra "Q", em grande. Petrifiquei.
- Meu amor...Marta! Acudam! Acorda, Marta! Acorda, querida! Acudam!
Um comentário:
Será isto uma História de terror onde aparecem letras escritas e pessoas desmaiadas num segundo??
(Medooooo)
Bjs
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