Frederico Costeleta, eu, discurso para os seus eleitores:-Povo desta bela e harmoniosa vila!
- Harmoniosa? Deves...Deves...(grita um do meio daquele bando de..)
- Eu, Frederico Costeleta, o vosso presidente, vou brindar-vos com uma...
- Com uma massinha e com um chouricinho! Ah ah ah ah ah (o povo todo ri)
-Costeleta com esparguete! Ahh ahh ahhh- com a intrevenção do amoroso filho do Jerónimo todos riem com mais força.
- Não!- prossigo eu- Não, amorosa e...redonda criança! Vou vos brindar com uma festa!!
(Silêncio)- Festa!- Repito eu para o caso de não me terem ouvido.
-Pa quêi?- Grita o Coices de cima do burro.
- Uma festa- digo eu- para...Para...Festejar!- (Silêncio)
- Pa quêi?- Grita lá o burro de cima do animal.
- Porque sim! Porque daqui a uma semana é dia do...da...dos...
- Namorados!
- Não, querido povo!- digo eu enrrascado.
- É algum feriado?- perguntam eles.
- Não, não, não!! É dia de...Pat...Moca...Sua... S. Palito!
- Palitos? Epá, já palitava o dentinho- disse o Jerónimo.
- Acalma-te Patrícia. disse o mendigo à sua cadela que rosnava para a minha pessoa.Todos ficaram a olhar para mim que estava em cima de um banquinho que o Jerónimo me tinha arranjado ao pé do coreto na nossa magífica praça. Ninguém conhecia o grande S. Palito, pudera, hi hi hi, inventei-o. Nem sei bem o que é um palito, mas como não podia gritar para a minha queijadinha naquele momento, foi mesmo aquele nome. Expliquei aos incultos e analfabetos seres daquela vila o que era o S. Palito e foi mais ou menos assim (modestia a parte safei-me muito bem).
- São Palito, meus caros habitantes, vem dos tempos antigos em que esta vila era nada mais nada menos que nada!S. Palito foi...foi...
- Ah!- Grita o puto do Jerónimo- Não me venha dizer que S. Palito foi o primeiro habitante da vila sem nome! E que foi ele que começou a construir todas estas casa e a plantar coisinhas para as pessoas comer e a chamar população para aqui! Por isso fazemos esta festa!
- Ah! Grande criança! Como...Como sabes tu tudo isso? Hum?- perguntei ao miudo que me tinha feito a papinha toda. Como disse, sai-me muito bem.
- Eu invente...
- CAAAAALAAA-TE criançaaaaa!!! Não precisas de dizer nada!! És um grande miúdo, o teu pai deve ter orgulho em ti!
- "Au, au", calma Patrícia- dizia o mendigo.- Após alguns segundos de silêncio a multidão rompeu numa euforia louca!
- Uma festa! Temos de ir ao cabeleireiro, meninas!- diziam uns
- Clientes!- dizia outros.
- Comida!- Dizia os...o mendigo.
- Au, Au!- dizia a Patrícia.
- Mas oh faxabor senhor bife!
- Diga caro eleitor fedido!
- A festa vai ser o quê, afinal? hum? É que nós queremos aqui uma festa bem boa! Bem boa! É não é pessoal??- A multidão vibra e eu sinto-me adorado!
- Sim! A festa vai ser bem boa! E não é bife, meu amigo, é Costeleta!
- Au, au!Cala-te Patrícia- mendigo.
- Bom! Mas como estava a dizer, caros eleitores, a festa vai ter tudo!Tenho aqui uma lista que eu próprio fiz! Vai constar, então: Comida, bebida, cremesse, barraquinha dos beijos, barraquinha dos abraços, barraquinha dos pontapés, barraquinha da leitura de sina! (Viva! Viva!, gritavam eles). E mais! Vai haver música, convocarei um grupo, claro está, de voces mesmos, que terão de actuar na festa! Mas não temam! Já tenho aqui os nomes das pessoas que iram cantar e dançar!!
- Deviamos ser nós a escolher! Isso tá errado!- Ops...Não posso deixar que me odeiem...
- Muito bem! Então as inscrições estão abertas e o local de inscrição é no café do Jerónimo!
- Ai é?- disse o Jerónimo.
- É- disse eu- E mais! A festa irá durar três dias e irá haver fogo de artificio!- A multidão explode de alegria! Ah...adoro isto.
- Não concordo!- Disse uma voz. Era o inspector. Todos se calaram e abriam alas para o moço passar- Um homicidio, três desmaios, o de Matilde, Marta e mais recentemente Gisselle,um acto suspeito num WC...O que poderá acontecer na festa? E para quê esta festa? Só vai baralhar tudo!
- Bom...- disse eu- Quem se opuser que ponha o pé no ar!- Ninguém pôs, claro...Esta gente tão preguiçosa...ainda se fosse a mão...Mas o pé..puff...Apenas a cadela Patrícia se juntou a um candeeiro e ergueu o pé, mas depois conclui que ela também estava de acordo, visto que só ergueu a pata, o pé, seja lá o que for, para urinar. Mas...ah! Por mil costeletas gregalhas! Há um pé no ar! Gisselle? Raios!
- Eu concordo com o inspector- disse ela aprecendo á minha frente por entre a multidão- Aliás, acho totalmente despropositado!
- Anda cá, pshuti! Oh Bezerrinha do meu coração! Cala-te, bebé! Não vês que podemos dar mais umas beijocas sem a tua mãe ver, na confusão da festa?- disse o Coices aproximando-se da Gisselle, tentado abraça-la.
- Totalmente despropositado!!- Repetiu ela umas trezentas vezes- Não acho nada bem!!- E encaixou-se nos braços do inspector que a olhava de lado, assim como o Coices que olhava de lado para o seu burro que, como não estava preso, podia fugir.
- Bom- disse eu acagaçado- Então...Mais alguém?- Ninguém disse nada- Então! Daqui a oito dias é a festa! Inscrevam-se para cantar e dançar no café do Bica e tratem tudo com a minha esposa relativamente às barraquinhas!- A multidão vibra!- Atenção! O grupo que vai actuar só pode ser composto por apenas quatro pessoas! Apressem-se! A selecção vai ser feita por...por...Pelo senhor Maurício!
- Eu???- disse o próprio- Não me meta nisso!- Entretanto alguém saltava na multidão.
- Então...Pela senhora Marcolina!- aquela pessoa saltava na multidão.
- Ai! Credo! Eu não! Nunca! Pecado! Pecado! Ai, meu Jesus Cristo!
- Senhor padre?- perguntei ao ao padre. Ele fez um movimento coma cabeça e eu percebi que não- Senhora Matilde?- Entretanto a pessoa saltava no meio da multidão.
- Não tenho jeito para escolhas...Escolhi uma unica coisa bem na minha vida: O meu Quimbé que Deus tem!
- Ele está no meio de nós- disse Marcolina.
- Quem? O meu Quimbé?- disse Matilde.
- Não mulher, Deus! Ai, louvado seja o criador...- pressegui.
- Marta! Estará sensivel agora que está grávida! É ideal!Será você!- disse eu esperando uma resposta positiva.
- Não me meta a mim nem à minha mulher nisto! Por favor!- disse logo o Maurício...Cambada de gente mediucre!- Ai...Eu não posso ser! E não vou por o mendigo mais a seua Patrícia a fazer isto! Então tive de perguntar:
- Então quem quer?
- Eu!!!!!! Oh! Faxabor!!! Eu!!!!
- Então...Mais ninguém?- perguntei. Nada. Ninguém.- Bom, então, sendo assim, a selecção e a coreografia será feita por Manel dos Coices! E assim me retiro, bla bla bla com muito amor e carinho o vosso amado presidente Costeleta!
- "Au, Au!", calma Patrícia.
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