domingo, 25 de maio de 2008

Anda cá, Patrícia. Vamos ver o que é aquilo ali!


"Chi-na-pá tanta gente! Boa! Deve ser comida à borla, já estou farto de comer o esparguete que sobrou do aniversário do Frederico Costeleta de à 5 semanas atrás! Anda Patrícia!", pensei eu, puxando a trela da minha cadelinha raferia, a minha Patrícia. Estava muita gente à porta do casa do casal novo que se instalou aqui na vila. A senhora é tão simpática, da-me sempre uns trocadinhos e uns biscoitos à Patrícia quando ás vezes lhe peço. "Ena pá! Já viste aquilo, Patrícia? Está ali a senhora Primeira dama! Cá para mim isto é obra do presidente e...Oh! Que belo penteado tem a senhora. Está sempre tão bem arranjada, não achas Patrícia?" "Ão, ão", fez a cadelinha como forma de dizer: Deixa de ser mentiroso Carmindo que não te fica nada bem a senhora parece que tem uma doninha morta na cabeça! Ai...Patrícia, Patrícia, a mulher que nunca tive! "Vá, Carmindo Ostentação!És mendigo ou és o quê? Vamos lá ver o que se passa ali!". E lá fui eu a cantar umas musiquinhas românticas, sim, porque sou um mendigo com coração, não é Patrícia?É pois. Fui então ter com aquela gente toda. Quando cheguei afastaram-se, não sei porquê. Parei ao lado da primeira damosa e quando me viu, a senhora, assustou-se e disse:
- Ai, cruz credo! Saia para lá seu rafeiro!
- Não, não, a Patrícia é que é rafeira! E sou Ostentação, Carmindo Ostentação, um mendigo ao seu dispor. (E fiz uma vénia. A senhora cheirava bem).
- Ui! Chegue-se para lá que não quero contaminações!
- Uuuhhh!Uhhhh!!- gritou a multidão em meu auxilio e ouve-se lá do fundo:
- ÊÊÊ tás bem boa, tás! Oh primeira dama de um raio, que não gostas de um pobre mendigo! Assim tás bem boa, tás! Bais ber! Bais ber onde meto o meu voto para o teu marido! Ai, bais bais! Vai direitinho para o meu...
- Epá! Vamos lá a parar com isto, oh Manel...- disse o senhor Jerónimo da Bica- Mas ele tem razão, senhora Prudência- disse o cafézeiro aproximando-se da perua-...O mendigo é boa pessoa!
- É bem bom!- Rematou o Manel.
- B'rigada Manel, meu amigo!- disse eu. Ele é porreiro, às vezes da-me o resto da comida do burro dele. Não é muito bom, mas serve. E aliás, junto dele pareço mais limpo e isso agrada-me.
A senhora Marta acordava de um soninho.
- Então, dona Marta? Agora também dorme na rua como eu?- perguntei.
-Hã? O quê? Mauzinho?- disse ela.
- Não, seu paspalhão! Não vê que ele a trouxe cá para fora para a moça apanhar ar?- Disse a dona do cabeleireiro. Pronto, não sabia. Pedi desculpa.
- MÈDICO! Por favor!- disse o jovem do casal. Estava zangado a ponto de enfurecer a Patrícia.
- Tenha calma! Patrícia! Larga as calças do senhor! Você assustou-a, está a ver?
- Tire-me esta cadela rafeira daqui! Preciso de um médico! Nem um médico há nesta terrinha! Que nojeira!- Gritava o homem com a Patrícia à perna.
- ÊÊÊÊ tem lá calma ou mariconso!- Gritou da multidão, outra vez, o Coices- Tás aqui tás ali! Nossa terra é bem boa! É não é? Ai o caroço!- A Patrícia assustou-se mais uma vez. É uma rafeira sensível, a pobre bicharoca, e partiu da perna do Maurício para a perna do Manel dos Coices que foi uma maravilha. O Manel começou a gritar e a chamar pela mãe e fugiu com a Patrícia atrás. Mariconso? Afinal qual dos dois?
- O senhor é médico?- perguntou-me o jovem do casal.
- Eu? Não, sou mendigo.
- Então despareça daqui! E leve consigo esta gentalha que não presta para nada!- O Manel já não estava lá para contestar, mas o Jerónimo fez questão de acalmar os ânimos:
- Oh Sr. Mauzinho, vamos lá ter calma na linguinha!- disse o cafezeiro.
- Sim! Está para aqui a dizer mal da gente! Olhe...digo-lhe já- dizia a cabeleireira- o que a sua mulher tem digo-lhe eu e não perciso de nenhum médico nem nada, porque os anos de cabeleireira que tenho me deram muita escola! Ora observem- disse chamando à atenção e empurrando bruscamente a primeira damosa que caiu de rabo para uns arbustos que estão em frente da casa dos queixosos- Diga-me, Marta- prossegui a Euníce- Tem tido enjoos ultimamente?
- Oh...ainda hoje de manhã, após o Mauzinho sair...Ai, senti-me tão mal...Mas isto são os Ovénis Eu sei que...
- E diga-me outra coisa- continuou a estilista de gadelhas- tonturinhas? Tem tido?
- Não muitas...Mas hoje na casa de banho deu-me uma tão grande ao ver aquele...
- Ah! Senhores e senhoras e...Primeira dam...senhora Prudência: A nossa Marta...A nossa querida e amada Marta...Está grávida!- A multidão aplaudiu e depois instalou-se um borburinho. A Patrícia apareceu naquele momento com um pedaço de tecido na boca. Todas as pessoas, e mesmo a Patrícia, estavam boqueabertos! Prenha? A mulher que não emprenha!?
- Meus senhores! Meus senhores! Isso não faz sentido!- Dizia o Mauricio de braços no ar para acalmar a população- A minha mulher desmaiou porque se impressionou com algo estranho! Um "Q", pintado com geleia no nosso espelho da casa de banho! E o cheiro que estava na casa pode-lhe ter provocado tonturas!- A multidão disse um uniforme "OOOOhhh", de espanto.
- Pois...- Disse a Euníce- Só com um testezinho é que saberemos...Eu assim não consigo perceber nada!
- Mas eu vou perceber- disse uma voz rompendo a multidão- Ou eu não me chamo Orlando Manteigas! (pisca o olho à cabeleireira e faz um sorriso que de tão branco me ofuscou)...Ai...aqui vamos ter pano para mangas...Mas...Será que me dão um bocadinho de pão para eu ir aproveitar a geleia que está no vidro da casa de banho do casalinho? Ninguém vai comer! Um docinho é bom! É bem bom!

2 comentários:

Pata@Jesus disse...

Oh meu Deus! O sr. vai comer a geleia?? Argh!

Ahhh, afinal a cabeleireira é a Eunice e quem morreu foi a Marcolina ou cm k raio se chama a mulher...tá bom!

Esta vila é estranho e a cadela Patricia tbm! ou antes, é sensivel...:P

Bjs

Quem somos? disse...

Quem morreu foi a prima da Marcolina.
Quando acabarmos a historia e fizermos um livro damos-te uma copia para encadearesas ideias.

Bjnh,
Marijoana