terça-feira, 10 de março de 2009

Coisas do destino

Nem custou muito convencer a madame Charlotte para dispensar a rapariga. Ela pensa que me conhece muito bem, que sabe de todas as minhas manhas mas está enganada. Basta tocar no assunto do seu queridinho para ela ficar alterada. Depois inventei uma história relacionada com ele, que a Odette era uma oportunista que sabia da história e estava ali para fazer chantagem. Ela nunca vai confrontar a rapariga com isto, não gosta de tocar no assunto, e por isso vai fazer com que ela se afaste o mais possível do "Charlotte". É por isso que ela nunca me contraria, sei demais da vida dela.

E tudo voltou a ser como era, e como nunca deveria ter deixado de ser, Jacqueline protagonista o resto para enfeitar. Depois do escândalo que a lunática fez a Charlotte retirou-se e os ajudantezecos, bailarinos e músicos ficaram especados sem saber o que fazer ou dizer. Coube-me a mim esclarece-los.
- Mexam esses cus! Pacheco tens coisas para empacotar e guardar, vocês tirem daí os instrumentos e as meninas vão tirar as roupinhas antes que as vossas gordurinhas rebentem com elas!
-Cabra ...
- Disses-te alguma coisa Pacheco?
- Não dona 'tava aqui a falar com o Florentino.
- Bom respeitinho o pr ... Pacheco!
Esta gente, a Charlotte tem-se desleixado com a escolha do pessoal ultimamente, contrata qualquer um. Ao menos o ar está mais respirável, não temos aquela sonsa a espalhar o seu perfume barato. Bastou lembrar-me da cara que ela fez quando a Charlotte a mandou embora para ficar mais feliz. Já deviam saber que não se devem meter comigo.
O Alan andava distante, não falava muito, mas também não deixou de vir aos ensaios assim que a outra saiu o que é bom sinal.
- Então chéri, estás a gostar da peça?
- Da peça? Ah sim maravilhosa estou a adorar, amar ui o que eu amo esta peça!
- Estou a ver ... nunca darias um bom actor. Diz lá o que se passa é por causa da enjoada ... quer dizer da Odette?
- Não, quer dizer em parte, não te preocupes comigo.
- Claro que me preocupo! gosto de conhecer bem as pessoas com quem trabalho, aliás conheço a tua mãe, tenho falado com ela ...
- Tens?
- Sim. É uma boa mulher sabes, corajosa e lutadora só quer o teu bem!
- ... e manipuladora, e coscuvilheira e ... insuportável! De um dia para o outro ficou assim, já nem sei porque deixei Paris.
- Foi o destino que te chamou para aqui.
- Não me vens agora dizer que acreditas nessas coisas?
- Claro que acredito! E tu tambem devias, ajuda a ultrapassar os problemas. Falar com alguém, uma vidente, alguém de confiança.
- Se me aconselhares alguém ... vou contigo.
Hmmm ... esta história ainda podia dar frutos! É claro é só tornar o rapaz supersticioso, fará tudo o que eu quiser. Tenho a certeza que a mãezinha também vai adorar.
- Realmente parece-me bem mas ... onde vai arranjar alguém que faça aquilo que você diz, dizer-lhe o que quer que lhe diga?
- Bom Anne Marie eu já andei a fazer as minhas pesquisas no terreno. Na praia estão instalados um casal de ciganos, estão em dificuldades, na vila são olhados de lado e ninguém lhes oferece trabalho ... podia fazer um acordo.
- Não gosto muito de ficar a dever favores a esse tipo de gente.
- Marie!
A mulher enfezada entra pela porta a chorar baba e ranho e a pedir o colo da Anne Marie como se fosse uma criança. Nem deu pela minha presença.
- Ele não me ama!
- Ele quem Edith? Acalma-te mulher!
- O Marcelle ele ...
- O MARCELLE?
Mas toda a gente me apunhá-la pelas costas? Ainda à uma semana era só atenção, não me largava por um minuto ... e agora enrabicha-se com esta ...
- Adeus Marie!
Saí de imediato e tentei disfarçar o ódio que tive ao Marcelle naquele momento. Não é que goste dele, não é isso, mas não gosto de ser trocada! Muito menos pela aquela amostra de mulher! Agora é bom que a cigana não me arranje problemas e faça o que eu mandar!

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