
- Não, não e não! Eu não posso ir ao barco, vou me meter na boca do lobo! Não, nem pensar! E se me descobrem?
- Queres ou não queres que o chá tenha efeito? Se não fores lá hoje à tardinha, que é quando completa vinte e quatro horas ,o Alan cai de amores por aquela horrorosa e tu ficas a ver navios...literalmente.
- Mas eles lá são espertos...Não me admirava nada que o Pacheco tirasse o xaile e me revela-se em frente àquela gente toda.
- Miúda, ouve-me: Neste momento tens meia hora para decidir se queres que o Alan fique encantado por ti ou por aquela lambisgóia.
- Tu também...Podias ter preparado um chá com efeito instantâneo! Assim ele olha para mim e pronto!
- Tem calma. Isto agora é aos poucos. Só tens de estar à direita dele, às horas certas, com um ramo de rosmaninho na mão esquerda. Ah! E não te esqueças de que ele tem de ter o sapato esquerdo molhado.
- Esse é o feitiço mais esquisito que eu já vi...Como vou molhar-lhe o sapato?
- Inventas qualquer coisa.
- Sim, pois...
- É agora ou nunca. Pegar ou largar. Quem não arrisca...
- Já percebi, percebi à primeira não precisas de dizer mais provérbios...- Não estava muito segura. Aceitei o plano da Morgana, estar sozinha com ele para lhe lançar o primeiro "feitiço", depois o chá, agora tinha de fazer com que o feitiço e o chá façam efeito. Nunca acreditei nestas coisas. Lá na minha terra havia uma curandeira mas não era como a Morgana. A Morgana é cigana e tem todos os truque e "feitiços". Poderia estar a fazer aquilo tudo e na volta nem ter nunca mais o Alan, que nem se preocupou em seguir os meus passos, mas enfim...
- Eu vou!
- Assim é que é falar!- disse a Morgana- Agora, vá, cobre-te lá com os teus mantos e...Espera, ouviste alguma coisa? Parece que estão a bater palmas lá fora...
- Amori, está ali o moço da praia, diz que quer falar com a Guadalupette.
- Com quem?- dissemos as duas.
- Foi uma mistura que fiz de Guadalupe e Odette para ninguém perceber!
- Que bonito, Rodriguez, que bonito...Diz a ele que ela já vai.
- MORGANA!- disse eu.
- Que é? Ele está aqui! Vai ser mais fácil do que imaginamos! Nem corres riscos ao ir ao barco. És uma sortuda, é o que és!- dizia ela encaminhando-se para a outra tenda, onde o Alan a esperava.
- E o que faço eu??
- Tu vens depois- disse, parando e cobrindo a cabeça com o lenço- levas o rosmaninho na mão, não te esqueças! Levas um copo de água, com a desculpa do calor, eu peço ao Rodriguez para te chamar. Acidentalmente entornas no pé esquerdo do moço e corres para a sua direita assim que eu tossir.
- Não sei se consigo fazer isso...- Ela olhou para mim, piscou-me o olho, ajeitou o lenço e lá foi ela. Até lá pus-me a pensar: " Rosmaninho mão esquerda, ou direita? Sim...esquerda. Tenho de estar à direita dele, sim: Rosmaninho na esquerda e direita dele. Molhar o pé! Molhar o pé esquerdo! Passado pouco tempo o Rodriguez veio me chamar e deu-me uma bandeja com o copo de água. Ao entrar na tenda toda eu tremia. A Morgana olhava fixamente para um pequeno relógio que o Rodriguez tinha encontrado ao chegar a Fleury, já com meio vidro quebrado.
- Era consigo que queria falar, Guadalupe!- Disse Alan, levantando-se da cadeira onde estava sentado, ao me ver. Acenei com a cabeça e cobri-a mais um bocado.
- Sente-se, sente-se Alan, por favor esteja à sua vontade- dizia a Morgana sem despregar os os olhos do relógio podre de velho.
- Sim, mas, de facto, queria pedir ajuda à Guadalupe, eu percebi que ela entende bastante destas coisas...Assim, so futuro e prever coisas e...Eu estou muito preocupado com...
- BEBA ÁGUA!!- Aquilo não estava previsto. Naquele momento a Morgana grita eu entorno a água, aperto com força o rosmaninho na minha mão esquerda- COF, COF, COF AH! MALDITA TOSS...COF COF!!- e corro para a direita do rapaz, como uma velha que era, nunca conseguiria correr. Fechei os olhos e...fez-se silêncio. Eu e o Alan olhavamos para a Morgana que recuperava do seu "forte ataque" de tosse. Foi ela que quebrou o gelo:
- Tosse...Tenho destes ataques...Ops! Oh não...- ela olhava para o chão...- Está molhado!
- Ah, não há problema!- disse o Alan.
- Ha sim! E não imagina quanto! Preciso de conferenciar com a minha amiga, ah...mãe! Guadalupe! Vamos só ali e...bom, nós já vimos, ponha-se à vontade, como se estivesse na sua casa.
- Bom, na verdade tenho um pouco de pressa...
- A Guadalupe já vem, deixe-se estar aí, sabe como é, ataques de tosse, só ela sabe fazer aquele chazinho, coisinhas das mães, coisinhas da Guadalupe, coisinhas...Enfim, ela é muito poderosa,como pode ver, já voltamos!- E agarrou-me no braço e puxou-me para fora da tenda, deixando o Alan embasbacado lá dentro.
- Ai! Que foi??? Deu certo!!- disse eu.
- Deu? Deu? Entornas-te-lhe a água no pé direito, mulher!!!
- Oh...e agora?
- Agora vamos ter de recorrer a mais feitiços...Mesmo assim nada está perdido, ele vai começar aos poucos e poucos e pouquinhos a sentir qualquer coisa por ti.
- Mas espera...eu sou só uma velha, feia, horrivel, cigana!
- Bem! Olha como falas da mãezinha...Mas isso não interessa para o feitiço, tolinha! Ele vai procurar o que tu és por dentro...
- Isso é muito romântico, a sério Morgana, mas não me parece...
- A ver vamos. Agora vai lá para dentro e vê o que ele quer. Vá!- E lá fui. Por pouco não era apanhada, tinha me esquecido de tapar a cara com o lenço antes de entrar. Sorte ele estar de costas.
- Peço desculpa- disse eu com a voz de velha que tinha adoptado- Sabe como são as filhas...Mas diga- disse, sentando-me à frente dele- o que o trouxe até mim?
- Bom, eu sei que me disse daquela vez na praia que muito mais cedo do que eu imaginava ia encontrar aquilo que procuro...Mas eu não percebi se o que procuro, porque no fundo eu procuro imensa coisa e...
- Pense bem- disse eu, não conseguindo evitar de o olhar nos olhos- O que procura ,mesmo?
- Aí é que está! Eu procuro sucesso, felicidade, boa vida, procuro a mulher dos meus sonhos...
- Em que sentido?
- Em que sentido?...Esse é o problema. Quando me disse que mais tarde ou mais cedo eu ia encontrar aquilo que procuro...pode ser nesse sentido ou no sentido de eu encontrar a pessoa que eu realmento ando à procura, percebe?
- Hum...Procurar a mulher dos seus sonhos que pode estar perto corresponde a...
- Jaqueline.
- E de quem você realmente anda à procura?...
- Da Odette...Ela desapareceu, sem deixar rasto, estou preocupado mas não posso deixar os ensaios no barco porque agora estou a ganhar realmente bom dinheiro porque a Charlotte nos adiantou os pagamentos mas...Se eu pudesse, Guadalupe, corria o mundo à procura da Odette. Nem que ela estivesse na China, eu ia ter com ela! Só que ela também não se interessou em me dizer nada e...
- Claro que se interessa!
- Como disse?...- Ops, meti a pata na poça...Tive de desenrascar.
- Que ela se interessa por si, aliás, ela interessa-se muito por si.
- Chegou a conhece-la? Porque na verdade a senhora só apareceu quando ela...
- Não, não então não conheci a Odette? Conheci pois, eu já cá estou desde que a minha filha e o Rodriguez chegaram tenho é estado sempre nas tendas, estive doente...Mas acredite, ela interessa-se...
- Mas ela disse-lhe alguma coisa- o rapaz estava exaltado.
- Ela...sim, qualquer coisa...Mas sabe, eu sou vidente, vejo coisas e adivinho coisas também...E ela interessa-se...eu, hum...sinto-o!
- E pode me dizer onde ela está?
- Isso também não, não sou nenhum mestre Bambu!
- Quem é...
- Não interessa. O que tens de saber dentro de ti é realmente por quem, neste caso, procuras...Se bem que eu estou mais inclinada para a segunda hipótese, sem querer influenciar, claro.
- A Odette.
- Hum, hum (para todos os efeitos eu não disse isto)...Sabes como é, não posso influênciar os meus clientes nesse tipo de decisões- E olha-mo-nos nos olhos, mas tão profundamente que por momentos pensei que tinha estragado tudo. A minha sorte é que a Mograna é uma excelente maquilhadora e com todas estas rugas ele nunca...
- Odette...- disse ele.
- HÃ?
- É a Odette que eu penso que procuro, Guadalupe.
- Ah...Sim...- Ufa...
- Nao ficou calor de repente?- Perguntou o Alan, abanando um pouco a camisa.
- O Rodriguez deve estar a assar peixe lá fora, se calhar...
- Deixe-me vir visita-la mais vezes, Guadalupe- disse ele, pegando-me na mão- Sinto-me tão bem ao falar consigo, transmite-me uma calma...E os seus olhos, são tão...tão...Tranquilizantes. Parece que já nos conheciamos!- Eu retirei a minha mão debaixo da dele. Que chá potente!
- Bom, cá estarei, com certeza, Alan...E não precisa de pagar consultas. Agora somos amigos.
- Sim- disse ele sorrindo - Então até breve!- E saiu da tenda. Mal ele saiu a Morgana entrou. Chegou-se ao pé de mim e deu-me um beijo sonoro numa das minhas boxexas rugosas.
- Grande mulher! Sim senhora! Só não gostei da parte das consultas grátis...
- Estavas a ouvir??
- Sou cigana, lembras-te? Adivinho coisas, coisinhas...- E rimos juntas.
- Jantaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! Então? Não vêm comer aqui os peixinhos do Rodriguez?- disse o Rodriguez espreitando para dentro da tenda. Fomos comer, estavam divinais, os peixes do Rodriguez. Pena que a Morgana os tenha vomitado no minuto seguinte...Ai, Alan...
- Queres ou não queres que o chá tenha efeito? Se não fores lá hoje à tardinha, que é quando completa vinte e quatro horas ,o Alan cai de amores por aquela horrorosa e tu ficas a ver navios...literalmente.
- Mas eles lá são espertos...Não me admirava nada que o Pacheco tirasse o xaile e me revela-se em frente àquela gente toda.
- Miúda, ouve-me: Neste momento tens meia hora para decidir se queres que o Alan fique encantado por ti ou por aquela lambisgóia.
- Tu também...Podias ter preparado um chá com efeito instantâneo! Assim ele olha para mim e pronto!
- Tem calma. Isto agora é aos poucos. Só tens de estar à direita dele, às horas certas, com um ramo de rosmaninho na mão esquerda. Ah! E não te esqueças de que ele tem de ter o sapato esquerdo molhado.
- Esse é o feitiço mais esquisito que eu já vi...Como vou molhar-lhe o sapato?
- Inventas qualquer coisa.
- Sim, pois...
- É agora ou nunca. Pegar ou largar. Quem não arrisca...
- Já percebi, percebi à primeira não precisas de dizer mais provérbios...- Não estava muito segura. Aceitei o plano da Morgana, estar sozinha com ele para lhe lançar o primeiro "feitiço", depois o chá, agora tinha de fazer com que o feitiço e o chá façam efeito. Nunca acreditei nestas coisas. Lá na minha terra havia uma curandeira mas não era como a Morgana. A Morgana é cigana e tem todos os truque e "feitiços". Poderia estar a fazer aquilo tudo e na volta nem ter nunca mais o Alan, que nem se preocupou em seguir os meus passos, mas enfim...
- Eu vou!
- Assim é que é falar!- disse a Morgana- Agora, vá, cobre-te lá com os teus mantos e...Espera, ouviste alguma coisa? Parece que estão a bater palmas lá fora...
- Amori, está ali o moço da praia, diz que quer falar com a Guadalupette.
- Com quem?- dissemos as duas.
- Foi uma mistura que fiz de Guadalupe e Odette para ninguém perceber!
- Que bonito, Rodriguez, que bonito...Diz a ele que ela já vai.
- MORGANA!- disse eu.
- Que é? Ele está aqui! Vai ser mais fácil do que imaginamos! Nem corres riscos ao ir ao barco. És uma sortuda, é o que és!- dizia ela encaminhando-se para a outra tenda, onde o Alan a esperava.
- E o que faço eu??
- Tu vens depois- disse, parando e cobrindo a cabeça com o lenço- levas o rosmaninho na mão, não te esqueças! Levas um copo de água, com a desculpa do calor, eu peço ao Rodriguez para te chamar. Acidentalmente entornas no pé esquerdo do moço e corres para a sua direita assim que eu tossir.
- Não sei se consigo fazer isso...- Ela olhou para mim, piscou-me o olho, ajeitou o lenço e lá foi ela. Até lá pus-me a pensar: " Rosmaninho mão esquerda, ou direita? Sim...esquerda. Tenho de estar à direita dele, sim: Rosmaninho na esquerda e direita dele. Molhar o pé! Molhar o pé esquerdo! Passado pouco tempo o Rodriguez veio me chamar e deu-me uma bandeja com o copo de água. Ao entrar na tenda toda eu tremia. A Morgana olhava fixamente para um pequeno relógio que o Rodriguez tinha encontrado ao chegar a Fleury, já com meio vidro quebrado.
- Era consigo que queria falar, Guadalupe!- Disse Alan, levantando-se da cadeira onde estava sentado, ao me ver. Acenei com a cabeça e cobri-a mais um bocado.
- Sente-se, sente-se Alan, por favor esteja à sua vontade- dizia a Morgana sem despregar os os olhos do relógio podre de velho.
- Sim, mas, de facto, queria pedir ajuda à Guadalupe, eu percebi que ela entende bastante destas coisas...Assim, so futuro e prever coisas e...Eu estou muito preocupado com...
- BEBA ÁGUA!!- Aquilo não estava previsto. Naquele momento a Morgana grita eu entorno a água, aperto com força o rosmaninho na minha mão esquerda- COF, COF, COF AH! MALDITA TOSS...COF COF!!- e corro para a direita do rapaz, como uma velha que era, nunca conseguiria correr. Fechei os olhos e...fez-se silêncio. Eu e o Alan olhavamos para a Morgana que recuperava do seu "forte ataque" de tosse. Foi ela que quebrou o gelo:
- Tosse...Tenho destes ataques...Ops! Oh não...- ela olhava para o chão...- Está molhado!
- Ah, não há problema!- disse o Alan.
- Ha sim! E não imagina quanto! Preciso de conferenciar com a minha amiga, ah...mãe! Guadalupe! Vamos só ali e...bom, nós já vimos, ponha-se à vontade, como se estivesse na sua casa.
- Bom, na verdade tenho um pouco de pressa...
- A Guadalupe já vem, deixe-se estar aí, sabe como é, ataques de tosse, só ela sabe fazer aquele chazinho, coisinhas das mães, coisinhas da Guadalupe, coisinhas...Enfim, ela é muito poderosa,como pode ver, já voltamos!- E agarrou-me no braço e puxou-me para fora da tenda, deixando o Alan embasbacado lá dentro.
- Ai! Que foi??? Deu certo!!- disse eu.
- Deu? Deu? Entornas-te-lhe a água no pé direito, mulher!!!
- Oh...e agora?
- Agora vamos ter de recorrer a mais feitiços...Mesmo assim nada está perdido, ele vai começar aos poucos e poucos e pouquinhos a sentir qualquer coisa por ti.
- Mas espera...eu sou só uma velha, feia, horrivel, cigana!
- Bem! Olha como falas da mãezinha...Mas isso não interessa para o feitiço, tolinha! Ele vai procurar o que tu és por dentro...
- Isso é muito romântico, a sério Morgana, mas não me parece...
- A ver vamos. Agora vai lá para dentro e vê o que ele quer. Vá!- E lá fui. Por pouco não era apanhada, tinha me esquecido de tapar a cara com o lenço antes de entrar. Sorte ele estar de costas.
- Peço desculpa- disse eu com a voz de velha que tinha adoptado- Sabe como são as filhas...Mas diga- disse, sentando-me à frente dele- o que o trouxe até mim?
- Bom, eu sei que me disse daquela vez na praia que muito mais cedo do que eu imaginava ia encontrar aquilo que procuro...Mas eu não percebi se o que procuro, porque no fundo eu procuro imensa coisa e...
- Pense bem- disse eu, não conseguindo evitar de o olhar nos olhos- O que procura ,mesmo?
- Aí é que está! Eu procuro sucesso, felicidade, boa vida, procuro a mulher dos meus sonhos...
- Em que sentido?
- Em que sentido?...Esse é o problema. Quando me disse que mais tarde ou mais cedo eu ia encontrar aquilo que procuro...pode ser nesse sentido ou no sentido de eu encontrar a pessoa que eu realmento ando à procura, percebe?
- Hum...Procurar a mulher dos seus sonhos que pode estar perto corresponde a...
- Jaqueline.
- E de quem você realmente anda à procura?...
- Da Odette...Ela desapareceu, sem deixar rasto, estou preocupado mas não posso deixar os ensaios no barco porque agora estou a ganhar realmente bom dinheiro porque a Charlotte nos adiantou os pagamentos mas...Se eu pudesse, Guadalupe, corria o mundo à procura da Odette. Nem que ela estivesse na China, eu ia ter com ela! Só que ela também não se interessou em me dizer nada e...
- Claro que se interessa!
- Como disse?...- Ops, meti a pata na poça...Tive de desenrascar.
- Que ela se interessa por si, aliás, ela interessa-se muito por si.
- Chegou a conhece-la? Porque na verdade a senhora só apareceu quando ela...
- Não, não então não conheci a Odette? Conheci pois, eu já cá estou desde que a minha filha e o Rodriguez chegaram tenho é estado sempre nas tendas, estive doente...Mas acredite, ela interessa-se...
- Mas ela disse-lhe alguma coisa- o rapaz estava exaltado.
- Ela...sim, qualquer coisa...Mas sabe, eu sou vidente, vejo coisas e adivinho coisas também...E ela interessa-se...eu, hum...sinto-o!
- E pode me dizer onde ela está?
- Isso também não, não sou nenhum mestre Bambu!
- Quem é...
- Não interessa. O que tens de saber dentro de ti é realmente por quem, neste caso, procuras...Se bem que eu estou mais inclinada para a segunda hipótese, sem querer influenciar, claro.
- A Odette.
- Hum, hum (para todos os efeitos eu não disse isto)...Sabes como é, não posso influênciar os meus clientes nesse tipo de decisões- E olha-mo-nos nos olhos, mas tão profundamente que por momentos pensei que tinha estragado tudo. A minha sorte é que a Mograna é uma excelente maquilhadora e com todas estas rugas ele nunca...
- Odette...- disse ele.
- HÃ?
- É a Odette que eu penso que procuro, Guadalupe.
- Ah...Sim...- Ufa...
- Nao ficou calor de repente?- Perguntou o Alan, abanando um pouco a camisa.
- O Rodriguez deve estar a assar peixe lá fora, se calhar...
- Deixe-me vir visita-la mais vezes, Guadalupe- disse ele, pegando-me na mão- Sinto-me tão bem ao falar consigo, transmite-me uma calma...E os seus olhos, são tão...tão...Tranquilizantes. Parece que já nos conheciamos!- Eu retirei a minha mão debaixo da dele. Que chá potente!
- Bom, cá estarei, com certeza, Alan...E não precisa de pagar consultas. Agora somos amigos.
- Sim- disse ele sorrindo - Então até breve!- E saiu da tenda. Mal ele saiu a Morgana entrou. Chegou-se ao pé de mim e deu-me um beijo sonoro numa das minhas boxexas rugosas.
- Grande mulher! Sim senhora! Só não gostei da parte das consultas grátis...
- Estavas a ouvir??
- Sou cigana, lembras-te? Adivinho coisas, coisinhas...- E rimos juntas.
- Jantaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! Então? Não vêm comer aqui os peixinhos do Rodriguez?- disse o Rodriguez espreitando para dentro da tenda. Fomos comer, estavam divinais, os peixes do Rodriguez. Pena que a Morgana os tenha vomitado no minuto seguinte...Ai, Alan...
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