“Guen - Olá, pessoa que desconheço por completo!"
"Rafael- Sim, de facto não me apresentei...Rafael, gentil cavaleiro ao seu dispor. =P"
"Guen - Oh! Não me digas. Ninguém diria...-.-"
"Rafael- És sempre assim?"
"Guen- Hum...sim...ouve lá! Tu nem me conheces e começas já a mandar bocas, é?"
"Rafael- Ena, ena! Alguém teve um dia mau hoje"
"Guen- -.-...tipo...what? Enfim, vou ver o que deixaste na área das publicações"
"Rafael- Espera! Não vás! Ainda não...Aliás, nem devia ter publicado aquilo."
"Guen - Então?...Agora não consigo abrir o ficheiro. Deves ter posto aquilo num formato qualquer que não o normal."
"Rafael- Não, simplesmente apaguei".
Naquele momento quase que caí da cadeira a baixo. Um homem vindo não sei de onde publica uma coisa qualquer no meu site, fala comigo como se me conhecesse há anos e arma-se em parvo. Normal, hoje em dia. Ai...Sempre pensei que não pertencia a este tempo. Sempre! Desde miúda que me lembro de sonhar com cavaleiros e princesas, cavalos e armaduras, história épicas, castelos magníficos, lagos espectaculares, a natureza no seu estado...natural! Antigamente os relacionamentos entre homens e mulheres não eram assim, meu Deus. Era tudo tão civilizado, tudo tão mais misterioso, tudo tão mais estudado, tão mais romântico-trágico. Gostava de viver no tempo em que os homens lutavam pelas mulheres, que se matavam pelo seu amor, faziam duelos! Lutavam com espadas! Enfrentavam chuva, frio, terríveis tempestades, mostravam a sua valentia!! Agora? Aparece um gajo qualquer que começa a falar na net, as pessoas conhecem-se, saem, blá blá blá, sim, sim, és muito querido, e pronto. Ficam juntos. E quando a minha mãe me diz: "Então, Lena? Quando é que nos apresentas um namorado?" eu tenho sempre de responder: "Quando ele me salvar de um dragão cuspidor de fogo ou atravessar o Atlântico a nado só para me ver, lutando contra piratas. Ou então quando vier de uma longa jornada, a cavalo, claro, e me vier buscar ao meu T2, e me levar para um castelo". "Lena...", diz a mãe com um ar enfadonho, "...já conheces o Bernardo? É filho do Zé Teotónio, que mora duas casa acima da do teu padrinho". A maior parte das vezes não me interessa. O último rapazinho da aldeia da minha mãe, perto de Tomar, com quem namorei era muito querido, sim senhora, mas não dava uma para a caixa. Ainda para mais, no fim da nossa relação, que durou um mês e picos, tive de ouvir os pais dele, porque virei de tal maneira a cabeça ao rapaz que em vez de seguir Advocacia, para ser Sr. Doutor, como os pais queriam, foi para Arqueologia. "Você enfeitiçou o meu rapaz!!", disse a mãe do moço. "Eu? Oh, minha senhora, tenha paciência! O rapaz já tem o dom natural para a coisa". Mentira. O rapaz não tinha dom nenhum. O que aconteceu foi que eu passava o tempo em que estava com ele a contar histórias e mais histórias e, como ainda éramos adolescentes e tínhamos tempo para essas coisas, fazia-o procurar peças arqueológicas, coisas velhas, pedras e pedregulhos, que encontrávamos no chão, perdidas na mata. Ainda hoje tenho um pedaço de ferro, martelado, uma argola, que ele encontrou perdida perto do Convento de Cristo, e um bilhetinho:" Para a doce Lena do cavaleiro Hermínio."Um nome e pêras para um cavaleiro, hã? Coisa magnifica os tempos da juventude. Mas mais magníficos os tempos antigos...Hoje é tudo "descartável", rápido, fácil e simples. Trocando por miúdos: sem gracinha nenhuma.
"Guen- Apagaste? Nem cheguei a ver o que era."
"Rafael- Melhor assim. Precipitei-me. Nem te conheço"
"Guen- Nem me podes dizer o que era?"- Dão o chupa-chupa à criança e depois tiram-no no momento seguinte. Odeio isso. Não estávamos a começar bem.
"Rafael- Ah, nada de importante...Deixa lá isso."
"Guen- Diz lá! Alguma coisa que tenha a ver com os templários?...Só pode...Vá lá! Diz-me! =D"
"Rafael- Não, foi um erro. Esquece. Um dia conto-te =P"
Hum. Aquele cavaleiro estava realmente a armar-se em chico-esperto. Eram quase três da manhã e eu na treta com um desconhecido.
"Guen- Um dia...Está bem. E já agora! És a favor do jantar medieval na Quinta da Regaleira?
"Rafael- Totalmente!"
"Guen- Boa =)"
"Rafael- Mas nada de Macdonalds XD"
A partir daqui foi até às cinco da manhã a falar de comida. Fiquei a saber que gosta de mais de carne do que de peixe. Que é a favor dos assados e que não é apreciador dos cozidos. Que gosta mais de doce do que fruta. Que a mousse de chocolate e as barrigas de freira são as suas predições e que a lojinha típica das queijadas de Sintra era perto da casa dele. Morava, então, em Sintra. Quem me dera! Cinco da manhã a coisa ainda rendia:
"Guen- Olha, sabes, são cinco da manhã..."
"Rafael- Quatro e cinquenta e oito, para ser mais exacto, lady Guinevere".
"Guen- Seja. Tenho de ir dormir. Amanhã posso acordar tarde, sim, mas não exageremos."
"Rafael- Não tenho pressa nenhuma..."
"Guen- Boas noites, cavaleiro das trevas"
"Rafael- Das trevas? Sou um guerreiro da luz!"
"Guen- Só disse isso por causa da imagem"
"Rafael- Lol a imagem não tem nada a ver. É só de um jogo de computador"
"Guen- Muito bem. Então até...?"
"Rafael- Amanhã. =)"
"Guen- Adeus =)"
Log-off.
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