-Mãejinha? - pergunta o malcheiroso.- Sim sou eu querido Manel.
- Tu ... és o indibiduo que ficou de trazer o colar de diamantes e a torradeira para a Giselle e para a Dona Matilde, que representam a herança do seu pai e esposo respectibamente, para que possam biber felizes e confortábeis na sua grande riqueza para o resto das suas bidas?
- Aceito! Quer dizer ... claro que não Manel! Olha que disparate!
- Então o que é que faz montada num cavalo, vestida com uma capa e com essa caixa na mão, senhora minha sogra? - pergunta a Giselle.
- Oh filhinha é simples. A capa estava em saldos, a caixinha tem caramelos que comprei na fronteira e o cavalo era de um homem que encontrei à beira da estrada. Como o autocarro teve uma avaria tive de arranjar outro meio de transporte. O homenzinho foi fazer o seu chichi e a mãezinha aproveitou.
- Esse homem ... t-tinha uma caixa na mão?? - pergunta a Dona Matilde prontamente.
- Acho que sim e parecia estar com pressa, mas não se conseguiu conter. E faz ele bem, dizem que conter a urina é do pior que se pode fazer, faz muito mal à bexiga e ... onde vão todos? Esperem por mim ...
Aqueles sacanas fugiram e deixaram-me aqui neste fim do mundo. Acordei e estava a casa vazia, nem raptores, nem raptados nem Eunice. Estou de bolsos vazios por isso lá vou ter de ir a pé até à Vila. Quando voltar ao meu cargo de Presidente vou contratar um motorista, não tenho idade para estas aventuras. Decidi seguir o rasto da carroça. Nem acredito que concordei financiar este maldito filme. Devia era ter comprado uma carroça para mim.
Já cheira a tremoços o que significa que devo estar a chegar a Vila Sem Nome, a vila que me viu crescer. Nem custou assim tanto. Pelo caminho vim cantarolando as canções que cantava na minha juventude quando ía acampar para Raminhos-de-Salsa.
Lá vai o Sol nascer
Mais uma manhã a acordar
Vou ver a minha dama linda
Com a qual eu vou casar
Ai dama liiinda
Ai dama boaaaa
És a mais liinda, dama linda
És a mais boaaa
Olha a seara dama linda
Olha ela a dançar
Dança ao vento dama linda
Para as cuecas eu puder espreitar
Ai dama liinda
Ai dama Boaaa
És a mais liinda, dama linda
Boa, boa, boa
Estava eu a cantarolar quando me deparei com um homem à beira da estrada. Estava encostado a uma oliveira num pranto. Chorava, chorava, chorava.
- Então homem, alguma desgraça?
- Então não? Fiquei encarregado de entregar uma encomenda importantissima numa vila qualquer "Vila Sem Nome" ou lá o que é, mas roubaram-me o cavalo! E agora que vou fazer!!!
- Não se aflija você está perante o Presidente de Vila Sem Nome, o homem que comanda os destinos da vila, o homem que ...
- Mas porque é que você está assim vestido?
- Assim como?
- Nesse fato de xerife.
- Você não sabe? Vila Sem Nome é agora uma das capitais do cinema mundiais. Estou neste momento a participar num western.
- Cinema! Adoro cinema! O meu sonho sempre foi ser actor. Daqueles famosos que falam uma língua esquesita e namoram com aquelas senhoras com cabelos cor de ouro.
- Então aqui tem a sua oportunidade. Junte-se a nós! Qual é o seu nome meu rapaz?
- Jacinto Quimbé.
E esta hen! Parece que o velho Quimbé teve um filho de outra mulher e encarregou-o de entregar a herança às suas meninas. Parece-me que o rapaz nem sabe o que está dentro da caixa. O caminho agora é mais dificil, concordei em ajudá-lo com a carga. O sacana trás sacos e sacos de roupa, comida, bujigangas. Parece que ganha a vida como comerciante.
- Bom aqui estamos!
- Isto é que é Vila Sem Nome? Pensei que fosse melhor. O pai descrevi-a sempre tão viva, cheia de cor e de belos ...
- Ali está a mãe do Coices! Minha querida pode dizer-me onde está a equipa de filmagens?
- Foram todos à procura dele. - disse a mãe do Coices apontando para o Jacinto.
- E isso foi à quanto tempo dona senhora mãe do Coices?
- Uns 20 minutos. E cá estão eles!
- O quê onde? O que é isto??
- O me dás essa caixinha que aí tens, ou o velhote vai à vida! - ameaçou o sacana do padre, cowboy, Hernandez, Paixão.
- Mas chuchuzinho, essa ainda é a pistola de brincar, não tem balas verdadeiras mas se encheres com àgua, esguicha ...
- SAPINHA és sempre tão ... tão ...
- Veja lá como fala com a Eunice!!
- Não se meta senhor Vitela!
- É Presidente Costeleta e desculpe mas tenho de me meter pois estou com uma bisnaga apontada aos miolos!! Espera lá ... bisnaga não mata.
- Não que não mata! - o pobre Manel e os seus receios aquático-higiénicos.
- A caixa vai para quem lhe pertence ... onde está a Dona Matilde e a sua filha Giselle Quimbé?
- Somos nós! - dizem em coro.
- Esta caixa pertecence-vos. O meu pai incumbiu-me esta missão e eu cumpri-a! Agora já posso seguir a minha carreira de actor não é senhor Costeleta?
- Qual é o teu nome filho? - pergunta a Dona Matilde.
- Jacinto Quimbé. Sou o menino que o senhor Quimbé adoptou em Cova-da- Chinela. Ele sempre me ajudou a mim e à minha mãe mandando dinheiro muitos anos antes de vos ter a vocês. Era um bom homem, disse que nos ía ajudar no que pudesse depois do que fizémos por ele.
- E o que fizeram por o meu Quimbé?
- A minha mãe era calista e ajudou-o com um calo que tinha no pé esquerdo. Ficou eternamente grato e até se ofereceu para me dar o seu nome, já que o meu pai saiu para comprar fósforos e nunca mais voltou. Abram a caixa para ver o que tem dentro!
E ao abrir a caixa, como era de esperar, encontraram um lindo colar de diamantes e uma torradeira. As duas abraçaram-se emocionadas e o Jacinto depressa se juntou a elas. Todos observavam aquela cena tão sentimental com uma lágrima ao canto do olho. A prostituta e o rapaz das águas abraçaram-se e ao seu pequeno, o Manel aconchegou as suas meninas enquanto evitava o Manteigas, o taberneiro e a Marcolina mimaram o seu Crispim e eu o Xerife fiz uma pose triunfal, como o grande herói do filme e pisquei o olho para a câmara que logo mudou de plano com a Eunice a dizer umas quantas obcesnidades. E o cowboy, padre, Hernandez, Paixão perguntam vocês ... bem ele ...
- Ai que lindo! A família finalmente reunida. Acho que vou chorar ... cambada de anormais!
- Oh Hernandez cala-te! Não vês que não vale a pena lutar contra o amor de uma família.
- Cala a boca seu maricas!! Que belo parceiro de crime me saís-te! Só pensas em fraldas, papinhas e pó talco!
- Acalma-te! vamos voltar a Pastelinhos tenho a certeza que ainda aceitam o casal Coentros lá. E tu sempre ficas-te tão bem naqueles vestidinhos cor-de-rosa!
- Estás louco!! Eu vim aqui pelo dinheiro e não sai daqui sem o dinheiro e ... Poff
- Quimbé?? Eu sinto-te Quimbé!!- Dona Matilde chama pelo seu antigo amor ... o actual ... Ostentação! Vamos evitar as comparações ao nível ... de higiene pessoal e fluídos corporais.
- Matiudi!! Finaumenti cês podem ser felizis! Vendam o colá e usem a torradeira sempri qui precisarem para mi contactarem. Deixei também o livro di instruções, pois essa torradeira é complicáda.
- Hernadez!! Hernandez?? Ele está ... - chama o Xavier desesperado.
- Mórreu! Disculpem mais não mi consigui controlá!
- É normal paizinho. Até eu já desejava acabar com este animal nojento!
- Não minha Giselli. Pápai não conseguiu controlá a flatulência!
- Ao menos morreu a sorrir. Tal como ...
- A minha Prudência! Voi você? Mas pensávamos que tinha sido ... - digo eu estupefacto.
- Não!! Quer dizer ... eu anistisei ela ... e o mauvado fez o resto!
- Ah bom! Assim é outra história.
Na verdade a minha Prudência estava-me a roubar eleitores. Gostei muito dela mas partiu em boa hora.
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