
- Esteban?
-Uhuh.
- Oh Esteban meu querido!
- Está a falar sózinha tia?
- Claro que no! Hablo que Esteban!
- Ah com o passarito! Já agora posso fazer-lhe uma festinha?
- Sí, mas com cuidado Javier!
- Já está!
- Que? Tu arranscas-te uma pena ao Esteban?? Vai Esteban, pica-o, pica!
E meu querido Esteban lá foi bicando Javier na cabeça, nos braços, nos olhos ... ai que obediente! É a minha única companhia nesta tenda de gente doida. Hoje está tudo numa azáfama, parece que o Javier anda a planear novo ataque a Santa Terrinha. Ele procura-me sempre para dar a minha opinião e quando não o faz eu dou-lha de bom grado. Eu tenho mais experiência de vida e ainda por cima sou a única mulher que por aqui anda e um toque feminino nestas coisas faz sempre a diferença!
- Temos de atacar o mais depressa possível! - grita Javier - Eles estão numa posição cada vais mais forte, estão a reunir tropas e nós aqui plantados sem agir ... não, tem de ser ahora!
Todos pareceram concordar, mas eu como sempre resolvi intervir:
- Caros amigos, penso que a decisão mais sensata será arranjar um bom aliado em Santa Terrinha, alguém perto do conde, que nos ajude a perceber os seus planos, os meios que dispõem ...
- Querida Tia não acha que devia descansar? Tem um ar cansado e ...
- Não Javier ela tem razão. - interrompe Raúl - Estamos às cegas, não podemos atacar sem saber o que nos espera!
- Talvez tenham razão. Mas quem irá confiar em nós?
- Bem posso garantir-te que tenho contactado com alguém bem próximo de Leucárdio.
- O quê? E só agora mo dizer seu idiota? Quem é?
- D.Isabel.
- A esposa?
Parece que o desmiolado do Raúl anda de volta da condessa. Talvez tenha sido a única das suas acções que se aproveita. Imediatamente concordámos que a relação deveria ser mantida, mas de qualquer forma precisávamos de alguém mais insignificante, que não desse nas vistas ...
- Meu senhor Javier! Tem alguém que deseja falar consigo! - informou um dos guardas.
- Quem é que se anuncia? - pergunta Javier.
- Ele diz que é Zé o barbeiro.
- Zé o barbeiro? E por que estaria eu interessado em falar com esse señor?
- Diz que vem de Santa Terrinha! - responde o guarda.
- Que entre! Que entre! - pedi sem demoras.
- Mas ... tia?
- Confia em mim Javier!
- Confia em mim Javier!
- Atã boas tardes!
- Diga já o que quer!
- Calma Javier! Olha o modo como falas com este belo cavalheiro ... diga-nos Zé, posso tratá-lo assim?
- Oh minha senhora trata-me como preferir. - respondeu o barbeiro com ar superior.
- Então que deseja de nostros hermanos?
- Eu vinha fazer-vos uma proposta. Em troca dos meus talentos ao nível de estética queria pedir-vos que deixassem as nossas colheitas e ...
- E comemos o quê ó campónio? - retorquiu Raúl.
- Pode-se fazer um acordo.
- Claro Zé, não ligues ao que dizem estes imbecis. Nós estamos dispostos a cumprir a nossa parte do acordo se fizer um trabalhinho.
E pronto o homem lá se convenceu. Umas moedinhas de ouro ajudaram a engolir melhor a ideia de trair o seu país. Claro que temos de andar de olho nele, não se pode ter uma fé desmesurada nas pessoas que acabam por revelar-se gananciosas e falsas. Mas talvez os portugueses sejam diferentes, os que conheci não passavam de idiotas esfomeados e cobardes. O Zé deve ser apenas mais um. A vantagem é que se trata de um homem que passa despercebido, pelo que nos disse é quesa invisivel em Santa Terrinha e visita regularmente o castelo do conde, por isso tem acesso e a confiança do Leucárdio. Javier precisa de ser rápido na sua manobra para não estragar o efeito surpresa, mas logo Santa Terrinha será La Tierra Santa!
Nenhum comentário:
Postar um comentário