quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Je suis Jean, le menteur...

- Mérd!
- Jean-Paul! Ou te porrtas bem ou non sei que te façô! Jean...sai debaixo da lit...SAI DE BAIXÔ DA CAMÁÁÁ!
- Mére...Je ne veux pas cette chemise...
- Ai, querres, querres... cette chemise est très belle! Vá, e tens de irr bonitô parra o casamento da Regina.
- Mérd!
- Jean-Paul! Não respondo por mim se não vestirres esta chemise agorrrra! O casamento é daqui a uma horrra!!
- J'ai faim...
- Faim? Agorra? Não comes-te o crroquette que a Celestine te deu?
- Non...
- Ai...Veste la chemise...VESTE! DEPOIS COMES O CRROQUETE!- Tive de vestir...Mérd! Mérd!Mérd! Ma mére c'est trés ennuyeux! Que maçada...Odeio mariages! Casamentos não têm piada nenhuma!
- Jean, agorra os sapatinhos...
- Non! Non! Mééérd!!!
- Empurra o pé parra dentrro...Isssoooo...Jean, estás a fazer de prroposito! Vou chamarr a dona Celestine parra te baterr com o chinélô! Celestineeeee!- A minha mére non tem coragem par me bater. Acabo por ser mais filho da Celestina do que dela...Tudo o que sei da minha mére é que trabalha num armazém a empilhar caixas de cartão, à noite. Foi a avózinha Celestina que me contou. Os meninos da rua dizem que não é esse o emprego da minha mére mas eu eu mando-os à mérd. Chegou a minha oportunidade de fugir...Ma mére non está no quarto! Salto pela janela. Olha, rompi a chemise, mérd! Non blessés! Non está ninguém na rua a non ser o...Quim? Mas ele non estava no hôpital?
- Jean...
- Mérd! Mére...Bonjour!- Levou-me pelas orelhas e lá me vesti para o mariage- Mére, J'ai vu Quim.
- Mentirroso, Jean! Quim está no hôpital!- disse enquanto forçava o meu pé a entrar no sapato.
- Non! Ele está em Coentros! J'ai vu, j'ai vu Quim!
- Sim, está bem, agora vamos parrra a igreja...Já! À minha frrrennte!- Mére quando quer ser cruel...Mérd! A igreja estava bonita e as pessoas também. Celestina estava vestida de beje com um vestido muito bonito e um chapeau de rede. Ma mére era la plus belle! Et les outras pessoas estavam também muito bem. Je parecia um principe ranhoso e betinho...Mérd...
- Gil...(abraço) Parrabéns, mon amie! Estás nerrvosô?- Perguntou ma mére. Nesse momento avistei a pia baptismal.
- Oh! Nem estou em mim senhora Melanie!- Tento escapar devagar até à pia baptismal- Já viu por aí a minha noiva? E se ela não vem? O que vou fazer? E se ela não vem!??
- Vai correr tudo bem! Ela já deve estarrr a chegarr...JEAN!- Mérd! Fui apanhado- Estás a molhar o chão todô!!! JEAN PAUL VAISS APANHARR COM O CHINELÔ!!!- Fez um eco tal na igreja que um dos vitrais se partiu. Ma mére ficou encabulada e fez aquele risinho amarelo enquanto a Celestina me batia com toda a força com a pochette que levava ao casamento. O Gil estava a suar. A igreja estava cheia e a dona Celestina mantinha-me sentado ao lado dela. Do lado do Gil estava a dona Francesca e do lado da noiva estava o Dário, com uma gravata rose e a mãe da Regina que tinha vindo da terra especialmente para o casamento da fille.
Passaram 30 minutos. O Gil fervia e a mére foi ter com ele. Consegui escapar da Celestina e fugi para o altar, onde o padre preparava a cerimónia. Sentei-me na cadeira do sacristão.
- Queres me ajudar hoje aqui no casamento, Jean? Afinal, segues a catequese...Podes te candidatar ao lugar de sacristão!
- Oui! Pode serr!
-Hoje é à experiencia! Mas tenho a certeza que és um bom menino...- Mal sabe quanto.
- Mio Dio! Gil! Ma porque estás assim, ragazzo?- Disse a dona Francesca.
- Ela não vem, dona Francesca...Tudo por causa do russo. Eu ouço dizer por aí que ela só vai casar comigo por...
- PENA!- Gritei eu do lugarzinho de sacristão.
- Está a ver, dona Francesca? Até o miúdo sabe...
- Ela vem, amor!- Disse o Dário-
se estiver inconsciente...- Adorro a sinceridade das personnes...De repente as senhoras que estavam destinadas a cantar começaram a cantar:

Ohhhhh, senhooooooor abençoai este casório!
Ohhhhh, senhooooooor retira-lhes todo o ódio!
(sobe de tom e elas começam a esganiçar um bocadinho. A noiva entra de braço dado com o senhor Guiseppe, muito devagar...muito devagar...mérd!)
Ohhhhh, senhooooooor faz propagar o amoooor!
Ohhhhh, senhooooooor retira-lhes o rancooooor!
(esganiçanso total! A noiva vai perto do altar já. Cara de enterro. Mérde de vie!)
Ohhhhh, senhooooooor chegou a hora dos laços!
Ohhhhh, senhooooooor...( pararam. Esqueceram-se da letra...Chi! Que barraque! Mérd! Repetiram)
Ohhhhh, senhooooooor chegou a hora dos laços!
Ohhhhh, senhooooooor...( as pessoas começaram a olhar umas para as outras, a noiva se estava infeliz ainda ficou mais. Eu ria tanto, tanto, preparava-me beber o vinho da taça do padre mas subitamente parei quando, completaram a música, rimando com laços... ouvi:)
- E SAEM DOIS BAGAÇOS!- As pessoas ficaram escadalizadas e eu também! E por isso mesmo disse:
- MÉRD!- ouviu-se por toda a igreja. Ninguém gostou, mas o Nico riu-se. Eu avisei...era o Quim!
- Quim?- disse o padre- Que fazes aqui? E-eu...p-porque saíste do hospital?
- Eu? Hospital?
- PODE SE SENTAR SE FAZ FAVOR? GOSTAVA DE CASAR SE NÃO FOSSE MUITO INCÓMODO!- O Gil estava furieux!
- ESPEREM!- disse o Quim- REGINA!- A noiva olhou para ele- EU...EU...EU SOU O TEU PAI!- La fille passou-se!Começou a chorar. Olhou para a mãe dela, que desmaiou no altar- padre correu a ajudar, olhou para o Gil que baixinho disse um "não...", olhou para o senhor Guiseppe, para os convidados, para o seu "pai", largou o braço do patrão, agarrou no vestido e desatou a correr desalmadamente pela igreja fora!
- Apanhem a noiva!- Gritou o senhor do talho.
- Mérd!- Gritei, obviamente, eu. O Gil sentou-se no banquinho dos noivos, levou as mãos à cara e chorou como o Nico com cólicas. Os convidados levantaram-se todos a correr. Ma mére e o Dário partiram atrás da noiva, uns foram acudir a mére da noiva et moi, bebi a correr o calice de vinho do padre, tirei os sapatos, que me apertavam os pés e desatei a correr atrás da noiva. Soltei uns quantos "mérdes" pelo caminho, para ser mais holiwoodesco...Esta gente não sabe de nada destas coisas...une misére! O resto dos convidados convidados chegamos à porta do restaurante não havia sinais da noiva fugitiva. Depois, apareceu a ma mére.
- Virrram a noiva?? Eu não a encontrrro em lado nenhum! Et moi Jean? Jean? Onde está o Jean Celestine? Meu filhô?
-Não sei Melanie...Olha, lá vem ele com o Dário.- Eu vinha de mão dado com o Dário, saímos do restaurante e ficámos a olhar para aquela gente toda.
- Então?? Onde é que ela está? Como é que ela está??- perguntaram as pessoas.
- Er...Ela não está no restaurante- disse o Dário.
- Non! Non está no restourant!- disse eu.
- Jean! Anda cá! Vais apanhaarrr com o chinelô! Mas...Têm a certeza de que ela non está aí?
- N-n-não, Melanie! Já disse que não! Ela d-deve ter ido...Por ali! Vão por ali que ela deve ter ido rumo aos caminhos de ferros para fugir!- Nisto, aparece o Gil, todo esgravatado- Olha, Gil- continuou o Dário- e tu não voltes a pressionar daquela maneira a minha menina, ouviste?
- Mas ela ia casar! O Quim é que estragou tudo! Ele é mesmo pai dela?
- Não sei nem quero saber!- Disse o Dário exaltado- Acabou-se! E se ela fugiu foi para encontrar o verdadeiro amor, 'tás a ouvir? Vai mas é pôr as mesas para o jantar que o pôr do sol já lá vai e daqui a nada a clientela chega.- Naquela noite não ouve fogo de artificio. Fui o único a bater as panelas em Coentros e a desejar a todos "MUITA MÉRD!", como desejo de boa sorte, claro, gritado à janela do meu quarto. A minha primeira chinelada foi à meia noite e um. Pela primeira vez a mére bateu-me e eu, comovido, chorei. Ela pensou que me tinha magoado e pegou-me ao colo e deu-me beijinhos. Menos mal...
- Mon amour, Jean, tu viste a Regina quando foste atrás dela com o Dário, non viste?- Fiquei sem palavras...Moi...
- N-non mére...Non...j-je ne veux pa Regina...
- Jean...Eu conheço-te...Estás a mentirrr! Onde a viste! Conta!
- Non a vi mére! Que Mérd!- E recebi outra chinelada...como a mére está a crescer a olhos vistos! Comecei a chorar de manha e ela, novamente, abraçou-me. Depois pensei no Quim...Também não tenho pai, como a Regina. Tu queres ver que mom pére pode ser o Quim também?

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