segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Wanted


Que bem que dormi! Tive um sonho fantástico, nem me apetecia acorrdarr! Sonhei com mon Bórris ... mon amour! Estávamos em Paris, no meu appartement. O pobrrezinho estava ferrido, os alemães tinham-no apanhado e torrturraram-no! Mas eu salvei-o! Levei-o parra casa e trratei dele, mon bébé. Estava a dorrmir na minha cama, parrecia um anjo avec son cabelo de ourro, seu corpo tonificado e ... mon Dieu! Dei-lhe a comida à boca, tapei-o quando tinha frrio, acarriciei-o parra adormecerr e de repente ... AHHHHHHHHH! " Mamã! Mamã! Changement-moi la couche! Estou todo borrado, merde!". E fui assim que acorrdei ... com os grritos do Jean Paul. Que crriança chata e malcrriada! Tal e qual o seu papa!
Ainda tentei adorrmecer e voltarr aquele sonho marravilhoso, mas a Dona Belina começou a berrarr: "Acordem preguiçosos! Abbiamo molto que andare!".
Ainda estava escurro. O Gil e o Amadeu estavam com um arr de quem não dorrmiu nada. Eu cá dorrmi lindamente na minha cama fofinha.
- Bonjour Zézé!
- Bonjour madame! Como passou a noite?
- Lindamente chéri.
- Óptimo. Temos um longo caminho pela frente. Verdurinha fica a uma hora de distância.
- Vamos lá companheirros!
Parece que mais ninguém parrtilhava o meu entusiasmo. Vierram a dormiscar lá atrás. A Dona Belina vinha pendida e acabou porr aterrar a cabeça no ombro do Amadeu. O Gil vinha de olhos fechados agarrado à fotogrrafia da Reginá. Comecei a falarr com o Zézé, meterr converrsa parra descobrirr a identidade do tal homem com quem a Regina estava a falar.
- Tá frresquinho, han chéri?
- Tá fresco sim. Quer por o meu casaco aos ombros?
- Non é prreciso merci!
- Disponha madame!
- Bien ... o Zézé já se lembrra do homem com quem viu a Regina a falarr?
- Olhe desculpe mas não me quero meter em sarilhos.
- Sarrilhos? Non, non eu não conto a ninguém! Je le jure!
- Mesmo assim. Eu sou sozinho e não faço confiança com facilidade! Já tive muitos desgostos nesta vida!
- Pode fazerr confiança comigo!
- Madame ...
- Toda a gente faz confiança comigo! Pode-se dizerr que é a minha vida!
Ele encostou a carrinha e fizémos confiança. Os outrros nem derram porr isso, estavam no sétimo sono. Enquanto fazíamos confiança ele foi ficando à vontade e disse-me o que eu querria saberr. Ou seja, o senhorr Pinto está metido nisto até ao pescoço!
Chegámos finalmente a Verdurinha! Erram 8 horas da manhã e não havia muita gente na rrua. Monsier Zézé foi à sua vida e nós fomos ao "Café Centrral" comerr qualquerr coisa. Foi aí que confessei. A verrdade é que não se pode fazerr confiança comigo. Je suis un menteur!
- Fiz confiança com o Zézé e ele abriu-se parra mim ...
- O quê? Quando foi isso? - perrgunta o Amadeu indignado.
- Durrante a viajem e ...
- Que vergonha! Pareces uma ... espera lá ... tu és uma!
- O que tem de mal? Fiz confiança prronto!
- Amadeu eu acho que ela quer dizer que ela e o Zézé tiveram uma conversa mais profunda e estabeleceram um laço de confiança!
- Vês! Fois o que eu disse! o Gil perrcebeu.
- E então? O que é que ele disse?
- Bien, parrece que foi o senhorr Pinto que trouxe a Regina a Verrdurras.
- Mas porquê? O que é que ele tem a ver com a minha Gigi?
- Non sei chéri. Só se tiverr a verr com ... a despedida de solteirra!
- O que tem a despedida de solteirra ... quer dizer solteira?
- Ele beijou-a non sabias chéri? Foi à forrça mas ...
- Esquece Gil! Agora temos de concentrar-nos no paradeiro da moça para irmos para casa rapidamente!
- Eu podia irr perrguntar ao moço do café ... querrem que faça confiança com ele?
- Io devo fare la fiducia vi!
Quinze minutos depois ...
- Vai la Melanie, ha cattivo gusto. Deve gostar do teu tipo.
Cinco minutos depois ...
- Diz que não viu raparriga nenhuma, mas que o gordo vem cá muitas vezes!
- O que quererá isso dizer? Temos de nos separar e perguntar às pessoas da terra! ela pode ter pernoitado em alguma casa ou pensão. Amadeu, tu vais pela rua da direita! Melanie, tu vais pela esquerda! Eu vou descer a rua.
- E eu?
- A ... v-você ... venha comigo pronto!
- Para isso prefiro o Amadeu! È più piacevole per il fronte.
E ficámos assim. Fiz confiança com mais umas pessoas, mas non descubrri grrande coisa. Parrecem todos assustados quando lhes falo na Regina. Ao fim do dia reúnimo-nos novamente no café.
- Então alguma coisa de novo? Melanie?
- Non chéri! Mas sinto que há algo estrranho aqui.
- Nós ouvimos umas coisas ... parece que a tua Regina passou cá a noite mas fugiu no dia seguinte sem pagar a conta. Resumindo ... o teu irmãozinho está 20 escudos mais pobre e ...
- Não ligues a este desgrazado! A senhora disse que a ragazza passou a noite na sua caza. Disse que ela comeu e foi logo para o quarto, nem lhe ouviram a voz. No dia seguinte fudgiu sem agradedcer!
- E o Pinto? O que ele tem a ver com isto?
- Posso dar a minha opinião? Por mim voltávamos para trás e íamos para Coentros. A rapariga está claramente a fugir de ti e não a recrimino! Tu levas 100 a zero daquele russo!
- Non pregare o nome de miu amore em vão!
- Non prétendant le nom de mon amour em vão!
- O quê também tu Melanie? Pensei que me amávas! Tinhamos algo especial!
- Nós? Pour l'amour de Dieu! Nunca fizémos confiança nem fomos parra a cama!
- É só nisso que pensas? Então e as longas conversas ...
- Êtes-vous fou?
- Por muito que vos queira ver felizes ... ESTAMOS AQUI PARA FALAR DA REGINA!
- Ele tem razone.
- Desculpa chéri.
- Disseram-me que a aldeia mais proxima é Lantejoulas de Cima e é para lá que vamos esta noite!
- Estás doido? Essa mulher põe-te doido ... a esta hora da noite onde queres arranjar boleia?
- Aqui o Zé Carlos dá-nos boleia, oui chéri?
- É isso minha senhora!
- Ele é de Lantejoulas e ofereceu-se parra nos darr boleia!
- Também fizes-te confiança com ele?? Que bela pega que me saís-te e ... ah!
E lá fomos nós mais uma vez. Agorra fomos numa carrinha. Mais uma vez eu fui ao lado do Zé Carlos e os outrros forram lá atrás onde anterriormente estiverram as galinhas. Parra descobrrir umas coisas fui metendo converrsa ...
- Está abafado, han chéri?
- Realmente tá quentinho han, tá uma brasa ... como você!
- Ohhhhh ... Zé Carlos você é um romântico! Diz coisas très bonitas!
- Você é que é bem bo ... digo bonita! É estrangeirra?
- Sou frrancesa!
- Ui ... o que eu gosto de frrancesas!
- Então ... Zizu ... porr acaso não ouviu falarr de uma moça ...
- A Regina? Andam à procura da Regina?
- Oui chéri ... sabes onde ela está?
- Não. Mas ela é minha prima sabe?
- Sua ... mon Dieu! M-mas tem cerrteza ... ela não lhe disse ...
- Ela passou por Verdurinha à dois meses, três meses atrás ... falámos pouco.
- Ela disse ...
- Disse que andava a fazer pela vida. Que queria ser feliz e tal.
- Só isso??
- Digo-te mais se me mostrares as tetinhas!
- Cochon! Ordinaire!
Dei-lhe uma chapada, naturalmant! Quem é que pensa que sou? Uma ... ah!
- Desculpe menina ofendi-a? Se calhar percebeu-me mal é que ... "tetinhas" em lantejoulas é como chamamos à identificação! É que anda para aí gente perigosa, gente estrangeira da guerra e não se sabe em quem confiar hoje em dia!
Mostrei-lhe as "tetinhas" e ele prosseguiu ...
- Bom. Ela falou-me num russo! Parece que se queria enrabichar com ele e não sei quê ... e eu bom está bem! Só que veio a descubrir-se que ... (baixinho) o tal russo é um criminoso que anda fugido! É por isso que andam para aí os estrangeiros, andam à procura dele!
- Quoi? Mas de onde são os estrrangeirros?
- Eu não sei ... só tenho o segundo ano, nan sou nenhum ... alemães, diz que é alemães!
- Mas ... como é que você sabe que o russo é o mesmo chéri? Podem serr pessoas diferrentes!
- Tenho a certeza gost ... lindinha! Ela reconheceu-o pelo cartaz. Espera ... tenho um aqui no bolso! Ora cá está ele ...


Procura-se Dimitri Belov

"Uma recompensa de "muitos" escudos para quem fornecer informações acerca deste criminoso, se trouxer o criminoso às autoridades com vida terá uma recompensa de "muitos, muitos" escudos, morto dá direito a uma viajem a Vila Nova de Tulipas e uma recompensa do caraças.
Quem quiser ser um amor pode também trazer uma garrafinha de Porto que vai sempre bem."

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