domingo, 14 de setembro de 2008

É quase Natal

Sou eu o Nico. Sei que sou apenas um bébé e, apesar de não falar, desconfio que o meu intelecto é bastante mais evoluída que toda a minha família. São pessoas amorosas e tudo isso mas acima de tudo, extremamente ignorantes, barulhentos e mal educados. Perguntarão como é então possível eu ser assim tão brilhante? É fácil! Aprendi que para não crescer desequilibrado e deprimido o melhor era crescer através dos livros. A minha mãe, pobre alma, sempre me leu aquelas histórias enfadonhas e infantis e eu fui acompanhando a leitura e assim apreendi a ler. Devem estar a pensar " É impossivel a criança saber ler aos dois anos!". Mas é possível e eu sou a prova.
Nos últimos dias tenho-me concentrado na colecção do Bóris. Aquele desmiolado deixou os seus livros para trás e eu tenho aproveitado para me por a par das novidades do mundo. Quando a mamã passa pelo quarto eu disfarço agarrando-me ao meu coelhinho Tótó (a minha única infantilidade) ou simplesmente um peidinho que é o suficiente para a fazer suspirar: che il bambino così bella! Ohhhh!
Bom com tudo isto até me esqueci, hoje é dia de Natal. Ui que bom que alegria, transbordo de felicidade, olha transbordei até de mais.
- BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!! ( tradução: Mãe vem cá acima se faz favor de forma a me trocares a fralda, livrando-me assim do cheiro nausiabundo e do rabinho assado!!!!!!!!)
Muito melhor! Como estava a dizer odeio o Natal, é apenas mais uma oportunidade para o meu papá fazer o seu Peru Al Funghi, para se vestirem todos de vermelho da cabeça aos pés e de me massacrarem as bochechas! Odeio, odeio, odeio! E depois nunca me dão o que eu quero e ... espera lá isso, isso foi no Natal passado eu só ... este é o meu segundo Natal!! Eu só tive um Natal terrivel!! Este ano pode ser melhor!
- Oh que fofo, meu Nico ha dato un peido! Ohhhhh!
Já muito mais animado pedi que me fosse trazido o almoço.
- BUÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!
- Pronto Nico aqui está a papinha!
Era a moça do balcão a Regina. Que bela ragazza como diria o meu pai. Gosto bastante da sua companhia pois ela não é como as outras mulheres, trata-me como um homem! Não há cá "ui que fofinho!", "oh que coisa má linda!" e a pior de todas "é a carinha do papá!". Nada contra o meu pai mas ele não é exactamente um modelo em beleza.
A Regina fala comigo como se estivesse a falar como outra pessoa qualquer. Aposto que sei mais sobre ela do que qualquer outro homem.
Depois da papa veio a fase da mudança da fralda. Sim novamente! Estou em crescimento não consigo evitar em borrar-me com frequência.
- Primeiro as calças e agora a fralda! - diz a Gigi com a sua voz doce - Ora cá está ele!
( Que vergonha ela viu a minha ... minhoquinha! Sou um homem mas mesmo assim não me sinto preparado para tratar a ... as coisas pelos nomes!)
- Um presente!
(Foi um pouco infantil eu sei mas vou perdoar-te Gigi)
- Sabes Nico preciso de alguém para desabafar. Acho que já não aguento mais!!
Falou-me da sua triste situação à medida que me limpava e perfumava. Parece que na noite anterior perdeu a aliança, não me disse como, e agora está com medo de dizer ao Gil. Diz que não o quer magoar, ele pode pensar que foi de propósito e ela quer mesmo seguir com a vida para a frente e ser feliz. A pobrezinha está mesmo caídinha pelo russo. Tive pena de não lhe puder dizer mas, eu li o diário dele, que também decidiu deixar para trás e, não me parece que vá voltar tão cedo.
Depois disse tentei fazê-la esquecer um pouco o que se estava a passar era Natal, o Natal que eu estava à espera de ser fabuloso. Uma noite em que tudo podia acontecer.

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