(POFFF!! IIIShhhhhhhhhhhhh "Ahhhhhhhhh")- Dio mio! Que foi isto! Mio Dio, vamos morrere!
- Cale-se, velha! O que se passou Zé Carlos?
- Epá...temos um furo no peneu...E saímos para fora da berma da estrada, isto agora vai ser complicadote!- Óptimo! Já estavamos no meio do nada para ir para Lantejoulas de cima, já tinha o ombro babado da baba da velha que dormia de boca aberta encostada a mim, e agora um furo...que bom!
- Nós damos um jeito nisto, vá lá buscar o macaco e trocamos esse peneu num ápice!- disse eu. As madames ficaram no carro e eu, o meu irmão e o Zé Carlos fomos trocar o peneu. Depois do peneu trocado tivemos de levar o carro novamente para a estrada...
- Era melhor as senhoras saírem...Assim é mais peso!- disse o Zé Carlos.
- Estás me a chamarr de gorrda?- disse a Melanie.
- Não, a menina está muito bem como está, mas é que o carro já é pessado e a velha no banco de trás...
- Non vou sairr de dentrro de la voiture et prêt!
- Também non vou saire!- As senhora ficaram dentro do carro, mas lá conseguimos empurrar-lo outra vez para a estrada.
- Vamos muito longe?- pergunta o Gil, já quando estavamos novamente em viagem.
- Um bocadinho...- respondeu o Zé- isto agora é mais uma horita e tal e pimbas, já lá estemos! Epá...cheira-me a esturro...
- BELINA!- Gritamos todos.
- Non fui io!! Juro per mio russo!- E não tinha sido. Passado dois segundos...BOOM!
- Vamos morrere! Te amo Bóris! Arrivederci!
- Cale-se! Não vê que foi o motor que se afogou?- Velha burra.
- Oh! E agorrra? E agorra?? Nunca vamos chegarrr a Lantejoulas?
- Calminha minha senhora- disse o Zé- vou ver o que se passa aqui com esta menina...- E saiu do carro e levantou a capota. Ficámos todos dentro do carro à espera dele. Minutos mais tarde...
- Nada feito, bebés. Temos de pedir boleia, o que não me parece, ou vamos a penantes.
-NON! Pourquai?? Prrrimeirro o peneu, depois o motorrr! Isto non anda sem motorr?- a cena é a que todos esperam...Sim, os homens foram a empurrar a carrinha e as senhoras ia lá dentro, sentadas.
- Estou cansado! Já devemos ter andado uns 100 quilómetros!
- Nem uma andámos, Gil...- disse eu.
- Vá! Temos de conseguir pelo menos até Lantejoulas de Baixo, é a próxima povoação. Depois lá apanhamos um taxi até às de cima, ou um autocarro ou assim...
- Tão? Isso não anda?- Gritou a Bellini de dentro do carro. Olhámos uns para os outros e continuámos a empurrar. Passado meia hora: POFF!
- Gil! O Gil caiu, Zé! Ajuda aqui a levanta-lo.- O meu irmão é fraco como uma galinha. Não aguentou mais e caiu. Quando o levantei deu-me raiva e pensei em desistir. Parámos um pouco numa fontezinha de beira de estrada.
- Gil, Melanie, velha e Zé Carlos: Eu desisto. Nem sei por que razão estou aqui! Mal cheguemos a Lantejoulas de baixou retorno a Coentros.
- Mas já estamos tão perto...- disse o Gil.
- Não me interessa se estou perto ou longe! Não quero o russo nem quero a Regina. E tu Melanie...Que decepção!
- Oh...Cheri, pourquai? Eu...eu...non sei o que dizerrr.
- Pois! Tu julgas-te a senhora pode tudo. " Ah, sou a Melanie tenho os homens que quizerrr" Balelas! Não passas de uma...uma...tu sabes o que és! E eu caí na tua armadilha quando o teu "vero amore", como diz aqui a velha babosa, é o russo que curiosamente é o da velha e mais curiosamente o da Regina, que é a amada do Gil que é fraco e parvo!! Vocês dão comigo em doido! Eu desisto!
- Cheri...
- Não há chéris! E tu...nem és assim nada de especial. Digo-te mais: A Pilar é tão ou mais jeitosa do que tu! E ela não me vira as costas nem gosta de russos. Só não me vou embora daqui agora, já, porque até tenho consideração pelo...Zé Carlos. Porque se me for embora ele vai ter de empurrar esta velharia sozinho!
- Olha as ofensas ragazzo!
- Estava a falar do carro, dona Belina...- conclui. O ambiente ficou pesado. Depois de bebermos algumas goladas de água empurramos mais um bocadinho o carro , depois, finalmente, chegámos a Lantejoulas de baixo. Era uma povoação típica, igual a tantas outras.
-Tens a certeza de que ela está nas Lantejoulas de Cima? Pode estar nas de baixo...
- Eh!- disse o Zé Carlos ao Gil- Acha que tenho a certeza? Eu agora não tenho mais nada a ver com a vossa viagem em busca do russo perdido! Eu agora vou ali ao Vítor das motas e ele vê-me aqui a minha menina e eu vou para casa! Vocês que se amanhem!
- Mas onde vamos dorrrmirr?- Disse a Melanie assustada- Oh! Amdeu! Tenho tanto medô!- E agarrou-se a mim. Não sou de ferro...nada mesmo.
- Oh...não tenhas medo...Pronto, eu fico com vocês esta noite. Amanhã parto para Coentros. Olha, ali ao fundo! Está ali uma pensão!
- E pagamos com que dinheiro?- disse o Gil- Somos quatro pessoas!- Isso deu-me uma ideia. Quando chegámos à pensão atendeu-nos uma senhora muito parecida com a...
- Celestine???
- Não, amori, sou a prima dela a Candinha. Conheces a minha prima?
- Oui! É uma óptima pessoa!- disse a francesa- ela cuida do meu enfant...que saudades, Amadeu...abrrraça-me!
- Pois- disse a prima da senhora Celestina- Isto é um negócio de família, sabe? Há muitos anos que andamos por este país fora a alojar pessoas. Por exemplo: Em Piscadela Fina tenho a minha irmã Frederica, com " A pensão Frederica", em Vou às Uvas tenho a minha outra irmã, a Claudete Maria com " A pensão da Claudete Maria" entre outras! Como a da Celestina, também...
- Pois, nós só queriamos mesmo uma noite, porque amanhã vamos para Lantejoulas de cima...- disse eu.
- Ah! Lá está a minha prima Elizete, na "Pensão da Elizete"
- Pois...Então e como é o preço dos quartos? Nós somos...dois casais!
- O quê???- Gritou o Gil- Eu não vou...não,não, não, não!!!
- Que mal tem, rapaz?- disse a dona Candinha- Tu gostas de mais velhas, eu gosto de mais novos...- E fez olhinhos ao meu irmão que se agarrou à dona Belina com "amor". A dona Belina gostou, por incrivel que pareça, e colaborou. Enquanto a senhora assentava os nossos nomes ia tagarelando.
- Então e estão em lua de mel?
- Não.
- Sim!- disse eu, logo depois do Gil- Decidimos casar no mesmo dia...Sabe como são estas coisas de família...
- Se sei! E a lua de mel é aqui em Lantejoulas?
- Não, é mais na Lantejoulas de Cima, sabe? Mas tivemos uma avaria na carrinha.
- Oh, que pena. Epá! Então isso quer dizer que a lua de mel foi adiantada para aqui para as Lantejoulas de Baixo!- A dona Candinha era assustadora. Não que me assusta-se de estar deitado na mesma cama que a Melanie, coisa que já fiz...muitas vezes, mas ainda gosto um bocadinho do meu irmão e a minha imaginação é muito fértil.
- Pois- disse eu- Talvez...
- Vou lhes dar os quartos reservados para tal efeito. Ora cá está, são o 20 e o 21. Não é preciso pagarem, são amigos da minha prima e estão todos tão apaixonados...Boa noiteeeee!!- Assustadora, mesmo. Subimos para os quartos. Eu e a Melanie ficámos no primeiro.
- Amour...
- Amour? Sai para lá Melanie, não quero nada contigo! Guarda-te para o russo, vá, já que não me queres!
- Oh, Amadeu! Tu também! Preferrrias estarrr com a Belina?- Olhei para a Melanie, fizemos cara de caso e em vez de nos envolvermos numa tórrida noite de paixão (ou não), corremos para a parede que ligava o nosso quarto aos dos "pombinhos" e pusemo-nos à escuta. Não se ouvia lá muito bem mas de repente ouviu-se um grito! Do meu irmão, nada surpreendente. Depois segui-se uma série de "Não! Saia daqui! Regina! Não te estou a trair! Oh! Eu sabia que isto ia acontecer!"- coisa para...dez segundos. Depois ficou tudo silencioso.
- Achas que a velha morrrreu?- disse a Melanie esperançosa- Ela morreu! Ela morreu! Ela...Pardon, Amadeu.
- Shhh, deixa ouvir- Não se ouvia nada de nada.
- Eles non fazem barrrulho?
- Não sejas parva, Melanie...Estou a começar a ficar preocupado. Vou lá ver o que se passa.- E fomos. Batemos à porta e ninguém abriu. Comecei a chamar, baixinho.
- Gil! Dona Belina!
- Gil! Velha!
- Abram a porta!
- A porta está aberta- disse o meu irmão. Rapidamente entrei e...
- Mon Diou!- A velha dormia, com os seus possiveis 100 quilos em cima do franzino do meu irmão, que parecia uma tartaruga com uma imensa carapaça, só com a cabecinha de fora.
- Ela tentou...- disse eu.
- Mais ou menos- disse o Gil- Ela está me a babar no ouvido...Amadeu, tira-me daqui- A custo, eu e a Melanie empurra-mos a velha para o outro lado da cama e ela nem deu por nada.
- Que belo pijama, hã, Gil?- disse a Melanie, com aqueles olhos de...ah!
- Até ao ranhoso do meu irmão te fazes? És uma...vai te embora! Vai te embora!
-Mas cheri, nos estamos no mesmo quarto!
- Vai! E tu também seu fracote! Sai daqui!
-Só te quero avizar- disse ele- que vais ficar aqui com a velh...
- SAI!- E sairam os dois. Sentei-me numa cadeirinha a ver a velha dormir. Caramba! Que baba! Comecei a pensar na vida: Que palerma que fui! Pensar que um dia...ah! Que estúpido...Que anormal, que...nunca pensei que gostasse tanto da francesa. Não poderia ser ela apenas mais uma aventura? Parecia que não. Eu amo aquela mulher? UUUh, que arrepiu. Será? Ela está com o meu irmão,agora. Vou lá acabar com aquilo! Não! Amadeu, pensa! Ela não te quer! o que não falta no mundo são Melanies! Mulheres, quero dizer. Quando acordei ao outro dia, sentado na cadeirinha, sim, não sou parvo nenhum, naquela cama nunca me deitaria, a minha bexiga pedia esvaziamento e parti em busca da casa e banho mais próxima. Estava tudo a dormir, excepto a dona Candinha, que passava no corredor com lençois engomados.
- Oh! Bom dia senhor...quarto 21? Oh! Mas que pouca vergonha...- Não liguei. Mijei e fui-me embora.
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