Eleonora Olá diário!
Sou eu, a Eleonora, quem mais poderia ser? Daqui a uma semana começo a escola: SECA! Bom, mas a bem dizer estou farta de estar a ajudar o meu pai no restaurante, são todos uma seca, menos a Regina que é uma querida. Estava eu na seca que é secar no balcão sem fazer nada à espera dos clientes da hora do almoço quando me entra pela porta a dentro a "Panelona", a menina Rosália a "drogada" como lhe chamamos em privado, já que ela tem aquela drogaria, aquela porcariazinha. Uma seca. Entra, então, a drogada com a ricaça e a dona Pureza que é, como o pappa diz: "Una Maria vai com as outras".
- A sua mãezinha ou o seu paizinho estão?- perguntou a Rosália.
- Estão, mas estão ocupados- disse eu.
- É urgente.
- E depois? Já disse que estão ocupados, não os vou chamar. Além disso vai dar agora na rádio o programa do Xouxa e eu quero jogar na "Rodilha dos Tostões", por isso...Adeus- disse eu, aumentando o som do rádio, que, até ao momento, estava praticamente calado.
-Está a ver, senhora dona Maria Luísa? É esta gente que quero expulsar daqui!- disse a Panelona.
-Desculpe?- disse eu, baixando o volume do rádio e descendo do meu banquinho. Passei para a frente do balcão- Quer o quê?- continuei, ajeitando o meu vestidinho branco, imaculado, uma seca- expulsar?
- Só vocês não percebem que não são de cá- disse a ricaça.
- Não ficam cá bem e ainda por cima têm cá sempre metido o criminoso do Quim dos Coices!- disse a Pureza.
- São estrangeirada da pior!- disse a drogada. Parvas, burras, fúteis e estúpidas...uma seca.
Fiquei a olhar para elas e elas para mim.
- Não vai chamar o seu paizinho?- reclamou a ricaça. E de repente "Tam tam tam!!! XOUXA! A SUA COMPANHIA PREFERIDA!". Pulei para trás do balcão e encostei o ouvido à rádio.
- Menina!- disse a Pureza- Olhe que vamos entrar pela cozinha a dentro!
- Força!- disse eu. O problema é que elas entraram e...
- Ohhhhhhhh! Que pouca vergonha é esta??- Apressei-me a entrar e vi a Regina e o Gil estáticos a olhar para as velhas. Uma seca, logo agora que o Xouxa ia resolver o caso daquela senhora que ficou sem a unha do mindinho a jogar críquete! Se-ca!
- O que se passa?- perguntei.
- Está a ver? Está a ver senhora dona Maria Luísa? É gente desta! É gente desta que está aqui neste antro de perdição e gula!- disse a "Panelona". Fiquei sem reacção, não sabia o que tinha acontecido ou o que se tinha passado. Só sei que naquele momento o Bóris entrou na cozinha, fez a Pureza desmaiar, a ricaça ficar toda transpirada e vermelha e a menina Rosália espirrar. O povo lá diz que ela tem alergias a machos! A Regina ficou estranha ao ver o Bóris, que saiu de repente da cozinha. Fiquei parva, que seca, e só tive tempo de ver a Regina sair da cozinha, também ela à velocidade da luz, porque logo a seguir...
- MA CHÉ SE PASSA NA MINHA COZINA?
Olha! Agora tenho de ir diário, vai começar o programa de músicas escolhidas da noite! Vou pedir para porem a tocar o "Sei que queres molho", musica que, ao contrário, desta gente não é uma seca!...."Molho...Sei q."...
Constanza
Querido diário,
Hoje foi um dia positivo para mim. Ajudei a mamma e o pappa no mercado e ajudei o senhor Custódio a consertar o telhado do talho, tarefa em que o meu irmão Matteo também participou. Não sou de cusquices mas fiquei a saber de uma coisa, que não posso contar à mamma nem ao pappa nem tão pouco à Eleonora! O padre Calvário também não pode saber. Vai ser tão difícil para mim esconder isto...Enquanto ajudava o senhor Custódio escutei uma conversa entre ele e o Matteo.
- Ah é verdade, filho! A aula fica, então, para as sete da manhã, tal como tu pediste!-disse o sr. Custódio.
- Falamos disso mais tarde, sim? Passas-me essa telha, Constanza?- disse o meu irmão, mas eu já estava de orelha em pé! Aulas? O Matteo já tinha deixado a escola.
- Mas porquê? Depois esqueço-me de te dizer- continuou o talhante- Ah! E já agora, o preço das aulas agora vai aumentar...
- O quê!??
- Que aulas, mano?
- Nada...- disse ele, ignorando-me- Mas porquê, senhor Cristóvão?
- O toureiro quer mais pilim, filho!
- Toureiro, mano? Estás a estudar para ser toureiro?- perguntei.
- Bello serviço, senhor Custódio!- disse Matteo.
- Quê? Chi...é verdade! Olha, paciência! Passa-me aí essa telhazinha...- O Matteo desceu do escadote onde estava e veio ter comigo, deixando o sr. Custódio a gritar pelas telhas.
- Constanza, não podes dizer a ninguém, nem ao padre!- disse-me o meu mano.
- Mas porquê? O pappa ia gostar...
- Não, não ia...Promete. Promete!
- Está bem, eu prometo. Mas porquê?
- Não interessa, passa-me essa telha, vá- E pronto. Agora tenho um nó na garganta que só Deus sabe! Para piorar a situação tenho ainda outro segredo a guardar! Depois de ajudar o senhor Custódio e o meu irmão fui para o restaurante. Antes de entrar tive de deixar sair a dona Pureza e mais outras duas senhoras, penso que uma era a da drogaria, que pareciam que iam tirar o pai da forca! Quando entrei a minha irmã ouvia o programa do Xouxa e ria-se às gargalhadas, sozinha. Típico.
- Passou-se alguma coisa, Eleonora? Que queriam aquelas senhoras?- perguntei.
- Canellones- disse a minha irmã- Canellones!! Canellones!! O prato favorito da Patrícia Pancadinhas da novela das seis é Canellones! Ah...sacana, erras-te...- Não perguntei mais nada. Quando dá o Xouxa, tudo acaba para a Eleonora. Resolvi ir ter com a Regina, que se mudou para cá à uns dias, desde que a mãe dela decidiu ir morar para a sua terra natal. Encontrei-a deitada em cima da cama a chorar.
- Regina...que se passa?- disse eu, aproximando-me da minha amiga. Ela ficou a olhar para mim e contou-me que estava na cozinha a ajudar o Dário a lavar pratos e que o Gil andava a arrumar umas loiças que tinham ficado fora do armário. O Dário foi despejar o lixo do almoço, o Gil aproximou-se dela e...zumba! Roubou-lhe um beijo!
- Boa!- disse eu, arrependendo-me no minuto seguinte- ah...o Gil, pronto...Mas que mal tem? Não gostas dele, azar...- Foi então que o mal era que as três senhoras tinham entrado naquele momento pela porta a dentro e que tinham visto o beijo- Oh, Regina...Não lhes ligues. Elas têm mais em que pensar, amanhã arranjam outra história e esquecem-se da tua!
-Não é isso, Constanza- disse a minha amiga, agarrada a uma almofada de renda- o pior- continuou ela- é que o Bóris entrou também naquele momento!- Fiquei confusa. Que mal tinha isso?
- A sério?- disse eu- Isso é óptimo! Quer dizer que ele conseguiu descer a escada! Boa! Está melhor das lesões!
- Não! O Bóris viu o beijo...- Continuava sem perceber até que...Oh oh, a Regina estava apaixonada pelo Bóris?
- Não!- disse ela- Sei lá! É um "fraquinho".
- Ou estás, ou não estás, Regina!- disse eu já imaginando como seria o casamento e como eu própria ia vestida...Ai, que sonho!
- É qualquer coisa que não sabia que tinha por ele, mas que me incomodou ao ficar a saber que ele tinha visto o Gil a beijar-me. Sou capaz de matar o GIL!!!- Acalmei-a e tentei perceber o que era aquela coisa esquisita que ela sentia pelo o nosso "tio", russo. Que revelação! A Regina e o Bóris? Ele é um pouco mais velho, mas cá para nós, querido diário, ele é tão bem parecido...Só eu não tenho ninguém aqui na vila...Quando é que chegará o meu cavaleiro andante? Que me trará uma grinalda de flores e uma coroa de brilhantes? Ai...
Bom, por agora é tudo, querido diário.
Beijinhos e uma noite feliz!
Constanza
Um comentário:
São umas moçoilas muito ocupadas como podemos ver..
A malta de hoje já não sabe divertir-se cm nós xD
Não gostava de ser gémea...deve ser estranho.
Postar um comentário